Abr 16 2018

Beja – Os dias negros do PSD

Publicado por as 18:51 em Geral

Sobre a entrevista do Presidente da Distrital de Beja do PSD à RVP e Diário do Alentejo, escreve Gonçalo Valente e Henrique:

“Na passada semana o actual presidente da distrital de Beja do PSD, deu uma entrevista a uma rádio regional onde, em traços gerais, assumiu estar a fazer o trabalho possível, dando a entender de forma indirecta que não fez melhor porque há oposição interna(não tenho conhecimento de qualquer ação contra si). Considerou que os resultados desastrosos das autárquicas se deveram a um momento favorável à esquerda, acha que o PSD distrital está vivo e mantém contactos com as concelhias e militantes (pergunto quais?).
Após o quadro traçado aos olhos de João Guerreiro, porque só mesmo esses olhos podem visualizar um quadro que não existe, que não corresponde minimamente à verdade, podia legitimá-lo a ser reconduzido a um segundo mandato, pois nas suas palavras quer terminar o que começou, subentendo que está a referir-se a eliminar por completo o PSD do espectro político regional.
Começa por falar em união, mas alguma vez a procurou? Como quer união à volta de algo que não existe? Como quer união, se mostra distância e despreocupação? As pessoas unem-se quando os valores e os objectivos são comuns, o objectivo desta comissão política resume-se a manter lugares e poder, mostrando ser aversa a resultados.
Em jeito de curiosidade, nas últimas eleições internas que se adivinhavam bastante disputadas, estavam capacitadas para votar 352 pessoas, se retirarmos vitalícios e militantes que tinham as quotas em dia, em virtude de se ter disputado um acto eleitoral no ano anterior, estamos a falar de 250/260 pessoas interessadas no futuro do seu partido.
Isto é grave, é motivo de grande preocupação, mostra a desmobilização e descrédito que existe no Distrito de Beja e a desmotivação que norteia os militantes em geral. 
Não há qualquer interacção com as estruturas locais, não há capacidade nem ideias, não há um projecto, há um conjunto de pessoas que formam uma comissão política, que se reúnem de quando em vez, no último congresso foi a única distrital do País que não apresentou uma moção estratégica, não há uma voz crítica na verdadeira defesa dos interesses da região, por muito que lhes custe, a única voz é da deputada Nilza de Sena(mesmo sendo pára-quedista como é acusada, parece estar mais familiarizada com os problemas do Distrito do que a própria CPD) e de uma forma muito particular, dos analistas políticos que figuram nos diferentes órgãos de comunicação social da região, para as exigências sobejamente conhecidas, é pouco, é muito pouco.
O quadro vigente no Distrito é na realidade catastrófico, neste momento existem, no que diz respeito a autarquias, apenas 2 vereadores sem pasta eleitos e 0 juntas de Freguesia, no que diz respeito à organização do partido, existem menos de 300 militantes com quotas em dia e 4 secções activas.
Nunca em momento algum vivemos dias tão negros, mas mais constrangedor ainda na minha óptica, é não haver uma assunção de responsabilidades, não houve a coragem de assumir os resultados das últimas autárquicas, não houve um rosto, não houve um simples comunicado para fazer face ao sucedido, onde a distrital chamou para si a liderança de vários processos, o mais mediático Almodôvar(houve intervenção directa com a distrital a exigir nomes e lugares nas listas).
O mínimo por uma questão de ética, seria o pedido imediato de demissão da comissão política distrital, por respeito, honra e pundonor, para com todos os militantes e simpatizantes do distrito de Beja. 
O partido tem que ser aberto à sociedade civil, tem que trabalhar para cativar novos militantes, tem que estabelecer um clima de proximidade com as estruturas locais, tem que estar na primeira linha na resposta às necessidades dos Baixo Alentejanos, tem que mostrar vitalidade na sua organização, tem que criar um projecto, objectivos e dinâmicas de vitória, só assim pode crescer e recuperar a sua essência, o seu valor, a sua posição no espectro político regional, para ser uma alternativa real a ganhar eleições, ou seja, o contrário do que a comissão política distrital está a fazer.
Para isso é urgente que o palco seja ocupado por outros actores que não os actuais, está provado que as pessoas não se identificam com este PSD distrital(estão cada vez mais afastadas), é tempo de dar oportunidade a quem tenha realmente vontade de fazer, de construir, de concretizar, é necessário sangue novo para trazer ideias novas e construtivas. 
Não é comum que um presidente em funções, anuncie num horizonte temporal de 8/9 meses a sua recandidatura, pois normalmente está em melhor posição, de uma forma natural este é sempre o último a fazê-lo, isto mostra falta de confiança, fragilidade, medo e necessidade de marcar terreno.
Não sei o que vai acontecer, sei que é inevitável uma alternativa assente nos valores da social democracia e numa nova visão política, considero João Guerreiro um homem educado, que respeito enquanto companheiro de partido, mas o futuro não pode passar por ele, já teve oportunidade de mostrar, que não é seguramente o que os militantes e simpatizantes sociais democratas precisam para contrariar a situação política em que o Distrito de Beja se encontra.”
Gonçalo Valente e Henrique
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2 Resposta a “Beja – Os dias negros do PSD”

  1. Max diz:

    Como ja anteriormente referi o ainda Presidente da Distrital revela falta de vergonha e e intelectualmente desonesto. A Comissao Liquidataria do PSD no Distrito de Beja prossegue o seu trabalho.

  2. joao paulo ramoa diz:

    Análise perfeita, clara, óbvia, objectiva e lúcida.