Abr 02 2018

Esta causa é de todos

Publicado por as 18:15 em A minha cidade

Beja +, aliás, como todo o interior alentejano ou algarvio, em especial o território que sociodemográfica e culturalmente tem sido definido como Baixo Alentejo.

Escreve Manuel Barroso:
Parafraseando Sophia de Mello Breyner Andresen: «Vemos, ouvimos e lemos. Não podemos ignorar» que o Alentejo, em especial o Baixo Alentejo, tem sido esquecido de forma sistemática e permanente pela administração portuguesa.
Muitas são as evidências deste esquecimento… em todos os domínios que quisermos analisar.
Por razões de oportunidade circunstancial e economia de texto, tomo como referência, aqui, o caso da rede de caminho-de-ferro. Obviamente que muitas outras razões e fundamentos me assaltam neste manifesto.
Importa voltar a instalar o caminho ferro, com dignidade, funcionalidade, respeito pelas populações e orientado para o desenvolvimento socioeconómico de todo o território alentejano, em especial do interior, ao qual há que juntar o interior algarvio (igualmente esquecido).
O assalto ao sentido razoável de coesão territorial equilibrada e à dignidade das pessoas tem limites! E tem mesmo de terminar!
Se o projecto ferroviário Sines-Badajoz não tem um só centímetro de aplicação no território do Baixo Alentejo, igualmente, a não integração em tal projecto da electrificação da linha ferroviária Casa Branca – Beja e a respectiva extensão ao Algarve representa um homicídio socioeconómico, demográfico ou cultural por parte de sucessivas mentes inúteis, infligido ao interior alentejano e algarvio.
Para que não restem dúvidas, a minha declaração de interesses sobre esta matéria é a seguinte: – Fui utente diário do comboio/automotora entre Alvito e Beja, durante anos. De igual forma, sou utente regular de uma coisa a que continuam a ousar chamar comboio entre Casa Branca e Alvito (quando há!), depois de um «razoável doce» entre Lisboa-Entre Campos e Casa Branca…
As causas e autores de tais perversidades são inúmeras!
Incompetência de políticos, quer no contexto central, quer nos contextos regional ou mesmo local “versus” sentido de acomodação tradicional das nossas gentes.
Desde logo, de todos/as os/as deputados/as eleitos pelo círculo eleitoral de Beja (extrapolável a todo o território interior português).
Tais deputados/as terão seguramente as respectivas razões! E os resultados? Que evidências podem apresentar sobre a respectiva «luta» neste domínio? E os sucessivos governantes? E os autarcas?
Enfim, creio que o movimento cívico que vem assumir a defesa de tão patrióticas causas, deve liderar todo este processo. É justo e realista!
Não tenho a menor dúvida que muitas daquelas personagens, antes caracterizadas, estarão a colocar-se em «bicos de pés» para se posicionarem na «linha-da-frente» mediática, tal é a torrente cívica que se está a configurar como imparável.
Embora reconheça que todos são poucos para engrossar tal torrente, é bom deixar claro que a oportunidade da política formal dos partidos e agentes formais da política passou para a segunda linha.
Esta é uma causa de todos, onde humildemente me incluo.
Mas ficarei relativamente incomodado se começar a ver o aproveitamento de uns quantos «inúteis» sistémicos neste processo.
Esta causa é de todos, sublinho!

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