Mar 16 2018

Um murro no estômago

Publicado por as 13:20 em Geral

Esta é a história de Marielle Franco. Esta é a história que interessa, a história que indigna e revolta.

“Os favelados e as faveladas sabem exatamente qual é o barulho dos tanques à porta”. Este era o discurso muito critico da atuação das forças policiais e militares. Ela era Marielle Franco. Negra. Jovem. Lésbica. Vinda da favela. Vereadora na câmara do Rio de Janeiro. Lutadora. Lutadora pelos direitos das mulheres. Lutadora pelos direitos dos negros. E uma estrela em ascensão na putrefacta política carioca e brasileira.
Foi morta com quatro tiros na cabeça, da forma mais cobarde possível, na noite de quarta-feira, no carro em que seguia. Numa emboscada que vitimou também o seu motorista (uma assessora que também seguia na viatura sobreviveu). Antes, tinha participado numa iniciativa cívica com o nome “Jovens Negras Movendo Estruturas”.
Os tiros não terão sido disparados a mais de dois metros.

A linha de investigação aponta num sentido: tratou-se de uma execução.
Quatro dias antes de ter sido morta tinha denunciado nas redes sociais a atuação da Polícia Militar, referindo especificamente o 41º batalhão da PM e os excessos cometidos no sábado passado em Acari, uma favela na zona norte da cidade do Rio de Janeiro.
De que excessos falamos? Da morte de dois jovens negros, a tiro, um deles à saída de uma igreja. Contra isso se indignou Marielle. Contra o facto do dito batalhão ser considerado responsável pela morte de mais de 400 pessoas nos últimos cinco anos.
Agora, o Brasil grita ‘basta’ e a população vem para as ruas.

Voltemos à história de Marielle. Engravidou adolescente. Deixou os estudos. Conseguiu anos depois uma bolsa para voltar a estudar e entrar na universidade. Tirou sociologia. Entrou na política. Candidatou-se pela primeira vez em 2016 e conseguiu 46 mil votos, tornando-se vereadora.
Marielle Franco. Nome lindo do triste estado de um país que insiste em andar desafinado.
in Expresso

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2 Resposta a “Um murro no estômago”

  1. ATENTO diz:

    Quem denuncia o desrespeito dos direitos humanos e, ainda mais, direitos dos negros, num país que devia ser um exemplo de integração racial, tem que ser extremamente corajoso. Estou crente que Marielle tinha consciência que isto lhe podia acontecer, mas não vergou. Rendo-lhe a minha homenagem.
    Haja um inquérito sério e punam-se severamente os autores de tão vil e cobarde atentado.

  2. Dolmancé diz:

    Condeno o que aconteceu à senhora.
    Já com as favelas, aí acho que devia ser tudo queimado e terraplanado de uma ponta à outra… é como os ciganos; era tudo a eito!
    Tenho dito

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