Mar 03 2018

Uma odisseia que é um pesadelo

Publicado por as 11:33 em A minha cidade

André Madruga Coelho escreve no Público “A odisseia de chegar a Beja vindo de Lisboa“:

“(…) Num nível superficial, há os atrasos e supressões na circulação de comboios, que se repetem há anos. Quem circula de automotora no ramal de Beja já sabe que não pode tomar a circulação de um transporte público como um dado adquirido. Que disparate, querer que um transporte público, cuja circulação é financiada pelos contribuintes, ande de estação em estação pontualmente. Isto, quando chega…

Mas andar de automotora no ramal de Beja é também experienciar o clima alentejano em pleno. Imagina que estás dentro de uma caixa de metal sem ar condicionado numa tarde de Agosto, por volta das 17h, quando esta fica parada na linha por avaria, sob o sol de Verão, 45º C no exterior. Ou ficas apeado na estação de Casa Branca, numa plataforma sob o luar de Janeiro, quando as temperaturas rondam os 0º C, sem saber se a automotora vem ou se terás que continuar o caminho de autocarro, que demora mais tempo e nem sempre tem lugar para todos… Agora pensa que os utilizadores desta automotora são maioritariamente idosos. É complicado.
(…)

O Baixo Alentejo está isolado do resto do país; pior, está isolado dentro de si próprio. Não nasce gente e não vem gente. Os que ficam definham. São cidadãos menos interessantes? Não interessam aos decisores?”
Leia aqui a crónica.

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Uma Resposta a “Uma odisseia que é um pesadelo”

  1. ATENTO diz:

    Um alerta muito importante e necessário, muito oportunamente publicado num jornal de divulgação a nível nacional. Pela dolorosa e triste verdade que encerra, espero que abra os olhos às entidades politicamente responsáveis pelo estado de degradação a que um serviço público (transporte ferroviário) chegou no distrito de Beja. Que o cidadão local seja respeitado e possa usufruir de igual estatuto aos dos grandes centros urbanos, que parecem ser só os que contam neste triste Portugal. Não aludo aqui responsabilidades dos Caminhos de Ferro, porque em meu entender, não são mais que “carneiros” a mando da política, sem vontade própria nem capacidade de imporem à política o que não podem deixar de ver como necessidades mais prementes e justas.

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