Jan 03 2018

Beja e o comércio

Publicado por as 15:59 em A minha cidade

O assunto é velho e tem barbas como o Pai Natal.
Regularmente queixam-se os comerciantes da concorrência das grandes superfícies.
Este ano, antes do Natal, as queixas repetiram-se, desta vez pela voz do presidente da Associação do Comércio de Serviços e Turismo do distrito de Beja que, ao Diário do Alentejo (22/12), afirmou que o “comércio de Beja assiste à morte lenta.
Curiosamente, no suplemento Economia do Expresso de 23/12, lia-se em letras garrafais: “Otimismo faz disparar vendas no Natal“.
Poderíamos, pois, concluir, que o drama se passa só no nosso distrito e, muito principalmente, na nossa cidade.
Conto-vos um episódio: No fim-de-semana de 16/12, acompanhado de amigos (vindos de fora), passeámos pelo centro histórico da cidade, mais propriamente pelas Portas de Mértola.
Havia gente com fartura nas ruas, coisa rara nesta cidade, mas, curiosamente, as lojas estavam vazias. Andámos a ver montras e a comparar preços. E chegámos à conclusão que os preços em Beja são exorbitantes (refiro-me a vestuário). Comparei o preço de uma camisola de malha que, semanas antes, encontrei numa loja em Queluz, e a diferença de preço era de 22,50€ em Queluz para 37,00€ em Beja. A mesma marca, o mesmo padrão, a mesma cor.
Em conversa com os meus amigos tentei explicar-lhes que este é o preço da interioridade. Obviamente que não me levaram a sério.
É que Beja é, há muito tempo, uma das cidades mais caras das que conheço.
O comércio tradicional – o tal da morte lenta – não se soube adaptar aos novos tempos e tudo parece ter estagnado, excepto os preços, que vão aumentando. Os horários, os produtos expostos, a pouca variedade, etc…, tudo isto vai contribuindo apara que as lojas tradicionais se tornem moribundas.
Era necessária muita força de vontade e desistir da apatia para que o comércio, e com ele o centro histórico, se salvasse.
Será que ainda vamos a tempo?

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2 Resposta a “Beja e o comércio”

  1. ATENTO diz:

    Tudo o aqui dito é verdadeiro, mas para mim, o que “mata” o comércio tradicional e os Centros Históricos, é o automóvel. Estamos por demais arreigados a esta máquina para dela prescindirmos. É uma estupidez, reconheço, mas é a nossa realidade. Assim, perante o dilema de comprar no comércio tradicional para onde não é prático levar o carro ou ir ao híper onde o estacionamento é fácil e gratuito, a decisão está tomada. Mais um passeio de alguns Kms ao Algarve ou até Évora, aos grandes “fóruns” onde tudo nos salta à vista e a variedade é absoluta, torna-se numa tarde diferente e satisfazem-se as compras. Tudo, salve-se a expressão, sem sair do carro.

  2. Becas diz:

    Para os distraidos a Sonae Sierra iniciou ontem a construção de Centro Comercial em Beja , na saída para Serpa.

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