Nov 13 2017

Sobre a reunião magna

Publicado por as 19:42 em A minha cidade

Muito positivo, diria mesmo um sucesso, o facto de terem estado no Pax Julia mais de 500 pessoas.
Significa que há gentes preocupadas com a sua terra e a sua região, estando motivadas em abraçar as causas do movimento Beja Merece +.
O vídeo é bom, a melodia apelativa, e tem tudo para se tornar viral nas redes sociais. Pode também o vídeo entrar nas casas de todo mundo, assim se saiba utilizar as ferramentas de que dispomos na WWW (YouTube, Facebook, Twitter, Tumblr, G+, Linkedin, Stumble Upon, etc…).
Muitos foram ao Pax Julia para ouvir e ver o vídeo, a maioria foi para ouvir, e se possível discutir, as soluções que pudessem surgir para encontrar formas de tirar a região do isolamento e esquecimento a que foi votada.
As intervenções tiveram interesse, não obstante as limitações de tempo e a inflexibilidade por parte do moderador da mesa. Foi pena não se ter podido ouvir falar mais sobre saúde, mas as pessoas estavam ali para falar de comboios, aviões e estradas.
Propostas houve algumas, de imediato aceites pela assembleia, sem necessidade de votações.
Porém, a proposta que poderia agitar um pouco a discussão, não chegou a ser discutida. Refiro-me à criação de uma “Associação Beja Merece +”, isto é, legalizar o movimento.
Sabia-se que iria haver forte oposição, mas lamenta-se que as duas ou três vozes contrárias à criação da referida Associação, tenham arrastado a Assembleia para uma votação cujos resultados, sabia-se de antemão, seriam esmagadores, pois o voto de braço no ar não permite, muitas vezes, que se esteja votar conscientemente. Parece-me que não fomos devidamente esclarecidos sobra as vantagens e desvantagens de uma Associação. Houve, e haverá sempre, quem seja contra o associativismo, assim como haverá quem o considere uma “expressão e exercício de liberdade e um exemplo de vida democrática”.

Não houve tempo para discutir a proposta? Claro que não, assim como também não houve vontade de o fazer. Mas este “incidente” não pode, nem deve, impedir que discussão se faça, em ambiente menos efusivo e onde se possam confrontar os argumentos pró e contra.
Agora o “Beja Merece+” ganhou uma nova legitimação e quem lá esteve não pode virar costas às acções que se avizinham.
Como eu tive oportunidade de dizer, a culpa do estado a que chegámos não pode ser unicamente assacada aos governos, aos partidos, aos municípios. A culpa é, essencialmente, nossa, dos bejenses, dos baixo-alentejanos, que preferimos, a maior parte das vezes, o conforto do sofá , o silêncio conivente, o medo de falar, o receio de expressar opiniões, a enfrentar e confrontar quem tem o poder de decidir.

Beja merece+ e é por isso que vamos lutar.

O Vídeo no YouTube: Partilhem:

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4 Resposta a “Sobre a reunião magna”

  1. Maria Helena Palma diz:

    Foi de facto uma demonstração de que as pessoas estão a aderir ao movimento, e estão profundamente descontentes com a realidade do distrito. Gostei de ver uma plateia ecléctica, pluripartidária, e plurisocial, o que evidencia que começa a pensar-se Beja e o distrito num patamar acima das sensibilidades político-partidárias, e socio-profissionais. Lamento não ter estado presente uma grande parte dos Presidentes de Câmara do distrito, bem como dos três deputados eleitos supostamente para representarem a região, ter estado apenas um. Nota bastante positiva para a presença de empresários com uma dimensão já considerável, e que estão conscientes das dificuldades que atravessamos. Um facto que a saúde, é um factor a ter em conta, pois é um direito fundamental, e sem um hospital a funcionar em condições, não se pense sequer em aeroporto, ainda que numa vertente de carga, industrial ou de ensino. Pena que a mesa, se limitasse aos comboios e não permitisse a conclusão da proposta apresentada. Igualmente, o empreendedorismo teve a palavra cortada, quando serão as empresas que permitirão que a economia se desenvolva. Tendo o movimento tido a sua génese na questão das acessibilidades, e nomeadamente no facto de a CP ter começado a desinvestir há alguns anos, hoje ele é muito mais do que isso – os desafios que se nos colocam são sim, os comboios, e todas as formas de acesso, mas são muito mais do que isso: são a fixação das pessoas, são a saúde, a educação, a cultura, o empreendedorismo, o parque habitacional, e tudo aquilo que aporta desenvolvimento à região.
    Depois de ontem, nada poderá ficar igual. O compromisso dos presentes na reunião não poderá ser adiado. O Baixo Alentejo não pode ser adiado. Há que demonstrar e provar que #bejamerece+. Mantenhamo-nos unos em torno de um mesmo objectivo, sem partidarismos políticos, civilizada e democraticamente organizados, e certamente iremos ser ouvidos.

  2. lição de tango diz:

    Muito bem, Maria Helena Palma. A falar assim é que a gente se entende.

  3. Ana Matos Pires diz:

    Já agora aproveito para deixar escrito o que referi e a importância de se usar o que já é permitido por lei.

    A lei 18/2017, de fevereiro, determina que nos CA das Unidades Locais de Saúde (ULS) exista um vogal executivo indigitado pelos municípios da área de intervenção da respetiva ULS. Naturalmente que do ponto de vista da política partidária não é muito “interessante”, digamos assim, porque o poder político local maioritário fica comprometido com as decisões do órgão de gestão da saúde. Em contrapartida parece-me uma mais valia inquestionável que os munícipes tenham a sua voz representada nos ditos conselhos de administração. Se a lei já o permite e tal ainda não acontece na ULSBA julgo é absolutamente necessário que a CIMBAL (http://www.cimbal.pt/default.aspx) seja questionada e pressionada para resolver o assunto, do mesmo modo que me parece que essa pressão pode e deve ser feita por um movimento de cidadania como o Beja Merece +.

    E era só isto, mas parece que não fui compreendida pelo senhor que geria a assembleia. Fica escrito.

  4. Hugo Rego diz:

    Para já, e infelizmente, não me parece que o Movimento seja um espaço propenso ao debate e confronto de argumentos. É um movimento criado com um propósito, assente numa filosofia de sentido único e mais na fé do que na razão. Compreendo a necessidade de se querer fazer algo, de se querer mexer. Não estar parado.

    Talvez fosse do mais elementar bom senso tentar perceber qual a direção mais eficaz a tomar, mesmo que tal implicasse não reagir em sentido oposto a qualquer facto tido como negativo, mas a génese do movimento foi mesmo essa – a reação. É pena.