Nov 17 2017

Beja Acessível

Publicado por as 17:29 em A minha cidade


O grupo “Beja Acessível” solidariza-se com o movimento Beja Merece +

João é um jovem que utiliza cadeira de rodas e muletas para se deslocar.
João vive em Beja e não tem viatura própria.
Por razões da sua vida pessoal João precisou de ir a Lisboa.
A Rodoviária Nacional ou Rede Nacional de Expressos não lhe dava garantia de transporte.
A CP, Comboios de Portugal sim.
Mas a que preço?

Bom…Como entre a automotora que procede de Beja com destino a Casa Branca, e o comboio que procede de Évora com destino a Lisboa, só existe um intervalo de oito minutos para estabelecer a ligação, João não dispunha de tempo suficiente para fazer o transbordo. Primeiro grande obstáculo e impedimento.
João contornou-o recorrendo a um amigo que o transportou de carro até Évora.
Uma vez lá, o amigo e o revisor colocaram João no comboio com destino a Lisboa.
À chegada à capital esperava-o um elevador para descer do comboio com a sua cadeira de rodas, serviço que João solicitou com 15 dias de antecedência.
Foi uma viagem difícil, com sobressaltos e com muitos obstáculos para ultrapassar.
A verdade é que não podemos cercear a autonomia dos nossos cidadãos, não podemos continuar a alimentar relações de dependência que ferem a dignidade daqueles que deles necessitam a e a eles têm direito.

Viajar, seja por que motivos for, por necessidade e por puro prazer, é um direito que a todos assiste.
Logo é um serviço que o Estado deve e tem que garantir.

Os bejenses aqui presentes estão hoje indignados (e com razão) por terem de viajar de automotora ou por não terem já sequer disponível a automotora.

E o que dizer àqueles que nem a isso têm acesso?

Estamos em pleno século XXI!

Beja têm que dispor de transportes condignos para que TODOS, inclusive aqueles que como João têm alguma limitação na sua mobilidade, para que TODOS, repito, possamos estar ligados e em contacto com o Mundo.

Não são as pessoas que têm deficiência, mas sim o envolvimento físico, comunicacional ou os preconceitos que limitam as pessoas a viver em plenitude.

E, amigos, já perceberam que estamos a falar de INCLUSÃO, e o mesmo será dizer de LIBERDADE, de CIDADANIA, de DIREITOS HUMANOS. .

Por isso, o nosso grupo de reflexão “Beja Acessível” se solidariza com o “Beja Merece +”, sugerindo que de futuro sejam exigidos comboios adaptados ao transporte de pessoas com deficiência ou com mobilidade limitada.

A vossa luta é a nossa luta!

Melhores transportes para pessoas com deficiência significa melhores transportes para TODOS nós!

Solidarizamo-nos com a luta que sabiamente têm sabido levar a cabo de forma participada e democrática!

Beja merece + , Beja merece ser uma cidade ACESSÍVEL!

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2 Resposta a “Beja Acessível”

  1. ATENTO diz:

    Muito justa esta exposição. Não há, não devia haver, cidadãos de 1ª e de 2ª. Todos temos os mesmos direitos de cidadania. O Beja Merce + não pode esquecer estas justas e oportunas lembranças e ter presente que a INCLUSÃO é direito de todos. Também não se pode ficar pela inclusão nos comboios e transportes em geral, torna-se necessário tornar a cidade acessível a todos e em qualquer circunstância. Temos e devemos, lutar por isso.

  2. Hugo Rego diz:

    Boa noite, João. Não querendo ferir susceptibilidades, sobretudo daqueles que se encontram com limitações físicas permanentes e se vêem, todos os dias, a braços com sérias barreiras à sua mobilidade, será que toda esta argumentação não roça o populismo?
    Usar este exemplo é um atentado à dignidade de todos aqueles que, não vivendo em Beja, se questionam se tudo se passa à volta de Beja. É isto a que chegamos? Usar os deficientes motores em demagogias? Então porque não estender este conceito de igualdade a todas as cidades do Baixo Alentejo? E a todas as vilas? Porque se não há garantias de transporte rodoviário público em Beja, para estas situações, o que dizer de todas as outras localidades da região?

    O problema da mobilidade dos deficientes motores anda à volta de um comboio? Santa paciência. Haja um mínimo de decoro, respeito e dignidade na construção de argumentos.

    Se alguém quer colocar em causa as condições de mobilidade dos deficientes físicos na região, pode começar pela identificação, e denúncia, das barreiras arquitetónicas existentes na cidade, sobretudo em edifícios públicos.