Jul 27 2017

O que queremos para Beja?

Publicado por as 10:50 em A minha cidade

Escreve Luís Palminha:

“A Praça da República em Beja, alvo de diversas alterações e requalificações durante os tempos (não esquecendo que está prometida mais uma intervenção, para desfazer e “voltar ao que era antigamente”, sem qualquer debate ou conhecimento público do projecto é hoje um espaço urbano que definha e continua a aguardar por uma verdadeira Estratégia (passando posteriormente a um Plano de Pormenor) que impulse e relance todo o centro histórico da cidade.

De acordo com esta recente nota de imprensa, a Câmara de Beja, prepara-se para iniciar a reabilitação de dois edifícios, os quais vão tornar-se no “Centro de Apoio ao Desenvolvimento Local” (de certeza que toda a gente em Beja sabe o que vai acontecer neste novo espaço e o que vai trazer de novo à Cidade e ao Concelho, caso contrário e atendendo que estamos em período pré-eleitoral autárquico, as diversas candidaturas já teriam solicitado esclarecimentos… mas tal como disse, o assunto já deverá ter sido amplamente discutido e só isso justificará o silêncio dos diversos candidatos).

A Praça da República concentra actualmente a Câmara Municipal, as Finanças, o Centro de Emprego, o Conservatório, e futuramente o Centro de Apoio ao Desenvolvimento Local e ainda o Centro de Arqueologia e Artes.

Será que esta ambição de concentrar todos estes edifícios de serviços, no Centro Histórico de Beja, bom para a Cidade e para o próprio Centro Histórico?

Na minha opinião, não é, nem será.

Do meu ponto de vista, toda esta concentração de edifícios de serviços não só não beneficia a cidade como também terá impacto negativo no centro histórico. Estamos falar de uma operação de “cosmética” urbana.
Estamos perante uma “tentativa” preencher o centro histórico com edifícios desprovidos de pessoas e que apenas funcionam durante o horário de expediente, às custas do próprio município.

A grande verdade é que Beja e principalmente o centro histórico precisa de habitantes – pessoas. Pessoas para habitar e dar início às dinâmicas naturais que se sucedem.

Não preciso de me alongar.

A 80 km de Beja, temos a Praça do Giraldo, em Évora. Uma praça dinâmica, com muitas semelhanças à Praça da República (mesmas dimensões e mesma orientação) mas onde não se assiste a uma concentração de Serviços. Estamos a falar de uma praça fundamentalmente caracterizada por edifícios de habitação com comércio e serviços no piso térreo.

Honestamente, não sei quem actualmente, na Autarquia Bejense tem como responsabilidade “pensar” a cidade, mas acho que quem quer que seja, precisa de sair de casa e conhecer outros lugares, outras cidades e outros exemplos. Beja precisa de mudar o rumo e ambicionar ser algo mais do que mais uma cidade a definhar lentamente.

Esta é, para mim, lamentavelmente, mais uma oportunidade perdida.

(Este comentário sintético visa demonstrar que o real problema persiste. “O QUE QUEREMOS PARA BEJA?” pode e deve ser um tema de grande debate que urge realizar. Um debate inclusivo e com a participação de todas as forças políticas, de especialistas de diversas áreas, personalidades externas convidadas com grande relevo nas suas áreas de especialidade e principalmente, com os cidadãos. O futuro de Beja não deve nem pode ficar refém das vontades e egos de uma pequena parte, porque a cidade deve ser pensada para todos!)”.

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5 Resposta a “O que queremos para Beja?”

  1. bejense diz:

    O Luís Palminha tem razão mas esta a ser injusto… “O que queremos para Beja”, foi discutido e amplamente conversado nas conversas de Maio promovidas pela candidatura do PS Somos/Beja e onde ele também foi convidado e ouvido.

    Aliás, como ele também sabe, há um tempo próprio para tudo e, embora eu ache que de facto a oposição deve perguntar o que é que afinal se vai fazer na Praça, o comentário dele demonstra que esta demasiado tempo fora e que não conhece a dinâmica deste actual executivo: não falar, não ouvir e não ver…não responde a rigorosamente nada do que é solicitado.

    É claro que essa postura não justifica o silêncio dos diversos candidatos… mas que tipo de pré campanha é que ele espera ter em Agosto, quando não está ninguém na cidade? Repito: ninguém na cidade! Em Setembro já ninguém se lembrava e os que regressariam das férias, nem teriam dado por nada.

    É realmente muito fácil ser “treinador de bancada”, embora reconheça que o distanciamento seja algo bom e necessário no que toca à análise politica local. Mas um pouco mais de seriedade e menos “bicos dos pés” ficava-lhe bem…

    A análise que faz não é a invenção da roda. Toda a gente sabe que o que ele diz é verdade. É assim que se “pensa” a cidade como ele diz. Mas o que acontece é que, actualmente quem o faz, à semelhança de tudo o resto, fá-lo como quer, como gosta e porque sim. Se isso justifica tudo o resto? Claramente não. Mas se nos dá mais credibilidade sobre aquilo que dizemos…é que eu tenho as minhas duvidas!

    Ainda assim, boa análise, como já nos tem vindo a habituar.

  2. valentim diz:

    Concordo na generalidade com o ponto de vista de Luis Palminha, que nem sequer conheço pessoalmente! O exemplo que dá de Évora, é isso mesmo, um exemplo!…A tarefa de revitalização dos centros históricos é um desígnio que diz respeito a todos, e que exigirá o envolvimento de muitos agentes, CM, privados, sector imobiliário, tutela fiscal, etc…De qualquer modo o motor de arranque de tão ambiciosa tarefa terá que ser sempre a autarquia, cujo papel decisivo só poderá ser levado a cabo se possuir uma equipa multidisciplinar à altura!…Para um verdadeiro envolvimento dos privados, proprietários de imóveis no centro histórico, seria necessário, até porque há hoje alguns mecanismos legais à disposição dos municípios, a disponibilização de meios de financiamento atractivos, de benefícios fiscais claros, e de apoio técnico, mas mais importante ainda, é urgente uma verdadeira política de reabilitação urbana, que seja objectivamente praticável!…e há tão bons exemplos nessa área- basta para isso que estejamos disponíveis para aprender com quem nos pode ensinar alguma coisa, pela experiência prática que possui!…E se isso não acontecer, ao menos que se discutam ideias e pontos de vista, de modo alargado e politicamente descomprometido!

  3. ATENTO diz:

    Tudo o que aqui se diz, tanto no texto de Luís Palminha como nos comentários de “bejense” e “valentim”, é verdade. Não nos esqueçamos no entanto, que estamos no Centro Histórico e, como há tempos aqui já o disse, os Centros Históricos definham, precisamente porque são Centros Históricos. Não estão ajustados à vida actual, falta-lhes espaço e conforto, entre outras coisas. Tentar atrair moradores para eles é, no meu entender, uma batalha perdida. Nesta conformidade, não vejo outro jeito para a sua recuperação física que não seja o investimento público, mesmo que isso implique concentração de serviços. Defendo, no entanto, que intermediado com esses serviços, se criem espaços de fruição, como sejam estabelecimentos hoteleiros de qualidade (bares, cafés, restaurantes, etc.) que por essa mesma qualidade ou características inovadoras, atraiam as pessoas e deem movimento aos espaços. A imaginação é livre e tudo o que possa contribuir para o mesmo fim seria bem recebido. O necessário é incentivar. Lembremo-nos dos tempos em que a Praça da República já esteve cheia de esplanadas que enriqueciam as suas noites.
    Veio à baila a Praça do Giraldo em Évora, mas também esta, à noite, tirando agora o período das animações de Verão e “autárquicas” é um local “morto” e até dá “medo” vaguear sob aquelas arcadas. Falo por experiência. No entanto, se olharmos para as suas traseiras, Alcárcova de Baixo, já encontramos movimento e animação depois de, há pouco, alguns iluminados se terem por lá estabelecido e criado espaços de convívio muito interessantes.
    Concretizando, olhe-se para os Centros Históricos como Centros Históricos, dê-se-lhes vida, não se pretenda voltar a transformá-los em criadores de vida.

  4. Praça da República » Debater o Centro Histórico de Beja diz:

    […] um leitor: “Tudo o que aqui se diz, tanto no texto de Luís Palminha como nos comentários de “bejense” e […]

  5. hpalma diz:

    Eu preferia que o Municipio desse prioridade em criar condições para o estabelecimento de empresas a preços comportáveis. É o emprego que fixa pessoas. Se olhar-mos para algumas localidades em redor de Beja, vemos que criaram Parques para empresas que tiveram muito sucesso. Em Beja não se fez nada disto. Sem isto, podem jogar o dinheiro todo que tiverem para os Centros Históricos, ruas bonitas , etc, que não haverá quem as utilize, não haverão consumidores para viabilizar os negócios que podem dinamizar os centros históricos, etc.. É urgente uma estratégia para pessoas, pois sem esta , todas as estratégias do betão e da cultura irão falhar.

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