Jun 18 2017

O discurso vai ser o mesmo

Publicado por as 9:57 em Geral

Há uma notória incapacidade para acabar com a saga anual dos incêndios. E ninguém é responsabilizado. Um país de incendiários? E os outros? Neste momento só nos resta ser solidários com os Bombeiros e seus familiares. E exigir medidas efectivas para prever a anual calamidade.

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5 Resposta a “O discurso vai ser o mesmo”

  1. Paulo Nascimento diz:

    Num país de risco elevado, e com muitos e violentos incêndios todos os anos, como é que a esmagadora maioria dos bombeiros são voluntários ?

  2. João Espinho diz:

    qual alternativa que sugeres? (em linguagem para leigos sff)

  3. Paulo Nascimento diz:

    Cria uma força de Bombeiros á imagem das outra forças de segurança, tal como a PSP, GNR e Forças Armadas com presença alargada em todo o território nacional.

    Assumir a nível central a responsabilidade dessa força de Bombeiros profissionais e retirar o fardo financeiro e administrativo das camaras municipais, com um comando militarizado ou semelhante a nível nacional.

    Integrar ou extinguir nessa estrutura as unidades de bombeiros existentes noutras estruturas , GIPS da GNR, FEB (força especial de bombeiros).

    Alargar o serviço de INEM a todo o país com meios homens e meios próprios tal como a PSP ou GNR e retirar essa responsabilidade aos bombeiros voluntários ( eu sei que isto têm implicações económicas negativas para essas corporações).

    Colocar a proteção civil no seu devido lugar, como estrutura de apoio e não como unidade de comando dos bombeiros.

    Esta estrutura nacional de bombeiros profissionais só atuaria em casos de emergência, deixando as corporações de bombeiros voluntários com os serviços não urgentes, (consultas, transportes de doentes.. etc …) e como apoio aos bombeiros nacionais.

    Uma estrutura destas teria um nível de formação e prontidão incomparavelmente superior ao que existe hoje, tal como acontece nos países desenvolvidos.

    Esta aberração nacional de dependermos quase em exclusivo de voluntários têm de acabar. com a crise recente, muitas corporações quase fecharam portas porque perderam muitos dos seus efetivos para a emigração, muitos deles com altos níveis de formação como bombeiros.
    ainda hoje existem muitas corporações em dificuldades por falta de efetivos, como por exemplo Mértola , situada numa zona critica, e que ao que sei têm apenas dois motoristas com carta de pesados, ou tinha até há bem pouco tempo.

    A isto se juntam os cortes nos orçamentos e nas receitas das corporações voluntárias que levaram muitas das quais a uma situação de rotura e que só não fecham porque as camaras as seguram in extremis.

    Sou bombeiro voluntário há 25 anos, tenho as formações em dia, mas como voluntário tenho de conjugar com a minha atividade profissional, no dia em que não conseguir, terei de escolher entre os bombeiros e a minha profissão, e tal como muitos deixarei de ser bombeiro, por muito que me custe.

    E como voluntário, sou o primeiro a reconhecer que faz falta uma estrutura profissional em todo o país, e não apenas nas cidades ricas que podem pagar bombeiros sapadores, E como eu muitos voluntários dirão o mesmo.

  4. Américo diz:

    O Sr. Paulo Nascimento focou um aspecto muito importante. Diria que estão ai enumerados 50% dos problemas.

    Outra grande parte do problema é o parcelário. Continua sem ser feito, sem previsões para estar concluído e com multas constantes da CE.
    A grosso modo, de Castelo Branco para cima, ninguém sabe quanto é, de quem é, desde quando é a propriedade dos terrenos.
    E sem propriedade não há limpeza, não há obrigatoriedade de nada, não há responsabilidade de ninguém. A floresta fica 9 meses em auto-gestão, sem zelo algum.
    No rescaldo do incêndio começa o levantar mútuo de dedos acusatórios.
    Começam as chuvas, o assunto fica novamente na gaveta. Há anos que isto é assim. Um autêntico ciclo vicioso que se propaga há anos.
    Porque? o partido que se atrever a mexer nisso vai ficar muitos anos sem se sentar no cadeirão. Vai haver muita expropriação, muito usucapião, muita reivindicação de posse… etc. Um caos jurídico.

    Outro aspecto que importa mencionar são as constantes negociatas dos meios aéreos. E não me venham com a FA que isso é para encher parangonas de jornais. Falo sim em cadernos de encargos completamente ignorados sem penalizações, horas extras não negociadas e pagas a peso de ouro, horas não executadas pagas na mesma, contratação de pilotos sem habilitações e sem pronunciarem uma palavra de português.
    Centralização estúpida e sem nexo nenhum da protecção civil em tudo e mais alguma coisa…enfim ás vezes pergunto-me como é que não arde mesmo mais área.

  5. esquecido diz:

    @Américo
    Na mouche, na minha opinião.

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