Abr 05 2017

Beja – Há sempre algo a fazer

Publicado por as 19:28 em A minha cidade


foto: joão espinho
Contributo de uma leitora:

“Analisando Beja no seu todo, identifico não um, não dois, mas sim três pontos críticos.
O primeiro é
político. E é claro.

O segundo é respeitante ao comportamento cívico, que se traduz nas responsabilidades e deveres enquanto cidadãos, nos seus valores enquanto sociedade e nos valores das instituições dessa mesma sociedade. O terceiro é a dificuldade que existe em se assumir que a culpa reside na falta de interligação dos dois pontos anteriores. Passa-se a bola de um lado para o outro do campo, mas no seu conjunto, a equipa não avança.

Senão vejamos. Sendo a sociedade uma comunidade organizada e independente, está implícito que os seus membros compartilham interesses e/ou preocupações conjuntas, sobre um objectivo comum. Desta forma, é inegável que o termo sociedade seja, muitas das vezes, aplicado ao conjunto de cidadãos de um país (cidade, região ou província) governados por instituições nacionais e políticas, cujo interesse é (ou deveria ser) o bem-estar cívico.

Se nos focarmos numa notícia muito recente que nos informa sobre a transferência da gestão da Villa Romana de Pisões para a Universidade de Évora, eu pergunto: Mas não existiriam outras opções que não a de doar – porque é uma doação – o nosso património ao distrito vizinho? Não foram propostas parcerias para uma resolução conjunta? Ou as portas não se abriram?
Não houve um grupo de cidadãos organizados, cuja a área de interesse se prenda com o Património cultural e histórico, que se debatesse e se fizesse ouvir no que a esta questão diz respeito? Não existe uma EDIA com alguma responsabilidade na matéria? Nomeadamente na melhoria dos acessos ao local?
(Por vezes questiono-me se o foco não estará em alcançar grandes feitos, esquecendo que é de pequenos passos que se faz o caminho. Não se pode querer chegar à meta antes de se iniciar a corrida).
Mais uma vez, falham os dois primeiros pontos.

A respeito do terceiro ponto, quando um terço (se tanto) da população da cidade luta pelos restantes dois terços, que se dividem entre críticos e resignados, sabe-se, de antemão, que os frutos não serão tão doces quanto deveriam. Isto porque, quem semeia/planta, quem acompanha o crescimento, quem cuida, quem rega e quem colhe, são as mesmas mãos. E por mais que se queira um pomar intensivo, ambicionando um super-intensivo, não existem mãos suficientes para acompanhar esse crescimento. No entanto, se os críticos também querem frutos, os resignados não negam o sumo de uma boa laranja. Note-se, já crescida e madura, colhida e espremida. Não por eles, mas pelos que para isso trabalharam.
Se a política sozinha, e por si só, não está a conseguir, há que rever a estratégia. Unir esforços e envolver mais os cidadãos (que se queiram envolver), numa luta conjunta que afinal é de todos, e não somente do sector camarário e do terço da população que arregaça as mangas e luta pelos seus interesses e pelos interesses dos restantes.

Há sempre alguma coisa que se pode fazer. Que ninguém pense o contrário. É preciso é querer.”

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