Abr 04 2017

Beja – há falta de bairrismo?

Publicado por as 8:00 em A minha cidade


foto: joão espinho

Comentário deixado aqui:

“Desculpem mas não considero que o maior problema da cidade seja político. Quando os residentes são os primeiros a transformar Beja numa cidade fantasma que dizer? Chega o verão e é ver remar o pessoal para monte gordo, no Inverno para Lisboa. Tudo o que é de fora é bom e cá é tudo mau. Abre-se um negócio abrem-se logo meia dúzia iguais. Um pouco de bairrismo fazia muita falta. Quando se cospe no prato onde se come só pode dar nisto. Se houvesse união muita coisa podia ter início. Quantos espetáculos há de borla sem que ninguém aproveite? Quantas pessoas usam as nossas óptimas piscinas(a precisar de uns balneários melhores) mas tão agradáveis no verão? Há uma desvalorização da cidade pelos próprios logo como pode só a política resolver? É a minha modesta opinião…”

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2 Resposta a “Beja – há falta de bairrismo?”

  1. atento diz:

    Claro que há também um problema político, quando Beja é governado por alguém que não tem a mínima sensibilidade para promover a cidade e o concelho, que não conhece. Alguém que está mais interessado em promover-se e promover o seu poder pessoal, que privilegia os empresários e arquitectos da sua terra e reduz Beja a um conjunto de festas e festinhas algumas das quais não têm a nada a ver com a nossa cultura e que transformam a cidade numa réplica pobre de uma qualquer vila minhota.

  2. Ritapalmanascimento diz:

    Analisando Beja no seu todo, identifico não um, não dois, mas sim três pontos críticos. O primeiro é político. E é claro. O segundo é respeitante ao comportamento cívico, que se traduz nas responsabilidades e deveres enquanto cidadãos, nos seus valores enquanto sociedade e nos valores das instituições dessa mesma sociedade. O terceiro é a dificuldade que existe em se assumir que a culpa reside na falta de interligação dos dois pontos anteriores. Passa-se a bola de um lado para o outro do campo, mas no seu conjunto, a equipa não avança.

    Senão vejamos. Sendo a sociedade uma comunidade organizada e independente, está implícito que os seus membros compartilham interesses e/ou preocupações conjuntas, sobre um objectivo comum. Desta forma, é inegável que o termo sociedade seja, muitas das vezes, aplicado ao conjunto de cidadãos de um país (cidade, região ou província)governados por instituições nacionais e políticas, cujo interesse é (ou deveria ser) o bem-estar cívico.

    Se nos focarmos numa notícia muito recente que nos informa sobre a transferência da gestão da Villa Romana de Pisões para a Universidade de Évora, eu pergunto: Mas não existiriam outras opções que a não a de doar – porque é uma doação – o nosso património ao distrito vizinho? Não foram propostas parcerias para uma resolução conjunta? Ou as portas não se abriram?
    Não houve um grupo de cidadão organizados, cuja a área de interesse se prenda com o Patrimônio cultural e histórico, que se debatesse e se fizesse ouvir no que a esta questão diz respeito? Não existe uma EDIA com alguma responsabilidade na matéria? Nomeadamente na melhoria dos acessos ao local?
    (Por vezes questiono-me se o foco não estará em alcançar grandes feitos, esquecendo que é de pequenos passos que se faz o caminho. Não se pode querer chegar à meta antes de se iniciar a corrida).
    Mais uma vez, falham os dois primeiros pontos.

    A respeito do terceiro ponto, quando um terço (se tanto) da população da cidade luta pelos restantes dois terços, que se dividem entre críticos e resignados, sabe-se, de antemão, que os frutos não serão tão doces quanto deveriam. Isto porque, quem semeia/planta, quem acompanha o crescimento, quem cuida, quem rega e quem colhe, são as mesmas mãos. E por mais que se queira um pomar intensivo, ambicionando um super-intensivo, não existem mãos suficientes para acompanhar esse crescimento. No entanto, se os críticos também querem frutos, os resignados não negam o sumo de uma boa laranja. Note-se, já crescida e madura, colhida e espremida. Não por eles, mas pelos que para isso trabalharam.
    Se a política sozinha, e por si só, não está a conseguir, há que rever a estratégia. Unir esforços e envolver mais os cidadãos (que se queiram envolver), numa luta conjunta que afinal é de todos, e não somente do sector camarário e do terço da população que arregaça as mangas e luta pelos seus interesses e pelos interesses dos restantes.

    Há sempre alguma coisa que se pode fazer. Que ninguém pense o contrário. É preciso é querer.

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