Mar 01 2017

Albernôa

Publicado por as 0:16 em Geral

Sobre o assunto versado neste post, escreve um leitor:

“Boa noite,
Acho que se está a ignorar a parte mais importante, e a ir pelo caminho demagogo.
Não me identifico porque não vou fazer juízos de valor, mas acho relevante acrescentar aqui alguns factos.
Podem escapar-me alguns factos porque não estou a ler a lei, mas utilizo produtos fitofarmacêuticos, pelo que sou obrigado a saber a lei:
– Obrigatoriedade do uso do EPI (fato, luvas, máscara) e botas de borracha.
– Formação de aplicador de produtos fitofarmacêuticos. Custa à volta de 150 euros por pessoa, e todas as pessoas envolvidas na aplicação e no manuseamento dos fitofármacos têm de ter essa formação e respectivo cartão de aplicador como prova.
– O pulverizador tem de ter a inspecção feita se for anterior a 2010. Máquinas com menos de 7 anos ainda não precisam.
– Para adquirir o produto fitofarmacêutico também tem de ter o cartão de aplicador.
– Para aplica, tem de saber qual o alvo a atingir, e respeitar as doses no rotulo. Isso implica saber o débito da máquina (quantos litros por minuto deita), e o total da área a tratar. Sabendo isto, e fazendo algumas contas básicas, faz-se a calda, aplica-se, e todo o procedimento tem de ficar registado em papel para futura consulta (durante 3 anos).
– Os produtos têm de ser armazenados em local próprio com regras também bastante especificas, como o estar fechado a cadeado e relativamente longe de linhas de água.
– O produto só pode ser aplicado em determinadas condições climatéricas, como por exemplo, não estar a chover.
– O produto não pode ser aplicado muito próximo (alguns metros) de linhas de água.
– A responsabilidade do cumprimento destas regras, é da entidade empregadora, e não dos empregados, excepto se estes tiverem a formação feita, e assinarem um termo de responsabilidade.
Muitas destas coisas não são possíveis de aferir pela foto. Basicamente só a falta do equipamento. O conduzir com uma mão e aplicar com a outra, também não me parece algo muito correcto.
Não sei se há particularidades à aplicação em meio urbano, mas é abusivo dizer-se que se “está a envenenar”, e que “aquilo faz cancro”. Os produtos fitofarmacêuticos, como todos os medicamentos, fazem bem ou mal dependendo do alvo, e da concentração aplicada. Não está provado que o glifosato provoque o cancro. Ninguém terá dúvidas de que é um produto químico, e que é preferível não o utilizar, mas se for bem aplicado, e respeitando as regras de aplicação, e tiver de ser utilizado, pode ser utilizado. Tal como qualquer antibiótico para uma doença que tenhamos. Nesta caso particular, e desmistificando o que é o glifosato, é um produto que quando em doses normais, é decomposto pelo próprio solo, mas não deve ser aplicado infinitas vezes nos mesmo locais, para que as ervas não lhe ganhem resistência, nem perto de linhas de água, porque uma vez na água o tempo de decomposição é muito, mas muito superior ao do solo. Quer isto dizer, aplicado na terra, em doses corretas, é relativamente seguro. Aplicado para o ar, aumenta o risco de cair onde não se quer que caia (água, cimento, no cimento escorre, e vai parar à sarjeta que escorre para o rio), ou ser respirado. Aplicado em doses altas, o solo não tem a capacidade de o degradar e acaba por chegar aos lençóis de água subterrâneos.
Sem mais dados mais concretos, só com essas fotos, é impossível dizer-se se o produto está a ser bem ou mal aplicado, pelo que não se pode, sem mais dados, falar em perigo da saúde pública. Podem isso sim, perguntar por esses dados à entidade que fez a aplicação, neste caso, a junta de freguesia. Essa sim, tem a obrigação de saber responder a essas perguntas.
Seja como for, as fotos dão a entender que a aplicação é feita “à antiga”. Talvez por ignorância das “novas” (a lei julgo ser de 2013) regras.
Facto é que, pelo menos em alguns pontos, a lei não está a ser respeitada, e isso sim, parece-me algo grave. As leis são feitas para todos, e todos as têm de cumprir. Não é justo que uns tenham de cumprir, e o estado, como sempre, não saiba dar o exemplo.
Para os mais curiosos, a lei em causa é a Lei 26/2013.
Espero ter ajudado a tornar a discussão mais factual.”

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9 Resposta a “Albernôa”

  1. Mefistófeles diz:

    E já agora, porque não efectuar uma limpeza mais natural, sem recurso a químicos nocivos, atendendo ao facto de se tratar de uma área urbana? Se calhar, no fim ainda ficava mais barato, do que o dispêndio de tempo e de dinheiro nos recursos de natureza técnica e /ou burocrática que são assinalados no Post!…Ainda teria outra vantagem imediata- dava trabalho a alguns desempregados ou desocupados lá da aldeia!

  2. Vargas Herédia diz:

    “Os produtos fitofarmacêuticos, como todos os medicamentos, fazem bem ou mal dependendo do alvo, e da concentração aplicada. Não está provado que o glifosato provoque o cancro. Ninguém terá dúvidas de que é um produto químico, e que é preferível não o utilizar, mas se for bem aplicado, e respeitando as regras de aplicação, e tiver de ser utilizado, pode ser utilizado”.
    Retirei da resposta do leitor a frase que coloquei acima e acrescento-lhe:
    a) “Basicamente só a falta do equipamento”;
    b)”Obrigatoriedade do uso do EPI (fato, luvas, máscara) e botas de borracha”;
    c) “quer isto dizer, aplicado na terra, em doses corretas, é relativamente seguro”.
    d) “Sem mais dados mais concretos, só com essas fotos, é impossível dizer-se se o produto está a ser bem ou mal aplicado, pelo que não se pode, sem mais dados, falar em perigo da saúde pública”.

    Afinal em que é que ficamos? Presumindo (não está na fotografia mas acho que podemos presumir) que o organismo dos trabalhadores da junta- pele, olhos, vias respiratórias, sistema linfático, etc. não seja “à prova” de efeitos negativos do herbicida e observado (é factual, está nas fotografias) o incumprimento da obrigação de segurança mais elementar, há perigo e ilegalidade ou não? Ou será que é mesmo, e só, o caminho mais demagogo?

    Teria sido muito elucidativo se pudesse ter sido disponibilizado pelo comentador o link do artigo que atesta que a exposição de trabalhadores de junta de freguesia ao glifosato, sem EPI, não é passível de provocar cancro.

  3. Lufada diz:

    A responsabilidade de tal irresponsabilidade é garantidamente da presidente da junta de freguesia de ALBERNOA. Sei do que estou a falar pois sou e ALBERNOA e tudo o que os empregados fazem é a mando dela. Aliás, se ela não vier de Beja dar as ordens, o provável é que se sentem numa cadeira à espera das 5 da tarde. Parece mentira não é ? Então venham a ALBERNOA e perguntem à primeira pessoa que encontrarem. Mais, não tenham dúvidas que qualquer dos empregados, porque os conheço, não tinham a menor ideia do mal que o que andaram a espalhar lhe pode fazer. Formação feita ? Nem carta de condução ele tem. Perguntem à GNR quem apanharam a conduzir o Dumper da junta sem a respectiva.

  4. Anonimo diz:

    Mefistofeles: concordo. Até porque os produtos químicos são caros.
    Vargas: peço desculpa, não fui claro. Quando digo que não está provado que provoque cancro é no sentido de desmistificar o uso do produto, não querendo estar a defender o uso do produto. Digo-o portanto do ponto de vista ambiental. Os graves problemas que têm existido e que tenho conhecido por curiosidade nas internets, são por enorme abuso do uso do mesmo, mas não queria divagar por aí. É outra discussão. Os aplicadores não usarem o respectivo EPI, acho que não oferece discussão sequer. Respirar ou ter em contacto na pele ou olhos um herbicida nem sei bem que mal faz, mas faz e muito. Nunca me dei ao trabalho de oprofundar o conhecimento nesse ponto porque me parece não haver dúvidas. Basta ler qualquer rótulo de um herbicida. Podem causar vários tipos de lesões, mesmo para além de serem cancerígenos. Mas faz bem em dar ênfase a esse ponto que é muito importante.

  5. Anonimo diz:

    Acrescento que epi tem de respeitar determinadas normas, não pode ser uma coisa qualquer, e tenho dúvidas se os óculos são mesmo obrigatórios, mas são muitos os herbicidas cujo rótulo diz que provoca lesões oculares graves, pelo que acho que nem faz sentido não usar, mesmo que a lei seja omissa.

  6. Picamiolos diz:

    Pura hipocrisia!!! o problema em questão não é se faz bem ou faz mal, nem a preocupação, com os trabalhadores de junta!!! se tem protecção ou não, mas sim uma questão de politiquice mesquinha de alguém que não tem mais nada para fazer, alem de andar a fotografar e a publicar estes assuntos nas redes sociais.
    Existem autoridades competentes, para resolver estas situações, basta apresentar queixa!!! Já agora se estão tão preocupados com estas questões existe reuniões de assembleia de freguesia que é um órgão livres e democrático que está acessível a toda a agente onde se empoem estes assuntos, e se resolvem ou tentam resolver estes assuntos de forma civilizada!!!
    Já agora!!! se estão preocupados, porque não fazem como antigamente, cada um limpa a sua porta, no seu quintal, ou na sua rua, em vez de andar a tirar fotos que nada resolve, a não se o ego de alguém que tem em mente algum objectivo!!!
    Milhões de toneladas de químicos foram e continuam a ser pulverizados no nosso Pais, não é uma mascara ou um cartão passado por um organismo qualquer que vai proteger o ambiente!!! se faz mal que se proíba de vez a sua aplicação!”!!!

  7. João Espinho diz:

    @MIOLOS – como alguém dizia: ” se não consegues acabar com o lixo, acaba com as pessoas que o fazem”. Mas não gostou das fotografias? E o assunto só pode ser tratado na assembleia? Não sei se reparou, mas estamos em Março de 2017. Século 21. E as redes sociais já existem desde os tempos dos romanos. São uma chatice, não são?

  8. Lufada diz:

    “…..mas sim uma questão de politiquice mesquinha de alguém que não tem mais nada para fazer, alem de andar a fotografar e a publicar estes assuntos nas redes sociais. ”

    – Só pode ser para rir. Então foram eles próprios que fotografaram e publicaram na página da UF de Albernôa !!!???
    E depois retiraram porque alguém comentou a gravidade da situação.
    Quer dizer, fizeram a merda e agora querem que os outros a limpem ?

  9. Anonimo diz:

    Picamiolos: acho que não percebeu. Ignorando por completo a componente de aproveitamento político, continua a haver ilegalidade. A formação existe para sensibilizar as pessoas e esclarecer a lei. Depois qualquer um pode ser fiscalizado, quer no acto de aplicar, quer nos próximos três anos e terá sempre de justificar onde aplicou o produto que comprou, justificando com as respectivas folhas de campo, com datas, doses e áreas tratadas. Assim sendo, acredite que sendo fiscalizado, é muito difícil justificar ter feito de forma errada, apesar de possível. Seja como for, é a lei, e a lei é para todos. Hipocrisia é achar que não.

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