Mar 10 2017

Beja – sobre o Palácio da Justiça

Publicado por as 15:30 em A minha cidade

Coisas que poderiam ser realizadas através de processos mais transparentes, mas…
Vamos por partes:

Escreve Luís Palminha:

1. O Ministério Público considerou que em Beja não existiam alternativas de edificado para receber todas as valências previstas para este novo Palácio de Justiça.
– Sobre este ponto, discordo, mas aceito que a via mais fácil é a ocupação de um lote vazio do que a reconversão/expropriação/negociação. O que não falta em Beja são volumes de edificado, que aliados a um bom programa de requalificação, responderiam a estas funções e dariam um novo uso a edifícios que estão quase a ruir ou se encontram deixados quase ao abandono e que constituem hoje em dia um risco para a saúde e segurança pública. [Ex: Antiga fábrica e silos junto à Estação de Comboios; Antiga Casa Pia; Actual edifício que serve de Comando Territorial da Guarda Nacional Republicana]

2. O protocolo celebrado entre o Ministério da Justiça e a Autarquia colocou sobre responsabilidade da Autarquia a elaboração dos projectos de Arquitectura e Especialidade. A Autarquia optou pela aquisição destes serviços através de ajuste directo à empresa “J. M. Carvalho, Arquitetura e Design, SA – com sede em Braga“.

– Ok, percebo, estamos cheios de pressa em apresentar trabalho e usamos o argumento da “celeridade” do processo de adjudicação directa para contratar um atelier de Arquitectura. Mas, SUBLINHO, não colocando em causa a qualidade do projeto desenvolvido e o mérito profissional do arquiteto escolhido, ninguém…, volto a repetir NINGUÉM EM BEJA QUESTIONOU A AUTARQUIA na decisão de ajuste directo a este Atelier de Braga?
Nem Partidos Políticos de Beja, nem Comunicação Social de Beja, nem sequer a própria Ordem dos Arquitectos – que lamentou a inexistência de concurso público para o projecto do Palácio da Ajuda em Lisboa – Já em Beja… nada, ninguém. Das duas, uma. Ou há conivência, ou há um total desinteresse e este é partilhado por todos os actores locais.
Na minha inocência fui à Plataforma Base procurar o histórico de adjudicações ao referido Atelier e eis que encontro uma coincidência – Pura coincidência o histórico de Adjudicações Directas de Beja e Serpa. (Podem consultar aqui)

3. Porquê a escolha do “lado mais nobre” da Cidade de Beja para implantação deste serviço?
Por diversas vezes já tentei abordar o tema do desequilíbrio da Cidade de Beja, pois a mesma vive debruçada sobre o seu “lado mais nobre”.
Escolas Secundárias, Piscinas Municipais Descobertas, Piscinas Cobertas, Instituto Politécnico, Hospital, Parque de Campismo, Parque de Merendas/Mata (e futuro parque de Campismo), Parque de Feiras e Exposições, Grandes Superficies, Serviços Técnicos da Câmara, Bombeiros, Terminal de Autocarros, Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja, Registos, Principais unidades Hoteleiras…
Serei o único Bejense a questionar tudo isto?

(foto daqui)

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3 Resposta a “Beja – sobre o Palácio da Justiça”

  1. Hugo Rego diz:

    Bom apontamento. Infelizmente. Apenas um reparo: também eu lamento o estado da antiga fábrica de farinhas, e volta e meia, há uma tendência em argumentar com a recuperação deste edifício mas, convenhamos, essa hipótese nem sequer deveria ser colocada nestes termos. Colocar a hipótese de recuperação daquele edifício é tão lógico como “construir” um aeroporto sem todas as estruturas de apoio, suporte, acessibilidades e, sobretudo, dinâmica à sua volta.
    Uma das outras opções colocadas – o edifício do Comando Territorial da GNR – bem, este deveria ser recuperado, tout court. Quem lá tem que trabalhar sabe bem o estado em que se encontra.
    Quanto ao resto, nunca pensei que o Minho fosse capaz de desenvolver uma relação de tanta proximidade com o Baixo Alentejo. E, no entanto, não sei porquê, não estou surpreendido…

  2. Américo diz:

    Existe ainda a antiga metalúrgica alentejana, que penso teria todas e mais algumas condições para albergar o Palácio da Justiça.

  3. corocota diz:

    Uma interessante análise…mesmo muito interessante…uma interessante série de questões a discutir com as diferentes forças do Concelho e da Cidade. Interessa-me especialmente a do “crescimento para sudoeste”…objetivamente verificável…

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