Fev 16 2017

As etiquetas partidárias

Publicado por as 11:44 em Blogosfera

Escreve Pedro Correia no Delito:

Ouço por vezes falar em “ideologias” na política portuguesa. Há até uns sábios que se assumem como guardiães dos respectivos templos.

Mas que ideologias, afinal?

O CDS reivindicou-se sempre como partido “do centro”. C de centro, aliás. Mas esteve sempre à direita do centro, contrariando aliás a vontade de um restrito núcleo dos seus fundadores.

O PCP só seria comunista se fosse um partido revolucionário. Mas é um partido institucionalista, com base social no funcionalismo público a nível nacional e local. Nada tem de revolucionário.

O PSD nunca foi social-democrata. Foi – e é – um partido liberal, conservador, com matizes populistas nas suas adjacências regionais.

O PS meteu o socialismo na gaveta ainda na década de 70. Teve sempre uma matriz dominante – a da social-democracia clássica, com erupções sociais-cristãs sobretudo no consulado de António Guterres.

O Bloco de Esquerda é vagamente “socialista” mas contemporizador com a UE capitalista, da qual não quer dissociar-se. Burguês até à medula, com representação residual junto dos segmentos mais pobres da sociedade.

O PEV é tão ecologista como eu sou evangélico, xintoísta ou libertário. Eterna muleta do PCP, sempre foi muito mais vermelho que verde.

Esqueçamos portanto as etiquetas. Dizem-nos muito pouco ou quase nada dos partidos portugueses.

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5 Resposta a “As etiquetas partidárias”

  1. atento diz:

    Este senhor descobriu a pólvora.

  2. Augusto diz:

    O CDS é um partido da direita radical, de centro nunca teve nada.

    O PSD nem sabe o que é , é uma central de negócios e de empregos para os amigos.

  3. bejense diz:

    O PEV é o tal que é como a melancia: verde por fora e vermelho por dentro. E assim se faz a CDU, com o PCP e o PCP-V (de verde), como antigamente havia o PCP-ml do camarada Vilar.

  4. Paulo Nascimento diz:

    Cada um de nós têm uma perceção pessoal acerca do posicionamento da cada partido, o autor apenas expressa a dele.

    A minha opinião pessoal e diferente.

    PPD / PS são partidos que originalmente eram sociais democratas, mas hoje pouco mais são do que agencias de negócios e cargos. Com o PPD mais posicionado como partido Liberal, e com Passos Coelho nas franjas entre o extremismo liberal e o fascismo. No caso do PS, ainda têm alguns socialistas resistentes no seu interior, o que o posiciona ligeiramente á esquerda, sendo que no contexto atual, está o mais á esquerda desde que Soares pôs o socialismo na gaveta, numa posição que não é naturalmente a sua.

    O PCP é um orfão da União Sovietica, institucional e nada revolucionário, que sobrevive graças à sua ortodoxia ( não se renovou após a queda do muro, o que lhe permitiu manter os seus eleitores, que perderia se tentasse mudar a face para tentar conquistar novos eleitores, tal como aconteceu ao PC italiano ou o PC Espanhol, entre outros.

    O PEV, é uma farsa institucional, que serviu nos anos 80 para evitar o aparecimento de um verdadeiro partido tipo verdes como na Europa central e do norte. Farsa que se foi mantendo por razões de espaço de antena e debate na assembleia da republica, e por razões económicas , visto que permite embaratecer as campanhas eleitorais, uma vez que são dois financiamentos institucionais.

    O BE é uma federação de esquerdas tradicionalmente desavindas, que vão da social Democracia ao Libertarismo, num fenómeno do qual foi pioneiro e que se têm repetido pela Europa (Podemos, Syriza, Die Linke … etc… ). ocupa o espaço politico deixado vago pelos partidos comunistas tradicionais e os desiludidos com os partidos sociais democratas europeus, que os velhos comunistas não conseguem preencher.
    Atualmente posiciona-se como um partido Social Democrata, para mal dos meus pecados que sou Bloquista e Libertário.

  5. Paulo Nascimento diz:

    Faltou-me o CDS

    Para mim é o partido dos restos. um partido que vive do que pode apanhar, originalmente os orfãos do estado novo, assumindo-se não oficialmente como o sucessor da União Nacional.

    Partido que quase desaparece, uma vez que o PPD, liderado por um saudosista do velho regime e com duas maiorias absolutas quase o dizimou.

    Reaparecendo liderado por Paulo Portas, um populista que não olha a meios para atingir os fins, que cresceu com os anticorpos que cavaco gerou, e se vende a qualquer causa a troco de votos.

    Um partido que de ideologia só têm o seu posicionamento seguidista em relação á igreja católica e um vontade revanchista de acertar contas com o 25 de Abril., Fortemente dependente de uma liderança carismática como foi a de Paulo Portas, e cujo futuro pende na balança, com apreensão em relacão á performance eleitoral de Assunção Cristas.