Dez 08 2016

Numa praça de Beja

Publicado por as 10:33 em A minha cidade

Em 2003 foram gastos cerca de 500 mil euros na renovação do espaço. Decorridos 13 anos, das 1600 lajes de mármore que formam o pavimento, estão partidas cerca de 300.

De entre as 13 intervenções de requalificação e reordenamento de espaço urbano que faziam parte do programa Beja Polis, destaca-se a alteração profunda que foi efectuada na Praça da República, onde, em 2003, foram investidos cerca de 500 mil euros. Agora, outro tanto ou mais será investido pela câmara para que tudo volte ao que estava antes, retirando-se as lajes que se foram partindo para que a calçada regresse.

Quando foi apresentado o projecto de reformulação da principal praça da cidade de Beja, em 2001, a opção da autarquia suscitou desde logo forte contestação. O modelo proposto anulava radicalmente a configuração do espaço, em calçada portuguesa, datado de 1940. No seu lugar iria surgir um pavimento em lajes de mármore de Trigaches com um metro de lado e uma espessura de cinco centímetros. Decorridos 13 anos, das 1600 lajes de mármore que formam o pavimento, foram partidas pelo rodado das viaturas quase 300.

Pinto Leite, à época coordenador do Programa Polis, reagindo, em dado momento, ao cepticismo dos críticos do projecto de reformulação da Praça da República, alegou ter sido “adoptada uma solução minimalista que evidencia a sua importância e contemporaneidade”.

Leia aqui o artigo de Carlos Dias no “Público”.

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5 Resposta a “Numa praça de Beja”

  1. bejense diz:

    Este artigo esquece um pormenor muito importante. É que das 300 lajes que estarão partidas, a maior parte foram provocadas pela demolição do depósito da água, uma teimosia de João Rocha que os bejenses tiveram que se sujeitar. As lajes que aparecem na fotografia foram literalmente esmagadas por toneladas de betão provenientes dessa demolição. Centenas de vezes foram pisadas por camiões vindos da Rua da Moeda. Já alguém pensou o que aconteceria se em vez de lajes de mármore estivesse calçada à portuguesa? Como é que estaria agora a praça?
    Quando começou a obra e as primeiras lajes foram partidas João Rocha disse que o empreiteiro ia pagar os estragos. E agora, quem vai pagar? A câmara, claro, ou seja, os impostos que nós pagamos.
    E o artigo não fala também nas lajes da rua Capitão João Francisco de Sousa quase todas destruídas pelos camiões da obra que se está a fazer no parque Vista Alegre e que vai ser uma aberração que os bejenses se vão dar conta daqui a uns meses quando acabar. Uma aberração da autoria de um arquitecto de Braga, para variar, como se na Câmara de Beja não houvessem técnicos que fizessem melhor do que aquilo, começando pelos materiais que estão a ser utilizados naqueles muros horriveis.

  2. atento diz:

    Na página do Facebook do jornal há quem dista o assunto a sério :

    Sebastian Ruiz É simples. Quando do contrato da empresa, deveria haver cláusulas de proteção do Estado. Que a empresa seria responsável por manutenção e garantia por no mínimo dez a vinte anos. E se não cumprisse a garantia ficaria banida de contratos públicos além de multa. Mas não é do interesse do poder público agir de modo correto, não?
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    Olavo Luís Santos isto
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    Luís Cabaça Provavelmente o problema n é da execução, mas da utilização, ou seja, os pavimentos são dimensionados tendo além consideração a sua utilização, assim, a base de um pavimento rodoviário não é a mesma de um pavimento pedonal, o problema é que por vezes pede-se um pavimento pedonal e depois autoriza-se a circulação de veículos por cima e aí não há nada a fazer.
    Hoje em dia mtas pessoas não gostam de ver pilaretes nos passeios, mas é a única forma de combater o estacionamento abusivo em cima dos passeios e assim proteger o pavimento
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    Sebastian Ruiz Quando há uma licitação de serviços, o poder público tem a obrigação de especificar detalhadamente o que necessita e o que, como e em qual prazo deva ser realizada. Quando da sua utilização, o profissional designado para projetar e especificar materiais de acordo com o uso estabelecido deve ser qualificado para responder o porque especificou tal uso e material. Ora, se a utilização do espaço não foi previsto de acordo como deveria ser alguém errou.

    Gabriel Sonhador A colocação desta pedra “obriga” a proibição de passagens de viaturas ou então a colocação de betão para o assentamento da mesma. Culpados quem permite a circulação de viaturas, responsáveis? como é possível responsabilizar seja quem for por tomada de decisões para o qual não tem competências!
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    Susana Calapez Tudo requer manutenção, nada é eterno. Se na altura tivessem optado pela calçada, neste momento estariam a ser criticados, pelos possíveis espaços sem paralelos, pelas “ondas” e “covas” que passaram a existir na calçada, devido às chuvas ao longo dos tempos. Se fossem placas de cimento, um dia haveriam também de partir. Haverá sempre críticas ao material utilizado, se Não Houver Manutenção, do mesmo.
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  3. pp diz:

    Facebook do Público :
    Pedro Pereira Era bom que na reportagem feita tivessem revelado a realidade do porquê estarem assim as ditas lages…… pois foi o actual executivo da Camara Municipal de Beja que o autorizou ao mandar passar uma grua daquelas grandes “levap” para as obras de demolição do deposito da agua, pois a 2 anos que circulam camions por cima da Praça da Republica, das referidas 300 lages partidas que se falam das 1600 existentes teriam meia dúzia delas partidas antes das obras, pois o transito fazia se só numa faixa/sentido.

  4. Valentim diz:

    Tendo sido projectada a área central para uma utilização pedonal, nunca poderia ter outro uso que não esse! Ainda por cima em mármore de Trigaches, que é como todos sabemos uma pedra com pouca resistência a cargas verticais!
    Há aqui dois problemas: um que tem que ver com a irresponsabilidade no usufruto e na gestão do espaço, e um outro, que se prende com alguma ignorância generalizada!
    Infelizmente, estas situações são mais comuns do que se possa pensar, num País em que não há grandes responsabilidades, nem visão amplamente consolidada, da causa pública! E esse foi porventura um dos grandes erros do Programa Polis – dinheiro a mais, e planificação a menos!…Brandos costumes, a que estamos habituados há muito!…O grau de exigência na aplicação dos dinheiros públicos aumentaria sobremaneira, se a responsabilidade aumentasse exponencialmente para quem promove e projecta as obras públicas neste País!…Aquilo a que se assiste, é um cenário geralmente desolador (salvo raras excepções)…PORRA PARA ISTO

  5. Beja à mercê diz:

    Alguém devia fazer as contas aos prejuízos acumulados com a decisão do JR de demolir o depósito da água: custo da demolição, custo das obras de recuperação dos estragos provocados pelas máquinas na Praça da República, custos do atraso na obra do Centro de (Artes) (e) Arqueologia e Museu Vivo, custos decorrentes das faltas de água por falta do depósito, etc
    Resultado final: milhares de euros gastos apenas para destruir! Não haveria melhor destino a dar a esse dinheiro numa cidade e concelho com tanta gente carenciada?

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