Nov 18 2016

Beja – Falta de acolhimento

Publicado por as 19:29 em A minha cidade

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foto: joão espinho

No Diário do Alentejo, carta de um leitor:

“Senhor diretor, uma investigação jornalística levada a cabo pelo “Diário do Alentejo” referiu que a primeira escolha para a instalação da Embraer foi Beja, mas devido à falta de acolhimento local a empresa optou por Évora, que lhe deu todas as condições e garantias de sucesso do empreendimento, o que hoje está à vista de toda a gente.

Esta falta de acolhimento em Beja não é de agora.
Infelizmente na nossa terra há muito tempo que se enraizaram expressões como “isso não é tão simples como parece”, “não sei, logo se vê”, “ainda não estão reunidas as condições para uma coisa dessas”, “mas é claro que estamos interessados”, “vamos pensar”, etc. A pensar morreu o burro e com ele o desenvolvimento de Beja. Recordo que nos idos de 1960, três indústrias (nesse tempo não se dizia empreendedores ou empresários) mostraram interesse em construir em Beja outras tantas fábricas. Destas três, apenas uma foi avante. A sua vida não foi longa, acabando numa oficina de recauchutagem e venda de pneus. Disse-se na altura que a inviabilização destes projectos foi devida à pressão dos grandes lavradores da região (nesse tempo não se podia dizer latifundiários) que receavam perder para as fábricas a abundante e barata mão-de-obra, encarecendo a que restasse.
Há ainda outra falta de acolhimento local, mas esta de índole cultural e estética que não envolve grandes verbas, mas apenas vontade política. Permito-me lembrar alguns factos:

1.º Beja perdeu um museu particular a favor de uma cidade algarvia e está em vias de perder o valioso espólio agrícola que se destinava a um museu rural a construir na cidade;
2.º Até quando continuará “provisoriamente” escondido num recanto de jardim o padrão que foi retirado da Praça do Ultramar para dar lugar ao ex-futuro monumento de homenagem aos nossos bombeiros?
3.º Proponho à Câmara que traslade para a pequena rotunda junto do quartel o obelisco referente ao assalto ao RI3 que estava na ex-avenida Miguel Fernandes antes da mesma ter sido transformada em fonte de rio seco;
4.º Finalmente proponho à Associação de Comércio, Serviços e Turismo de Beja que retire alguns euros da conta de que é titular e a destine a uma miragem que dá pelo nome de monumento aos combatentes do concelho na guerra colonial como quase todas as vilas e algumas aldeias têm. O preconceito ainda tem muita força.”

João Guerreiro Mestre – Beja

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10 Resposta a “Beja – Falta de acolhimento”

  1. Paulo Nascimetno diz:

    Discordo com o Monumento aos combatentes.

    Deveríamos ter um museu das vitimas da guerra, seja elas os jovens que sob ameaça de prisão e execução foram mandados combater em nome dos interesses de cobardes ou lunáticos.

    Um monumento que recorde os civis assassinados por mercenários e jovens recrutados sob ameaça (forças armadas) nas terras onde se travaram lutas de interesses particulares.

    um monumento que recorde as famílias que perderam filhos , maridos , pais por causa de doutos iluminados e interesseiros.

    um monumento que recorde aqueles que lutaram corajosamente contra os mesmos cobardes que os queriam mandar para a morte. desertores que se juntaram ás guerrilhas independentistas.

    e por ultimo, discordando com o monumento dos combatentes e concordando com o monumento das vitimas da guerra. acho que deveria haver outro monumento aos mais corajosos de todos…. os refractários, que se recusaram a vestir uma farda, que não fugiram e enfrentaram cara a cara os recrutadores e mandara-nos a um sitio que cá sabemos.

  2. hpalma diz:

    Fala-se que a Tesla quer fazer uma fabrica na Europa , onde Portugal está incluido. Em alguns foruns que não têm a ver com Beja ou mesmo o Alentejo, fala-se na hipotese Beja (http://caldeiraodebolsa.jornaldenegocios.pt/viewtopic.php?f=3&t=85215).

    Será esta uma possibilidade viável para a nossa região? Teremos cá pessoas com capacidade/vontade para explorar esta opção?
    De facto Beja, não tem qualquer capacidade de acolhimento de empresas pois não preparou infra-estruturas para tal. À quantos anos ouço falar num tal Parque Industrial II que não passa de um terreno cheio de mato?
    Recordo-me de à uns anos atrás atravessar a zona industrial em Évora e aquilo eram dezenas de arruamentos vazios . Pensava eu o que iria sair dali e achava a sua dimensão exagerada… Está hoje à vista o resultado ! Uma empresa chega e instala-se. Em Beja, uma empresa chega .. e vai embora porque não pode esperar por PDMs, licenciamentos, obras de infraestruturas, etc, etc..

  3. ATENTO diz:

    Paulo Nascimento, discorda por discordar.

    Não tem idade nem experiência para falar sobre assuntos desta natureza. Não sentiu na pele nem foi posto à prova, para tomar as decisões que agora diz ou julga, serem as certas. Nestas circunstâncias, o melhor é estar calado.

    Não se defende aqui a eventual construção de um monumento, seja ao que for. Defende-se a dignidade de uma muito numerosa geração sacrificada, que continua a ser vilipendiada e que, com cabeças jovens a pensar assim o continuará a ser.

    Àqueles que não “alinharam” por deserção ou outros motivos, tem que se lhes reconhecer, a alguns, a sua coragem; a outros, a sua ousadia; a outros ainda, a sua cobardia. Todos juntos, fazemos o todo nacional e, se o respeito pelas opções de cada um imperar, teremos a serenidade de que tanto necessitamos para progredir.

    Sempre no respeito de todos.

  4. J.J. diz:

    Não se deve ter uma atitude derrotista, apesar do que de errado até agora se fez. Assim como não pense que tudo se irá resolver desde que seja apeado um qualquer presidente de câmara ou um partido qualquer. Deve-se é ter uma atitude positiva, aprender com os erros cometidos e eleger para os lugares chave quer dos partidos locais, quer dos organismos representativos e sobretudo dos centros de decisão, as pessoas mais competentes e com serviço de missão.
    Pois enquanto forem para esses lugares apenas os comissários políticos/boys, nada haverá a fazer.
    Por exemplo, conhecem alguém quer do executivo camarário quer da oposição que não tenha concordado com o facto de não se ter apoiado a vinda da Embraer para Beja?

  5. PL. diz:

    Pedro do carmo na edia

  6. João Espinho diz:

    @pl – e abandona a AR?

  7. jv diz:

    Parece que os candidatos são muitos mas a pessoa já está escolhida. Finalmente alguém de beja na frente da empresa

  8. João Espinho diz:

    Mas vai mudar o CA da EDIA?

  9. Pastorinho diz:

    E para as Águas Públicas do Alentejo, parece que vai haver também novo candidato para Director.

  10. PL. diz:

    @ pastorinha- como assim! Não vejo a relação? De Mértola?

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