Jul 24 2016

BEJA – rupturas da rede pública de água

Publicado por as 10:04 em A minha cidade

CANOS DE ÁGUA

No jornal Público:

    “As perdas de água no sistema a abastecimento rondam os 30%. Opções do passado na instalação dos ramais criaram problemas que dificilmente serão superados na próxima década.

O período estival está a revelar-se crítico no que diz respeito à capacidade de resposta da Empresa Municipal de Águas e Saneamento (EMAS) da Câmara de Beja em acudir ao aumento crescente de rupturas na rede pública de abastecimento de água. As perdas de água “rondam os 30%”, admite o vereador Manuel de Oliveira, responsável pelo pelouro do Ambiente e Serviços Urbanos.

Há artérias na cidade de Beja onde as perdas de água são quase diárias e por vezes a ruptura acontece a poucos metros ou até centímetros de situações anteriores. Noutros casos, assiste-se a escorrências de água durante semanas sem que os serviços municipais intervenham.

O PÚBLICO questionou Manuel de Oliveira sobre as causas que poderão estar associadas a esta situação anómala. O autarca reconheceu que o número de ocorrências obriga a priorizar intervenções dada a “incapacidade operacional” dos serviços da EMAS para intervir em todas as rupturas na rede pública de água que se registam diariamente.

Há ruas que já registaram dezenas de rupturas ao longo dos últimos três meses e estas continuam. “Arranjam uma e a conduta rompe outra vez mais adiante nas horas seguintes”, assinala uma moradora na rua dos Açores. Em boa parte dos casos, o débito de água é elevado e persiste durante dias e até semanas. A frequência com que ocorre este tipo de eventos não permite uma intervenção imediata, até porque os recursos humanos e os equipamentos municipais se revelam escassos para intervir dado o número crescente de casos.

Manuel de Oliveira assume o mal-estar que esta situação lhe provoca, garantindo que os serviços da autarquia estão a trabalhar na sua máxima força. A causa das coisas está na maior parte dos casos associada a “uma herança do passado” frisando que, nalguns casos, foram tomadas decisões na instalação de ramais da rede pública de abastecimento de água que vieram a revelar-se “desadequadas”, assume o autarca.

Recentemente a autarquia investiu quase 40 mil euros na remodelação do ramal que abastece de água as moradias da rua Fernando Namora, uma urbanização que foi iniciada há cerca de 15 anos, e nas proximidades desta artéria prosseguem os trabalhos de remodelação das redes de água e de águas pluviais em cinco artérias, que implicam um investimento de 186 mil euros.

Por outro lado, subsistem canalizações no centro histórico da cidade com dezenas de anos e que não apresentam a frequência de rupturas que se observam nas zonas novas da cidade.

Rui Marreiros, vereador do PS e que foi administrador delegado da EMAS no anterior mandato autárquico (PS), lamenta que o actual executivo (CDU) “tenha abandonado o programa de intervenção na rede pública” que recebera dos seus antecessores, frisando que a dimensão dos problemas que se foram acumulando ao longo dos anos é tal, que “provavelmente não poderão ser solucionados, nos próximos dois mandatos”.

As famílias residentes nas zonas mais afectadas pela frequência de rupturas queixam-se das consequências nos esquentadores e nas máquinas de lavar roupa e loiça. Francisca Carrasco disse ao PÚBLICO que já mudou de esquentador duas vezes no prazo de meia dúzia de anos, queixando-se ainda da baixa pressão da água e dos cortes frequentes, que a obrigam a manter as torneiras abertas para purgar a água barrenta. “E depois quem paga sou eu”, protesta.

Acrescem ainda as situações em que a população é prendada com água a cheirar a terra e a mofo. O melhor exemplo de que as coisas não estão bem está na decisão da empresa Águas Públicas do Alentejo (APdA) que vai ter de realizar um investimento de quase 5 milhões de euros na remodelação da Estação de Tratamento de Água que está instalada junto à albufeira do Roxo de onde é captada a água que a população de Beja e Aljustrel consomem.

Apesar das garantias dadas pela APdA quanto aos parâmetros que suportam uma “boa qualidade” da água da rede pública, boa parte dos moradores bebe água engarrafada dadas as situações anómalas que continuam a afectar a água da rede pública de Beja.”

Carlos Dias 22/7/2016

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4 Resposta a “BEJA – rupturas da rede pública de água”

  1. atento diz:

    Este vereador vai levar nas orelhas. Já não é a primeira vez que o boss JR o trata a ele e aos outros abaixo de cão. Agora o homem dizer a verdade reconhecer que a emas é mal dirigida e não dá conta do recado e que compra máquinas para fazer alcatrão por 300 mil e que não se vê nada, é sinal que em 2017 vai de patins ou de skate como o boss fez em Serpa a tantos vereadores. Um mandato e rua, nem aqueciam o lugar e quando quisesse até lá punha vereadores do PSD.

  2. Rui Marreiros diz:

    Tal como tive oportunidade de referir e sublinhar na última reunião de câmara, lamento que opções técnicas do passado, devidamente sustentadas e validadas, tenham sido preteridas por critérios dúbios e politiqueiros, tentando transformar verdadeiras intervenções necessárias em obrinhas políticas.

    Os sistemas de abastecimento de água e as redes de águas que os suportam fazem parte de um esquema de continuidade em que todas as componentes estão ligadas entre si, não podendo ser intervencionadas de forma casuística, aleatória, devendo por isso observar um plano geral e global de intervenção.

    Esse plano foi feito em 2009/2010 e implementado a partir da aí até 2013, ano em que foi posto na gaveta e trocado por pagamentos de passagem de ano (essencialmente foguetório), compras de peças de sucata disfarçadas de máquinas de fazer asfalto (os buracos crescem a cada dia) e derrubes e demolições para apagar do mapa novos projetos com marca positiva para o futuro.

    Uma palavra de apreço para quase todos os colaboradores da EMAS e da Câmara Municipal de Beja que diariamente são confrontados com estas e outras más decisões políticas que por dever de zelo e profissionalismo executam como é seu dever.

    Nesta como em muitas muitas outras questões que nos afetam a todos, é hora de trazer a público os problemas e confrontar os seus responsáveis. É hora de sair da sombra, arregaçar as mangas, dar a cara e assumir posturas e lideranças capazes de fazer a mudança e de fazer a diferença.

    Sejam lideranças políticas (de todos os quadrantes), que se esperam fortes, robustas, consistentes, experientes e aglutinadoras, movimentos de cidadãos ou grupos emanados da sociedade civil, está na hora de defender os interesses da nossa cidade e da nossa região, os nossos interesses.

    Não outros interesses quaisquer, que não compreendemos, que não nos servem, exatamente por não serem verdadeiramente os nossos interesses!

    São outros interesses seguramente, de alguém sim, mas não os nossos, os dos Bejenses e dos Baixo Alentejanos.

    Rui Marreiros (texto tb partilhado na minha página pessoal do Facebook)

  3. patria diz:

    Ora agora é que se começa a compreender porque foi comprada a máquina de asfalto … para remendar os tubos !

  4. eu diz:

    Afinal o deposito fazia falta, isto só com bombas vai ao ar…

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