Fev 19 2016

Pântano

Publicado por as 10:09 em A minha cidade

comboio

O editorial de Paulo Barriga no Diário do Alentejo:

“Não há uma segunda oportunidade para causar uma boa primeira impressão”. São conhecidas diferentes variantes e distintas paternidades para esta expressão. Mas é a António Guterres que a maioria das pessoas que costuma frequentar Portugal atribui a sua comovente autoria. E, na verdade, no início do seu segundo mandato, não muito antes de se ter raspado e de ter deixado o País de tanga (a interpretação é de Barroso), António Guterres empregou este precioso naco de filosofia para ensinar aos seus ministros que é no início da governança que se mostra às pessoas ao que se vem e a bondade daquilo que se traz. Nem por mero acaso, António Costa era dos que se encontrava entre os educandos de Guterres. O que lá vai, lá vai. E eis que Costa, sem saber ler nem escrever, mas com grande desembaraço no contar pelos dedos, chega a primeiro-ministro de Portugal. Logo, é-lhe dada a primeira oportunidade de causar uma boa primeira impressão. Como lhe coreu? Correu-lhe mal. Muito mal mesmo. Pelo menos no que toca ao Baixo Alentejo. Em apenas 15 dias de um fevereiro que ficará glorificado e gravado a negro na história trágico-política da região, António Costa (atenção, não perder de vista o Capoulas) veio a Évora assinar o contrato de instalação de mais uma fábrica de componentes metálicos aeronáuticos e não teve até hoje uma única palavra sobre o aeroporto de Beja. Mandou o ministro da Agricultura (bem vos disse para não o perder de vista) lançar o pânico sobre as finanças da empresa que desenvolve o projeto do Alqueva, que é a forma mais manhosa de dizer que o empreendimento vai ficar por aqui e ponto final. Instigou o ministro das estradas a vir a Beja dizer qua não havia dinheiro para o IP2 nem para o IP8. E, imagine-se, apresentou um plano de investimentos ferroviários para serem incrementados até 2020, no qual se exclui com total descaramento a eletrificação da linha entre Beja e Casa Branca e muito menos se inclui a revitalização da linha interior para o Algarve. É mau de mais para o ser, mas é a verdade. E António Costa ainda nem anunciou, como certamente o mandará fazer em breve, a redução de valências no Hospital de Beja em função da construção de um novo hospital central em Évora. Caso se atribua um nadinha de valor, mesmo pouco que seja, às palavras de António Guterres, no que toca ao distrito de Beja, entre todos eles, este foi o Governo que pior primeira impressão até hoje causou. Quando Guterres quis bazar olhou para trás e disse: “Faço-o para que o País não caia num pântano político”. Pois é nisso mesmo que os seus seguidores de então (que são os mesmos de agora) parece estarem metidos ou a caminho. Do atoleiro.

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22 Resposta a “Pântano”

  1. CC diz:

    Também tu Paulo Barriga me tinhas causado boa impressão e agora só te vejo bandear da esquerda à direita nos teus artigos de opinião, o que já originou eu deixar de comprar o Diário do Alentejo e não sou o único, deves sentir isso nas tiragens e devoluções.

    Como desejas tu fazer tudo num só ano ?

    O mandato tem 4 orçamentos e queres logo tudo feito no 1º ?

    Dá tempo ao tempo e verificarás que algumas das citadas obras se farão no Baixo Alentejo e fica-te mal ser tão populista e demagogo !

    Sugiro que faças um artigo de opinião a explicar como farias e que soluções aplicarias para a resolução dos problemas enumerados, aguardo.

  2. João Espinho diz:

    @CC – o Costa sabe onde fica Beja? Ou só conhece o caminho para Odemira? Não defendas o indefensável. Quanto ao editorial do PB, é pena tão poucos se sentirem incomodados com o que lá se escreve.

  3. Virgulino diz:

    Pois é, parece que não temos um bom “embaixador”…

  4. João Espinho diz:

    @virgulino – nem bom nem mau. Não temos! 🙂

  5. clemente diz:

    Gosto deste director do jornal de Beja. O tipo é bom e do melhor. Uma vez é comuna, outras é boxexas, outras é facho. Não dão conta dele é o que está à vista, seus palermas.

  6. João Espinho diz:

    @clemente – exacto 🙂

  7. Américo diz:

    Só tenho a dizer que fez bullseye.
    Infelizmente para nós, baixo-alentejanos.

  8. João Espinho diz:

    He did it! 🙂

  9. casa do campo diz:

    está barulhento como tudo o silêncio da malta do pc e do be está a fazer em relação a este assunto.

  10. Rochinhas e rochetes diz:

    @ casa de campo. Para ja nao falar da malta do PS do Baixo Alentejo…que voz politica nos resta para lutar pelo BA?
    Será q o deputado Pedro vai cumprir o que prometeu na campanha?

  11. matrix diz:

    @rochinhas — Pedro do Carmo entrou num completo autismo relativamente ao que tinha defendido em relação ao Baixo-Alentejo.

  12. João Espinho diz:

    Desculpem-me lá, mas o que é que Pedro prometeu, para além do reforço de bolotas dadas ao porco preto? Ponham lá aqui o link com o programa do sr. Pedro para o Baixo-Alentejo.

  13. JJ diz:

    E só agora é que deram por isto tudo?
    Curioso.
    Onde é que então andam então aqueles que por aqui diziam que preferiam antes a Praça do Geraldo ao Terreiro do Paço?
    E não eram poucos.

    Santa ingénuidade.
    E agora, que fazer?
    Bater palmas ao Pedro do Carmo e sus muchacos?

  14. João Espinho diz:

    @jj – não percebi

  15. JJ diz:

    J.E.: Alguém do PS do distrito deve ter a obrigação de falar no que se estará a passar neste momento no Baixo-Alentejo, embora tudo isto já venha bem de trás e não haja inocentes.
    E quem melhor do que Pedro do Carmo e colaboradores, sempre ávidos a reivindicar todos os louros do que aparece feito, a assumir as responsabilidades do que este governo está a fazer aos baixoalentejanos.
    Daí que ainda bem que Paulo Barriga finalmente dá um pontapé no politicamente correto de alguns dos nossos mais representaivos politicos locais, que parece estarem sempre a assobiar para o lado quando se fala deste tema.

  16. carla carla diz:

    @JJ Deus queira que o democrata Rocha não dê também um pontapé de saída ao jornalista que deu o tal pontapé de saída…

  17. craca diz:

    Ora bem, Paulo Barriga, para mim é pouco mais do que ignorante. Fala e escreve do que não sabe e, sobretudo, omite tudo aquilo que sabe e que até é público. Mas o que é que isso importa? Nada. São pormenores que o frustrado escriba entende poderem estragar a sua prosa e o seu arroto dialéctico. São pentelhos desnecessários ao esclarecimento e à informação. Referir a verdade iria estragar a retórica do sofista. Uma chatice absolutamente desnecessária à imagem de um pseudo pensador pseudo independente. Como aqui se costuma escrever, não Beja, mas o Baixo-Alentejo merece uma porcaria de pensador assim.

  18. João Espinho diz:

    @craca – você é um verdadeiro pentelho (bras.)

  19. Augusto Lira diz:

    @ CRACA . Eu não concordo mas o Paulo Barriga até podia ser assim como você diz mas há uma coisa que se tem de tirar o chapéu, não anda escondido e dá a cara por o que pensa. O CRACA não tem a coragem de fazer o mesmo que ele e por isso as suas palavras são de má língua e não tem valor nenhum.

  20. João Espinho diz:

    @lira – exacto!

  21. Polainas diz:

    @Espinho, já você é mais o parasita conhecido como piolho-da-púbis. Exprimir uma opinião diferente do proprietário do blog não dá o direito à ofensa deste para com os outros, bem pelo contrário, está antes a conferir ao outro o direito de se exprimir do mesmo modo. Mas como diz o ditado, “faz o que eu te digo, não faças o que eu faço”. Para que melhor compreenda o que lhe quero dizer, você é um acérrimo crítico do pensamento único, mas aqui gosta de responder aos comentários dissonantes do seu aplicando a máxima desse pensamento único. Bastar-lhe-ia afirmar que pensa radicalmente diferente de mim. Ou que sou mais ignorante que o visado no meu comentário. Ou até mesmo que sou, também eu, um pseudo pensador (não, não sou independente). Ou então, factualmente, desmontar o meu argumentário. Mas isso era exigir-lhe muito.

    @Lira, em Democracia dizer-se o que se pensa não obriga a dar a cara. Aliás, Augusto Lira até pode ser um pseudónimo e dar-se o caso de ser o próprio visado no meu texto. Mesmo que eu aqui escrevesse o meu verdadeiro nome, o que não faço por opção própria e direito que me assiste, tal não daria, contrariamente ao que você infere, maior valor ao pensamento ou à opinião expressa. Respeito que pense de forma diferente. Mas mesmo não sabendo se Augusto Lira é o seu verdadeiro nome, não procurarei desvalorizar o seu pensamento.

  22. Augusto Lira diz:

    @ POLAINAS E CRACAS, continuo a achar que não está bem ofender dessa maneira pessoas que dão a cara abertamente por outras, como é o seu caso, que vão pelo anonimato. Ofende os outros e depois esconde-se? Isso não é correcto.

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