Jan 26 2016

Quem paga?

Publicado por as 14:52 em presidenciais 2016

paulo morais

Vítima dos seus maus resultados eleitorais, Paulo de Morais, o candidato presidencial que centrou o seu discurso no combate à corrupção, não conseguiu obter os 5% de votos necessários para pagar a campanha eleitoral com apoios do Estado (teve apenas 2,15%). Vai daí, deixou um apelo na sua página do Facebook, pedindo apoio financeiro sob a forma de donativos.
Sobre este assunto escreve Sérgio de Almeida Correia:

    “(…) e só estranhei que no pedido que fez não tivesse logo avisado os potenciais doadores de que irá recusar todos os donativos que possam vir de pessoas singulares ou colectivas que estivessem na disposição de ajudar mas que andaram a ganhar a vida emitindo pareceres, foram ou são deputados ao serviço dos grandes interesses empresariais, advogados que trabalham em grandes escritórios, gestores e administradores de empresas com grandes negociatas com o Estado, de gente que trabalhe ou tenha trabalhado para o BES, para o BPN, para o lobby dos construtores, da banca, dos laboratórios médicos, dos manuais escolares, das farmácias, das autarquias, e por aí fora. Isso teria sido coerente e consequente com o que antes defendeu.”
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2 Resposta a “Quem paga?”

  1. Hugo Rego diz:

    No geral, até poderia concordar com a opinião do articulista, ela acaba por resvalar por um conjunto de considerações que têm mais de pessoal do que de objectivo.
    Se concordo que Paulo Morais poderia ter sido mais cauteloso no que concerne ao financiamento da sua campanha, não me parece que fosse necessário colocar ressalvas às fontes de financiamento porque convenhamos, bem ou mal, ele personificou o combate à corrupção e ao tráfico de influências, logo, seria uma redundância salientar tal salvaguarda (não me parece que o cidadão que se enquadre nas excepções referidas vá a correr ao banco).
    Por outro lado, muito dificilmente se poderá assumir um papel de combate frontal à corrupção sem se adquirir protagonismo, goste-se ou não. Até porque criticar egos quando tal é uma característica quase transversal no cenário político não deixa de ser curioso.
    Se o resultado foi miserável (merecia considerações sobre a coisa), não é verdade que ele “acabou a pedir dinheiro aos contribuintes” mas sim a simpatizantes da sua causa e apoiantes da sua campanha. O que é bastante diferente, diga-se de passagem.
    Como alguém já fez as contas, veremos se pelo menos os eleitores que votaram em Paulo Morais estarão dispostos a desembolsar 0,40€ ou se, como é costume, a vontade de alguma “mudança” se resume a desenhar uma cruz no anonimato…

  2. Snoopy diz:

    O mais populista dos 10 candidatos que concorreram. Daqueles que generalizam «sound bytes» que normalmente as pessoas gostam de ouvir e que reduzem a democracia a nada.
    Teve o resultado que mereceu (como de resto todos os restantes candidatos), felizmente pouco e atrás de Tino de Rans, e agora arranje dinheiro.
    Se cada um dos seus 100.000 eleitores der um pouquinho não terá dificuldades em refazer as suas continhas.

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