Out 23 2015

Reservatório de água – uma opinião

Publicado por as 10:30 em A minha cidade

reservatório
foto: Arquivo Municipal de Beja

Ainda o reservatório de água da Praça da República em Beja

Há muito que as novas concepções contemporâneas de património cultural valorizam os objectos”desclassificados” do quotidiano. Já não são apenas os monumentos arquitectónicos ou arqueológicos a terem interesse e a serem protegidos. Tudo o que o Homem toca com o olhar e a que a sua vista se habitua faz parte do seu património, assim como tudo o que produz. A questão da água, ligada à arqueologia industrial e às técnicas do seu armazenamento e distribuição sempre foram caras ao Homem, sendo permanente o seu estudo e a procura de inovação, rentabilidade e economia.
Pelo nosso país saltam à vista dezenas de reservatórios de água, uns mais belos do que outros, uns mais altos do que outros, marcando a paisagem como uma referencia das nossas necessidades e das soluções que encontrámos. É um conjunto lindíssimo a que Beja não quer pertencer. Se Beja demolir o seu reservatório de água, perde a cidade e perde o país, perdemos todos nós. Beja ficará mais pobre.

Ninguém gosta mais (julgamos que já o provámos) das estruturas romanas de PAX IVLIA e da história de Beja, do que nós, quando muito, gostará o mesmo. Porém, tal estima, aliada ao que de melhor pudesse aparecer sob o reservatório de água, não justifica a demolição, em tempo de paz, de uma construção pública que é única e que também pela sua grandeza nos pode servir, no “sky line” da cidade, como ponto de localização do fórum romano.
O reservatório ao ser conservado é um farol que ilumina não só as ruínas espectrais da antiguidade bejense como atrai o visitante a um dos lugares mais espectaculares da cidade.
Há muito que o bejense se habituou a tocar com o olhar aquilo que lhe pertence, que lhe é próprio e propriedade sua.

    É o nosso depósito de água, é a nossa torre de menagem, o nosso jardim e, claro, a nossa câmara e, obviamente, o nosso presidente.

São pertença nossa, para nos ouvirem e servirem da melhor maneira.
O Reservatório de Água de Beja é uma manifestação cultural do Homem, é um acrescento à Natureza, o preenchimento de uma lacuna, faz parte da História, da Ciência e da Técnica, da Política e da Economia, de toda a Sociedade. É um valor estruturante que Beja merece.
Leonel Borrela

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4 Resposta a “Reservatório de água – uma opinião”

  1. Júlio César diz:

    Já li a opinião do Diário do Alentejo sobre o assunto. É o oposto desta.

  2. João Espinho diz:

    @júlio – felizmente que não temos todos a mesma opinião.

  3. Júlio César diz:

    @João Espinho – Em boa verdade, acho que estou entre os dois caminhos. Ainda não me decidi!

  4. ATENTO diz:

    Parece-me haver muita clarividência no que expõe Leonel Borrela. Se os valores arqueológicos são importantes, os valores modernos (que um dia serão arqueológicos) também o são. Não esqueçamos a grande burrice lisboeta que, para satisfazer interesses especulativos imobiliários, destruiu um vastíssimo património artístico, por exemplo, na Avenida da República e não só.
    Recupere-se o reservatório, valorize-se no interesse da Cidade. No fim de contas, o que se espera encontrar sob os seus alicerces? Tudo o que porventura e de interesse lá pudesse existir, foi destruído aquando da sua construção. Demoli-lo hoje, é um erro tão grande quanto foi, à época, construí-lo e nós não devemos repetir os erros mas tirar deles as lições que se impõem.

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