Out 16 2015

Beja de marcha-atrás

Publicado por as 11:30 em A minha cidade

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foto: sitemeter, Lda.

Transcrevo “Carta ao Director” publicada no Diário do Alentejo)

“… De marcha-atrás…
María de Lourdes Naía Beja

Tinha decidido decisivamente não voltar a enviar qualquer outra carta para o “Diário
do Alentejo”, falando da mágoa com que via a minha terra sem futuro, sem dinâmica, importância, perdendo-se cada vez mais na solidão deste Baixo Alentejo esquecido.
Contudo, porque afinal as palavras que anteriormente escrevi se têm verificado como verdades irrefutáveis, e não como suposições negativas, como muitos “alguéns” as despreciaram, volto a escrever num grito angustiado de adeus à terra onde nasci mas
com a qual não me identifico.
“Devagar, devagarinho de marcha atrás” não faz parte dos meus ideais, mas dá razão ao que muitas vezes ouvi de colegas e amigos:
Parto convicta que afinal não posso fazer nada, nem sequer despertar consciências.
Na sequência do que afirmei sobre o aeroporto de Beja, transcrevo com a devida vénia, uns parágrafos elucidativos do “Expresso-Economia” no artigo “Portela + Montijo = 72 movimentos por hora”, da jornalista Margarida Fiúza.
– “A administração do Porto de Lisboa (APL), chegou a ser sondada sobre a criação de uma ligação fluvial e o presidente da Câmara do Montijo, Nuno Canta, tem defendido que para adaptar a base do Montijo a aeroporto civil será preciso uma nova ligação
da Ponte Vasco da Gama”, ou seja, força-se um investimento e esqueça-se o que se investiu em Beja no aeroporto e projeto turístico do Alqueva. Mas continuando a transcrição do “Expresso-Economia” – “A informação que temos e com base na proposta que a ANA nos fez chegar, e que tem de ser construída num clima de consenso com os municípios de Lisboa e Montijo, é que o somatório da capacidade da Portela com as operações que teremos no Montijo nos permite riscarmos completamente a necessidade de um novo aeroporto durante a vida deste contrato de concessão, ou seja nos próximos 50 anos.” Certo, os tais 50 anos que impedirão os nossos “pobres bisnetos” de condições dignas e desenvolvidas de emprego e a alteração da vida e incremento da cidade de Beja.
Está pois decidido, o dito aeroporto de Beja será uma simples metáfora, mas a oficina sucateira uma realidade.
Que posições tomaram os responsáveis autárquicos?
O sr. presidente da câmara ignorou o meu pedido para lhe mostrar os dossiers que organizei e nem delicadamente me encaminhou para o gabinete de economia, já que a sua formação é de engenharia civil.
Confirma-se o “devagar, devagarinho de marcha atrás” com que os alentejanos são classificados … perdão por momentos esqueci que o sr. presidente não é alentejano e logicamente a planície das searas ondulantes nada lhe dirá.
Aliás, segundo informação recente de Serpa (local da última presidência), o débito camarário foi de molde ao dono de uma drogaria colocar um cartaz bem visível na porta, onde afirma: “À câmara nem mais um parafuso venderei, enquanto não honrar a dívida que me deixara”.
É assim para a maior e pungente desgosto … os alentejanos já nem em si confiam e dão o seu destino a quem nem no Alentejo nasceu.
Aos domingos Beja é uma cidade triste, vazia, uma recatada aldeola. Até na assistência médica Beja é posta em 2.° plano, qualquer utente da Segurança Social que precise de tratamento dentário, tem de ir a Évora. Para onde vai Beja? Infelizmente a minha pergunta no artigo de 2 de agosto de 2014, “Vamos deixar morrer Beja?” tem mesmo a resposta no tanger dos sinos da Igreja do Carmo: “Bejenses não perguntem por quem os sinos dobram, eles dobram por Beja”

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2 Resposta a “Beja de marcha-atrás”

  1. bejense diz:

    O grande problema de Beja neste momento é a falta de discussão dos problemas e das soluções. Instalou-se na cidade um estilo de governo centrado numa pessoa, à volta da qual giram os apaniguados e os oportunistas de várias cores e ideologias. É preciso é que o dinheiro e os favores circulem. E depois há a grande maioria silenciosa que vai deixando instalar-se o conformismo e o desânimo. E como não quer ter chatices, o melhor é calar e não levantar ondas. onde se incluem muitos trabalhadores da autarquia que estão descontentes mas não o podem manifestar senão eram mais uns para a prateleira. A própria oposição política à maioria parece que está manietada, sem propostas e com críticas que não chegam aos cidadãos.
    É triste mas é verdade, desde o 25 de Abril que não se assistia em Beja a uma página tão negra na democracia local.

  2. Jorge diz:

    Ninguém pode tirar o seu cavalinho da chuva e dizer que nada teve com o estado a que a cidade e esta região chegaram. Ou até dizer que outros houve ou há que têm ou tiveram mais responsabilidades.
    Não, todos sem excepção somos os únicos culpados de tal facto.
    Daí que não entenda esta ladainha do Rocha para aqui ou para acolá. Já que os problemas estruturais vêm de longe e bem longe.
    Há é que mudar e de vez de mentalidade, e em vez de nos colocarmos de fora, sejamos agentes activos no seu desenvolvimento. Porque tem potencialidades e estão a ser feitos investimentos para o efeito.
    Assim haja gente que tome iniciativas, ou que pelo menos contribue para as mesmas e que as ponha no terreno.

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