Jul 06 2015

Sobre o referendo na Grécia

Publicado por as 11:55 em Blogosfera

grécia

“Querida Caixa Geral de Depósitos,
Tem sido muito complicado pagar os empréstimos que eu pedi. Ontem, durante o jantar, falei do assunto com a família e sufraguei a coisa. Só o mais novo votou a favor do pagamento da dívida. A esmagadora maioria votou contra qualquer tipo de penhora sobre os bens que comprei com o vosso dinheiro. Posto isto espero que a vossa administração tenha em conta a votação lá de casa e se acalmem com essa coisa das cobranças. Afinal…somos uma democracia.

Cordialmente,
Rodrigo Moita de Deus

PS: Este mês estou um pouco apertado por causa das férias. Queiram por favor transferir algum para o NIB do costume. Obrigado.”

(daqui)

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5 Resposta a “Sobre o referendo na Grécia”

  1. Américo diz:

    Muito bom.
    E para todos os que argumentam que ganhou a democracia e rebebeu, fungágá, só tenho a dizer que também quero um referendo com uma pergunta igualmente inusitada, qualquer coisa do género: Concorda com o aumento dos seus impostos e reforço da colecta fiscal de modo a pagar e suportar o estilo de vida leviano dos Gregos?( que por sinal é superior ao seu).

  2. CC diz:

    Vejam bem o que as sondagens dos meios de comunicação nos davam na Grécia: Empate técnico com inclinação de vitória para o SIM.

    Contudo, o resultado final foi de 61% para o NÃO e 39% para o SIM, ou seja mais de 22% de diferença, e agora ninguém admite o erro grosseiro.

    Esta é a face de certos meios para atingir fins, cada vez mais duvido das sondagens não esquecendo o que recentemente também na mesma matéria se passou na Inglaterra, os fazedores de opinião e sondagens estão nas ruas da amargura na previsão e nos finalmente.

  3. Paulo Nascimento diz:

    Queridos bancos

    Gostaria que não considerassem o dinheiro das minhas poupanças como se fosse vosso, servindo como ativo no vosso sistema de reservas fraccionadas.

    A vossa falta de moral vai ao ponto de cobrarem juros por emprestarem o meu dinheiro a outros, coisa que eu não autorizo, mas que os governantes capitalistas permitem que vocês façam.

    Não confio em banqueiros para gerirem o dinheiro dos outros, tal como se têm provado ao longo da história, a ultima vez em 2008 quando andavam a gasta-lo em putas no casino e rebentaram com a economia.

    Os senhores não só são corruptos como não têm qualquer vergonha na cara, pediram aos estados que pagassem os vossos calotes. coisa que o bando de vigaristas que governam o mundo, rapidamente fizeram, COM O DINHEIRO DAS PENSÕES, DA SEGURANÇA SOCIAL, DA EDUCAÇÃO , DOS SISTEMAS DE SAUDE … ETC…

    Mas como os senhores não têm moral, depois acusaram os estados de gastarem acima das possibilidades, empurram os países que vos têm alimentado para a bancarrota, com agências de colaboracionistas de ratings e instituições como as da união europeia que em vez de ajudarem os povos, preferiram fazer os povos passar fome para salvar os bancos.

    E não me venham com merdas de poupanças da familia e que o estado deve ser gerido como uma familia ou uma mercearia, que isso só prova uma de duas coisas. ou não percebem nada de economia ou estão a tomarnos por parvos.

    Assim queridos Bancos. A vossa hora está a chegar, e não haverão cordas suficientes para vos enforcar a todos…

    Com carinho. PN

  4. Américo diz:

    @Paulo Nascimento
    Hipocrisia e demagogia esquerdista ao mais alto nível e esplendor.
    Então e quando os devedores deixam de pagar ás instituições bancárias, estas vão aos activos dos credores das mesmas instituições??? De certeza que não lhe fizeram nenhum haircut porque o “Zé da Esquina” deixou de pagar a prestação do carro, pois não?
    Além disso há uma solução para o seu problema, deixe de guardar o seu dinheiro no banco. Acabam-se os seus tormentos de alma. E a necessidade de debitar asneiras.

  5. Hugo Rego diz:

    Caro Rodrigo Moita de Deus, foi com bastante agrado que registamos a intenção de voto do seu rebento mais novo já que, de alguma forma, se está a conseguir incutir, nas futuras gerações, a ideia de que, aconteça o que acontecer, o contribuinte/cliente será sempre o eterno responsável.

    Sem sombra de dúvida, novo e ingénuo ao ponto de não entender que a casa onde vivem, cuja aquisição, se bem que vossa, foi fortemente condicionada pelos múltiplos serviços prestados pelo nosso sector. É verdade que graças ao termos ultrapassado as regras de boa gestão de análise de crédito, aliado ao facto de que Portugal não tinha (ainda não tem) um mercado de arrendamento maduro, com oferta substancial que oferecesse qualidade, conjugado com factores como termos empolado sistematicamente os valores de avaliação imobiliária, aliado a um financiamento absurdo a empresas de construção civil (que “ofereciam” um produto sem as chatices e burocracias de quem ousava lançar-se na aventura de querer construir a sua própria casa), com o beneplácito das entidades reguladoras e das autarquias, que assim, não só rentabilizaram os seus terrenos como também passaram a cobrar taxas cada vez mais elevadas (estamos certos que os entraves colocados ao licenciamento para construção a particulares não terá sido coincidência), levou a que os preços tenham duplicado em menos de 20 anos (em muitos casos, mais), contribuindo para o agravar das suas responsabilidades financeiras já que, sem sombra de dúvida, em muitos casos não restou outra solução para o comum dos mortais que não fosse a de aquisição de habitação.

    Também é verdade que em Portugal, e de forma concertada, todos os bancos concordaram em aplicar um modelo de pagamento baseado em amortização crescente, ou seja, nos primeiros 10 anos você pagaria quase apenas juros, garantindo, assim, os lucros que o banco, supostamente levaria 40 anos a obter, mas também que, caso alguma coisa corresse mal (como aparenta ser o caso), não só já temos os lucros garantidos como, ainda por cima, o seu imóvel continua, para todos os efeitos, a ser nosso, isto apesar de já ter sido efectuada uma pequena amortização ao longo destes anos só que, como deve saber, as nossas avaliações foram, entretanto, revistas em baixa, logo, não só o imóvel nos pertence como a sua presente dívida é superior ao valor “de mercado” do mesmo, por nós atribuído. Infelizmente (para si), estas são as “regras de mercado” mas, e para que não restem dúvidas, nós não estamos a esfol…, perdão, a prejudicá-lo e, para demonstrar isso mesmo, queremos, desde já, manifestar a nossa disponibilidade para renegociar novos prazos para a sua dívida, não esquecendo que, para tal, se aplica de raíz o tal sistema de amortização crescente (sim, terá que voltar a pagar juros na totalidade).

    Mais, no espírito da boa-vontade, até lhe propomos a contratualização de uma taxa de juro fixa (bastante superior à actual euribor) para o proteger de uma eventual e desagradável subida das taxas variáveis (se não descem é porque vão subir, certo ?), cenário para a qual nós até estamos dispostos a perder dinheiro apenas pelos seus lindos olhos.

    Espero que o seu jovem filho entenda que nós, enquanto instituição financeira, não somos e nem fomos responsáveis, individualmente, pela actual crise financeira global, crise essa que foi fruto de um conjunto de infelizes circunstâncias tais como a alavancagem desmedida dos mercados e activos financeiros, operações a descoberto, criação de activos financeiros complexos e re-alavancados, circulação de capitais por vários paraísos fiscais, lobbying com vista a uma crescente desregulação financeira, criação de veículos financeiros com carácter de shadow banking, cada vez menor delimitação entre banca comercial e banca de investimento (de especulação, dirão algumas más-línguas), sem esquecer dos regimes fiscais “amigos” da banca ou do financiamento partidário a programas que incentivassem o “investimento público”.

    Apesar desta crise ter sido despoletada, em elevado gráu, pelas questões supramencionadas, não é de mais reforçar que em nada tivemos a haver com esta situação. Nem nós, nem qualquer instituição financeira. Nós até somos apenas uma instituição que tem lutado pelo bem maior da sociedade. Veja-se o caso das Swaps. Foi bem intencionado! O nosso único desejo era proteger o cliente!!!

    O verdadeiro responsável é o “sistema” que necessita de “algumas correcções” para evitar futuras “surpresas” (há quem afirme que esta crise já estava devidamente sinalizada por uma entidade supranacional desde, pelo menos, 2002 mas, como pode compreender, não podemos dar crédito a tudo o que se diz).

    Infelizmente, tudo isto contribuiu para um agravar da carga fiscal, um despoletar de falências, um aumento fulgurante do desemprego em vários países, diminuição dos salários e massa salarial, e, em última análise, contribuiu para a sua perda de capacidade financeira para fazer face às despesas mas, e convém nunca esquecer, a responsabilidade foi, é e será sempre sua, porque como é óbvio, você foi totalmente livre de avaliar e tomar as decisões que o conduziram a esta situação (e é bom que você continue a ilud… perdão, a assumir essa convicção).

    Por último, e só para que não restem dúvidas do nosso altruísmo, a banca portuguesa até concordou em ceder o fundo de pensões da mesma ao Estado Português, num momento de grande aflição! Foram 6 mil milhões de euros! Não foi pouco! E o Estado, à conta disto, passou assumir uma despesa de apenas pouco mais de 500 milhões de euros anuais para os próximos 20 anos! Não faça contas… Não é necessário. Para isso estamos cá nós para as fazermos por si!

    Esperamos cá por si para conversarmos sobre como poderemos ajudá-lo ainda mais e traga o seu rebento mais novo: temos cá para ele uns caramelos de fruta fenomenais. Subscrevemo-nos com cordiais cumprimentos e até breve.

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