Nov 19 2014

Ainda o problema dos pombos

Publicado por as 13:04 em A minha cidade

pombos

Sobre o assunto, destaco comentário de leitor:

“O problema dos pombos nas cidades (aqui e por todo o lado) explica-se com facilidade. disponibilidade de alimento, disponibilidade de locais para a nidificação e segurança, ou seja, ausência de predadores. É assim durante a actual gestão comunista, foi assim durante a gestão do PS, e durante a gestão anterior, também. O pombo em questão é a forma doméstica do pombo das rochas, espécie que está praticamente extinta na sua forma pura (fenótipo original). O único local em Portugal onde existem pombos das rochas “puros” é a costa alentejana e vicentina. Porquê? Porque sempre que chega um pombo das rochas “formato doméstico” carregado de “genética doméstica” e que a voar parece um calhambeque, se comparado com os Ferraris residentes, um dos falcões peregrino que por lá vivem (será o local em Portugal com maior densidade de falcão peregrino), faz-lhe a folha. Simples. Onde o homem não intervém, a natureza encarrega-se de exigir excelência, aos que querem sobreviver. Na minha modesta opinião, um casal de falcão peregrino resolvia a questão. Existem locais adequados (torres) para a sua instalação e a experiência não seria inédita. Problema: A columbofilia. Estou capaz de apostar que o falcão prefere caçar um trôpego pombo das ruas quando este faz as sua incursão matinal ao comedouro, do que um musculado e com turbo, pombo de columbofilia. Porquê? Porque como ainda não existe Cáritas Diocesana nem Santa Casa da Misericórdia para os falcões, estes comem o que lhes dá menos trabalho a caçar. Se qualquer das formas também não meto as mãos no lume. Seguramente mais cedo ou mais tarde o tal borracho, filho de campeão e neto de campeã, vai voar pendurado. Nesse dia toda gente se vai esquecer que aquele falcão comeu 400 pombos num ano e vão querer crucificá-lo porque é a desgraça dos columbófilos. Já estou a ver a cara de alguns… “Este gajo é um lírico”. Envenena-se a bichesa e pronto. A estes sugiro que vejam os resultados das campanhas de controlo da população de gaivotas das Berlengas. Foi há 20 aos atrás e hoje existem 20 vezes mais. A reter: Comida, dormida e “casinha” com descanso para “fazer o amor” e para criar os frutos!”

Share

10 Resposta a “Ainda o problema dos pombos”

  1. castelo á vista diz:

    A culpa não é dos pombos, é das pombas, principalmente de Baleizão.

  2. CC diz:

    Uma óptima ideia, haja vontade política da concretizar.

  3. Rato dos Pomares diz:

    Nota prévia: Confesso que estou admirado. Um comentário que dá origem a um “post” e que gera um comentário em que não se chama chulo a fulano, corrupto a beltrano e lambe-botas a sicrano é motivo de orgulho.
    Voltando ao assunto. Não se trata só de vontade política CC. Há questões técnicas (de biologia e ecologia da espécie) que têm que ser acauteladas. E depois há a questão que faço questão de salientar: O conflito (que a medida podia gerar) com a actividade columbófila (columbofilia de competição).
    Mas que essas ratazanas com asas haviam de levar uma grande razia, não tenho quaisquer dúvidas. E os fotógrafos da cidade haviam de poder “encher” as respectivas objectivas.

  4. CC diz:

    Sem a informação técnica e porque sou amigo de vários columbófilos com os quais já falei sobre o assunto, a sugestão deles é que se poderiam criar com eles uma parceria informada de horários, se tal for possível, porque a campanha e treinos dos pombos correios só começa no início de 2015.
    Colocar as questões das partes nos dois pratos das balança e equilibrar as duas sensibilidades.

  5. Rato dos Pomares diz:

    CC Não há horários. A Ideia é libertar indivíduos que são criados com recurso a um processo que se denomina “hacking” e que consiste em linhas gerais em substituir os pais por um tratador (que as crias não vêem) que as alimenta no local que elas passarão a identificar como a sua casa e por conseguinte um sítio bom para poderem voltar para ali poderem criar. Imagine por exemplo um abrigo no alto dos silos da EPAC (que se calhar até nem é, “politicamente falando”, o melhor sítio porque logo ao lado e por baixo existem vários pombais). Durante meia dúzia de anos (eventualmente menos, se os resultados expectáveis se antecipassem), sistematicamente, criam-se três ou quatro crias por esse processo. Como há disponibilidade de alimento durante todo o ano (os ditos pombos e as primas rolas turcas) e porque não seriam expulsos do território pelos pais, seria provável que ficassem logo por aqui e iniciassem a tarefa que se espera deles. De qualquer das maneiras o falcão peregrino atingirá a maturidade sexual aos três anos e nessa altura haveria uma probabilidade elevada que um deles se estabelecesse no local (o tal local que ele reconhece como bom para criar ou não tivesse ele próprio sido ali criado) e recrutasse um parceiro de entre os outros camaradas 🙂 de criação, ou então uma ave oriunda de outros poisos em período de dispersão. Atenção: O Flacão peregrino é uma espécie protegida por legislação nacional transposta a partir de directivas comunitárias e o maneio de indivíduos (e todo este processo) teria obrigatoriamente que ter o aval do ICNF. Imagine os noticiários: “Beja combate o flagelo do pombo urbano com a ajuda do Falcão peregrino”. Este processo, como se pode ver, não interessa, numa lógica de gestão autárquica tal como a vemos em Portugal (independentemente da autarquia e da força política que a gere, está bem?). Porquê? Porque é sustentável e porque não é passível de gerar o beberete da inauguração.

  6. Mário diz:

    A Câmara Municipal de Évora, tem uma espécie de gaiola, através da qual de tempos a tempos captura pombos em algumas praças da cidade. Julgo que para manter uma população estável, dos ditos. Embora desconheça o que depois fará com os “aprisionados”.
    Porque não, Beja aprender alguma coisa com o que de bom Évora faz?

  7. marco diz:

    castelo á vista — em Baleizão chamam-lhe borrachos

  8. Carlos Gomes diz:

    E porque não entregar a gestão da falcoaria aos columbófilos?
    Nos horários determinados para as largadas e treino dos pombos não haveria falcão no ar. Quando os atletas recolhessem, lançava-se o predador.

  9. Rato dos Pomares diz:

    Carlos Gomes. O princípio do hacking com Falcões (peregrino, neste caso, com o objectivo de poderem caçar copiosamente pombos, de preferência desses piolhosos que infestam ruas, telhados e o algeroz da PT, também), sugerido, não está associado à prática da falcoaria. A ideia é levar um casal de F.p. a estabelecer-se em espaço urbano, em Beja. Para isso é necessário ensinar-lhes desde pequenos, que o sítio onde cresceram é excelente para criar. Os falcões nascidos no SW não se instalam aqui, apesar de terem comida a potes, porque não reconhecem um edifício alto como local de nidificação – ou, melhor, de criação uma vez que os F.p. não fazem ninho (embora possam usar o ninho abandonado por terceiros para criar). A prova de que gostam da fartura alada que por aí anda, comprova-se facilmente com o número de avistamentos de juvenis e de adultos setentrionais que ocorrem nos campos circundantes, durante o Inverno, e que andam claramente “à babugem” dos pombos que aí se vão alimentar.

  10. Luís Figueira diz:

    Não escrevi nada anteriormente por ter enviado esta minha opinião para o DA, agora que já saiu…

    Vou mais por aqui:
    http://da.ambaal.pt/noticias/?id=6812

    Rato dos Pomares: depois de uma intervenção urgente e mais radical, poderemos pensar em utupias, antes disso não há falcão que dê conta disto.

    Mário: como vê Évora não nos ensina nada, com respeito a apanhar pombos porque isso já se fez por cá e os resultados foram péssimos…