Ago 13 2014

Rui Veloso e o país

Publicado por as 14:01 em Geral

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foto: joão espinho

“Amigos, calma, está tudo a exagerar,vou parar os concertos durante uns tempos, para arrumar coisas na minha casa, tipo cd’s e dvd’s, e mais coisas na minha vida.
Mas vou continuar a trabalhar para um disco novo no próximo ano!
Isto é só uma paragem porque nunca parei e estou a precisar. Nada demais que justifique o exagero…em todo o caso muito obrigado!
O raio da silly season…
Parar para pensar não é o mesmo de desistir,antes pelo contrário!!
Voltarei aos palcos porque adoro lá estar e porque vivo dos concertos,é a minha vida!
Vocês estão no meu coração.

PS: Leiam a entrevista que dei ao Diário de Noticias até ao fim, não fiquem só pelo titulo.”

Pronto, o País pode dormir descansado. Já os agitprop terão que mudar de bobine…

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Uma Resposta a “Rui Veloso e o país”

  1. black sheep diz:

    Compreendo a estratégia do Rui Veloso (RV).
    Longe da glória de outros tempos, quando fazia e interpretava boa (ou até muito boa) música, vendia muitos discos e actuava na “primeira liga” (tempos idos de há vinte e tal anos), o RV debate-se hoje, e de há 15 ou 16 anos para cá, num mundo mediático completamente transformado e para o qual não demonstrou possuir estofo suficiente para se impor.
    Não se conseguiu impor face ao sucesso fácil e fugaz dos “artistas” saídos dos concursos de talentos das TVs (carne para canhão que apenas serve o objectivo dos média de obter lucro rápido com escasso investimento, pois sai muito mais caro pagar a verdadeiros artistas do que construir rapidamente “estrelas” iludidas e sem talento, autênticos produtos de marca branca sem consistência, sem escola, verdadeiros “genéricos” brilhando descartáveis e fugazmente, até surgir a próxima fornada, sem sabor e sem conteúdo).
    Não se conseguiu impor, também, às poderosas e agressivas máquinas de agenciamento e promoção mediática de cantores populares, de fraquíssima qualidade artística mas com excelente assessoramento de marketing e letristas habilidosos que lhes construiu uma sólida imagem de glamour irresistível para donas de casa (e outras, e outros…), com visíveis carências no campo afectivo-sexual ou falhando os mínimos standards de exigência.
    Para além de tudo isto, é notório que a qualidade do trabalho do RV decaiu progressivamente desde a segunda metade dos anos 90, facto ainda agravado pelas inconsequentes aventuras em “supergrupos” constituídos por outras (algumas, entre eles) estrelas decadentes que com ele nos ofereceram apenas uns ultrapassáveis disquinhos amorfos que, não obstante, cumpriram o seu objectivo de fazer crescer as contas bancárias.
    RV é um artista de outro tempo, com boa escola (ouviu e assimilou coisas com que os “artistas” de hoje não têm tempo para perder, nem cultura para apreciar), ainda muitos degraus acima dos antónios desta vida, um guitarrista mediano, e já teve uma voz aceitável, mas o seu momento passou, e os seus concertos mais não eram do que exercícios de nostalgia para ouvir velhos êxitos.
    Nem tudo é mau no panorama que ditou a decadência de RV: o surgimento de novos, verdadeiramente bons e sólidos artistas (cito, a mero título de exemplo, os Azeitonas/Miguel Araújo), foi uma bem vinda “concorrência desleal” para com alguns artistas que já não acompanham (porque as coisas são mesmo assim), a pedalada dos mais jovens.
    Que fazer?
    Simples: aproveitar o decadente panorama mediático, misturá-lo com a crise que vivemos, sair de cena (o excesso de circulação faz baixar o valor…), e preparar, daqui a um par de anos, o triunfante “comeback”.
    É uma estratégia válida para tentar quebrar o ciclo vicioso.
    Vamos ver se resulta. Espero que sim, porque ele até merece.

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