Jul 07 2014

VODKA COM LARANJA?

Publicado por as 11:11 em A minha cidade

Transcrevo crónica de João P. Ramôa na radio Pax:
“No final desta semana, os militantes social democratas vão a votos. Para os Orgãos da Distrital em lista única, e para os Orgãos da Concelhia de Beja com apresentação de duas listas, como já aconteceu algumas vezes no passado.

Em política, o que parece é, mesmo que não seja. Estas eleições bipolarizaram-se como jamais me recordo, em duas ideias bem concretas, apesar de não corresponderem à verdade. Que existe uma facção social-democrata que considera a CDU como força previligiada de acordos, e uma outra facção que rejeita liminarmente esta opção, considerando a ligação aos socialistas como a mais natural. Longe vão os tempos em que o PSD vivia na procura da sua afirmação individual e não como muleta de alguém.

A globoesfera e as crónicas da opinião reforçam essa ideia. O debate, mesmo diminuido pela habitual cobardia do anonimato, está animado, e animam as conversas dos treinadores de bancada. Curiosamente, sente-se de uma forma muita clara que esse debate é suscitado e alimentado por pessoas que não são social-democratas. Que disputam e reclamam para a sua área política o nosso apoio, com o objecto único de chamar a si esse eleitorado, apenas com o intuíto de reforçar a sua tendência política, seja socialista seja comunista. É curioso também observar por parte dos social-democratas, o silêncio total nesse debate.

Bastava esse simples facto para fazer pensar o PSD, mas não. Já aqui fiz alguns alertas há uns meses atrás, sem que tivesse tido algum efeito prático na alteração da estratégia do PSD-Beja, mantendo-se este cego-surdo-mudo. E é essa figura de morto, que dá ânimo a que outras áreas políticas reclamem para si os despojos do PSD.

Porém aqui existe um grande equívoco.

O que está moribundo são as estruturas do PSD e não a sua base de apoio, que quando chamada a votar, se percebe muito bem, para onde se desloca, e onde deposita a sua confiança. Independentemente da orientação e opções das estruturas políticas.

Por isso, até é ridiculo assistir ao discurso dos comunistas, ao dizer que os social-democratas têm ou tiveram um acordo com os socialistas. Do mesmo modo que, além de rídiculo é contra-natura ouvir dizer pelos socialistas, que os social-democratas têm um acordo com os comunistas.

Para esta questão cair por terra, bastaria colocar esta simples pergunta: Quem é o PSD? As suas estruturas e representantes reduzidos a umas poucas dezenas de militantes? Claro que nao. É muitissímo mais do que isso, são milhares de cidadãos anónimos que votam convictamente nos ideais e interesses social-democratas.

O meu partido tem uma base de apoio que considero excepcional. É irreverente, não seguidista, pensa por si próprio e sabe muito bem fazer as suas opções. Relembro as eleiçoes autárquicas de 2009 em que, das três votações, autarquia, assembleia municipal e junta de freguesia, o PSD teve votaçoes completamente distintas, bem representativo da liberdade de opção, e do não seguidismo dos sociais-democratas de Beja.

Considerar que os votos social-democratas são cativos desta ou daquela figura, desta ou daquela estrutura, é um exercício de imbecilidade política e de uma arrogância patética. Por isso, mais do que ganhar, quem vencer estas eleições para a concelhia de Beja, deverá ter bem presente a necessidade de reacender a alma social-democrata em primeiro lugar, mas também saber interpretar os anseios e objectivos dos votantes. E não apenas o compadrio fechado de um punhado de dirigentes. Caso contrário, mais vale mandar pintar o edifício da sede que se encontra em estado inadimissível de degradação, e mudar de ares, pois além de sermos reduzidos a um punhado de auto-egos, a noite será de trevas longas e penosas, e o PSD-Beja será reduzido a uma micro-estrutura política sem qualquer utilidade.” (daqui)

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7 Resposta a “VODKA COM LARANJA?”

  1. Manuel Espiga diz:

    Vodka falsificada com laranja podre, não presta!
    Figura de morto, já Paulo Ramôa faz há muito tempo! Base de apoio do PSD, à imagem do PSD governo? Além de anedótico, só pode ser masoquista.
    Colocaria, em simultâneo, duas perguntas: Quem é o PSD? Quem foi o PSD? Duas realidades distintas, o quem é assaltou o quem foi. Os ” milhares de cidadãos anónimos que votam convictamente nos ideais e interesses social-democratas”, atualmente só podem ser cegos-surdos-mudos!!!
    Ao ler o parágrafo: “O meu partido tem uma base de apoio que considero excepcional. É irreverente, não seguidista, pensa por si próprio e sabe muito bem fazer as suas opções”, questiono-me – está a falar de que partido? Do quem foi, certo? Como esquecer os assaltantes do partido, se eles estão no governo, no moedinhas, nos simões e araújos e até nas senhoras que estão nas juntas de freguesia, as quais fizeram precisamente isso que Paulo Ramôa acusa e pertencem à tal base de apoio?
    Gente como Sá Carneiro, hoje não existe, e é disso que o PSD precisava. Esse “compadrio fechado de um punhado de dirigentes”, minou o partido e minou o governo, este último já vendeu a alma social-democrata ao CDS/PP de Portas, Comp.ª Ld.ª e à subserviência à união europeia e de quem a domina.
    Quanto ao PSD-Beja, temo que seja realmente “reduzido a uma micro-estrutura política sem qualquer utilidade.”

  2. vodka diz:

    Já agora dê a notícia completa. Sabem quem vai fazer a programação do Verão? Cocas produções quem havia de ser. Os amigos são para as ocasiões.

  3. João Espinho diz:

    @vodka – devia ter feito o comentário no local apropriado. Deve ser do vodka 🙂

  4. João Espinho diz:

    já está!

  5. Maria vai com as outras diz:

    JPR escreve aqui uns quantos principios teóricos, que tão coerentes, acabam por ter muito pouco a ver com a realidade destes dias.
    Longe vão os tempos do militantismo puro que parece transparecer da sua prosa e ser defendido no texto.
    Já não há lugar nesta sociedade para tal tipo de pessoas. Pois de tanto usadas e maltratadas pelas elites que eles colocaram desinteressadamente nos poleiros, já há muito tempo que desistiram e voltaram as costas aos respectivos partidos politicos. E neste momento engrossam os não votantes nas eleições, os que escrevem frases obcessas nos boletins de voto ou que pura e simplesmente os colocam em branco.

    Os atuais militantes e simpatizantes dos partidos têm os seus interesses muito especificos e precisos.
    Ou seja, quem neste momento dá a sua cara e o seu nome na politica partidária não o faz de forma gratruita. Aliás como muito bem diz JPR no seu texto.

    Pelo que é verdade que o PSD mesmo no estado em que se encontra, ainda é dele que dependem tachos e poleiros nos orgão locais da autarquia e da cidade.
    Daí não só ser assediado de todas as formas e mais alguma, como não estranha nada que haja duas listas de militantes muito bem definidas a defenderem os seus próprios interesses.
    Pois como dizia Guerra Junqueiro há cerca de 200 anos, altura em que apenas dois partidos alternavam no poder. mesmo dentro de cada um deles, não cabiam todos os seus militantes na sala de jantar.

  6. lição de tango diz:

    Os partidos (todos eles) são um albergue de quem, não sabendo fazer mais nada, refugia-se na política para tirar daí os seus proveitos. São um verdadeiro antro de vigaristas, são instituições muito pouco recomendáveis pela gente pequenina que os frequenta e lidera. Partidos políticos, todos diferentes…….todos iguais. Tenho “nojo” destes políticos e faço parte dos quase 70% de portugueses que não se revêm minimamente neste sistema. E, infelizmente, não vejo uma solução para este tão grave problema. As pessoas sérias, competentes, com formação, respeitadoras dos verdadeiros ideais da democracia cada vez se afastam mais desta podridão que reina nos nossos partidos. E a partir daí, é o que se vê, basta olhar para o estado degradante a que chegou este país.

  7. ANICA diz:

    JPR , como sempre , com uma linguagem circular , sem objectivamente dizer qual é a sua opção.

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