Abr 10 2014

A desertificação do interior

Publicado por as 10:44 em Geral

Destaco opinião deixada em caixa de comentários:

“Falemos então de coisas sérias. O despovoamento do interior de todo o país e não apenas do Alentejo resulta, da inexistência, ao longo de todos estes anos, de políticas de desenvolvimento regional e de um centralismo absurdo de Lisboa. Não fossem as autarquias e o panorama seria certamente ainda muito mais negro.
Atualmente, este é antes de mais um problema de política, de ideologia, uma vez que o Governo e os partidos que o suportam ( à semelhança do que acontece a nível europeu) defendem (com a desculpa do controle da despesa publica) um centralismo cada vez maior, num total desrespeito pelos princípios da subsidariedade, da descentralização e da governação multinivel.

Do meu ponto de vista, sem a criação das regiões administrativas e políticas, nível intermédio de governação inexistente em Portugal (ao contrario do que acontece na maioria dos países europeus), nunca iremos ter políticas de desenvolvimento regional devidamente ajustadas aos territórios e potenciadores dos recursos endógenos para o desenvolvimento. Em alternativa, poderiam, em parte, as comunidades intermunicipais desempenhar esse papel, mas infelizmente os umbigos da maioria dos autarcas e a miopia político partidária sempre foram e serão impeditivos de que isso aconteça. Seria preciso conseguir alinhar objetivos e coordenar e fazer convergir estratégias e ações.
No baixo alentejo, com a presente composição política da CIMBAL, de maioria comunista, o Plano Integrado de Desenvolvimento elaborado no anterior mandato já consensualizado e os FC 2014/20 disponíveis, o atual presidente da capital do distrito e da comunidade, tem o trabalho facilitado e, por isso, a obrigação de não falhar os objetivos de desenvolvimento da região. Se terá capacidade e saberá fazê-lo, vamos ver…mas até ao momento os sinais são francamente desoladores, sobretudo pela omissão e inoperancia.
Para estancar a sangria populacional e progressivamente inverter esta tendência demográfica será necessário criar uma estrutura sócio económica que sustente o emprego e a criação de mercado e de riqueza, condições indispensáveis para a fixação de pessoas e para a sustentabilidade económica do território. É o que está a acontecer com os projetos estruturantes de Sines e Alqueva e poderia também verificar-se com o Aeroporto e o Sistemas de Aguas do Alentejo.
Mas o problema é mais complicado nos concelhos periféricos a estes projetos, nos quais é preciso identificar a vocação económica estruturante e desenvolver, com forte financiamento publico dos FC, da administração central e local, projetos também estruturantes que criem a dinâmica económica indispensável, em áreas como, por exemplo, o turismo e a economia social.”

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2 Resposta a “A desertificação do interior”

  1. Maria vai com as outras diz:

    De facto, e por mais respeito que tenha pelo seu autor. Este texto não merece comentário algum.
    De tal forma estar gasto de tão usado que tem sido ao longo das últimas décadas nesta região.

    O sistema político-administrativo nunca será perfeito, e sobretudo defenderá sempre os interesses da centralidade.
    Veja-se o que vai suceder com a nova Carta Hospital, em que o Hospital de Beja em detrimento do de Évora e dos da grande Lisboa, ainda vai perder mais competências do que as que tem vindo perdendo.

    Agora e para concluir, só há duas formas de lidar com a situação e em quanto for tempo. Como nos alerta o Estudo sobre a demografia do país e em particular do Alentejo do I.N.E..
    Ou continuamos com esta ladainha, como é o caso do autor deste texto. Esperando que os outros que estão a defender os seus interesses venham defender os nossos, ou em incertezas messiânicas como a de que o Pulido volte de novo a ganhar as eleições.
    Ou tomamos e já, cada um de nós, as responsabilidades nas nossas mãos seja com quem for e contra quem for, e lutamos sós ou acompanhados pelos nossos interesses. De forma a evitarmos a falência anunciada da nossa cidade e da nossa região.

  2. Joana diz:

    Excelente artigo de Paulo Barriga hoje no DA sobre o tema.
    Embora não apresente soluções, vale pela chamada de atenção.

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