Set 09 2013

Hospital de Beja – Administração esclarece

Publicado por as 11:20 em A minha cidade

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foto: radio-pax

Têm surgido diversas dúvidas sobre a situação (actual e futura) do Hospital de Beja.
Coloquei à Presidente do Conselho de Administração (Drª Margarida da Silveira) as seguintes questões:

Estando em marcha uma reforma do sistema hospitalar, prevista no memorando assinado com a troika, pode esclarecer as seguintes questões relativamente ao Hospital de Beja:

1. Quais os Serviços afectados pela reforma e que sejam obrigados a reduzir camas. Que critério foi estabelecido para recaírem nesses serviços as reduções exigidas?

2. Quais os impactos dessas reduções?

3. Como tem sido veiculada a informação sobre esta reforma nos diversos serviços e especialidades?

Da Presidente do Conselho de Administração recebi a seguinte resposta, que publico na íntegra:

1.ENQUADRAMENTO

De acordo com orientações do Ministério da Saúde e da Administração Regional de Saúde do Alentejo , foi pedido no início do ano de 2013 que todas as Instituições integradas no serviço Nacional de Saúde, SNS , a elaboração de um Plano Estratégico para os anos de 2013/14/15.

Neste Plano Estratégico ( que teve de estar concluído até dia 15 de Junho de 2013 , sob pena de redução de 15% do financiamento anual da ULSBA,EPE) havia que definir para os anos atrás referidos a Carteira de Serviços a oferecer ás populações da nossa área de influência (os 13 Concelhos do Distrito de Beja , exceção ao Concelho de Odemira), ou seja o conjunto de serviços a oferecer ás populações, a saber:

Serviços de Internamento /Especialidades, Consultas Externas /Por Especialidades , Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica (RX, TAC, Ecografias, Análises Clínicas ,Tratamentos de Fisioterapia, Exames de Cardiologia, etc) , Tipo de Intervenções Cirúrgicas , Consultas em todos os Centros de Saúde (13 Centros de Saúde , Uma Unidade de saúde Familiar em Beja , 67 Extensões de saúde ).

Ora, este trabalho foi realizado tendo por base as características da nossa população , as necessidades em cuidados de saúde da população , os recursos humanos e materiais disponíveis e o financiamento que nos será atribuído anualmente por via do Orçamento de Estado que foi reduzido em 2012 e em 2013.(o financiamento é feito com base numa dotação anual por n.º de habitante este ano foi de 601,00€ por hab. Cerca de 76 milhões de euros.

Salientamos que este financiamento é insuficiente para fazer face a toda a nossa estrutura de custos que é muito elevada e cuja divida a fornecedores privados e públicos é cerca de 40milhões de euros)

Para a elaboração deste Plano Estratégico tivemos que contar com as orientações e recomendações da Administração Regional de Saúde do Alentejo , que fez um estudo sobre a Carteira de Serviços que a ULSBA deverá ter para o próximo triénio.

É pois no âmbito deste Plano Estratégico , que volto a referir é uma obrigatoriedade nacional ( com modelo igual e definido pelo Ministério da Saúde) , que também surge a designada Reforma Hospitalar , de que se fala mais da Redução das Camas nos Serviços de Internamento dos Hospitais , mas não se esgota nesta matéria.

Aliás, o critério do n.º de Camas de um Hospital , que era um critério utilizado há 40, 30/25 anos como referência para caracterizar uma Hospital , hoje não é considerado pelos entendidos sérios (da esquerda /direita) como o critério base para se aferir da atividade assistencial de um Hospital , isto porque ao longo dos últimos anos (decorrente dos enormes avanços da medicina e das melhores práticas clínicas) têm vindo a ser implementadas outras práticas clínicas que potenciam o tratamento dos doentes em Ambulatório e/ou em Internamentos de Curta Duração (caso da designada Cirurgia em Ambulatório).

Na verdade, o desenvolvimento da assistência aos doentes em regime de ambulatório , procura dar uma resposta clínica segura e de qualidade evitando o internamento dos doentes e/ou evitando internamentos muito longos.

Salienta-se que a prática em todo o mundo de novas formas de tratamento em regime de ambulatório , não só promove mais rapidamente a recuperação da pessoa doente como reduz os custos económicos – financeiros de toda a operação de saúde.

É pois por estas duas ordens de razões que também em Portugal ao longo dos últimos anos , talvez como mais enfoque nos últimos 20 anos (eu estou no Ministério da Saúde desde 1992 e portanto falo com conhecimento a partir deste ano), se tem procurado alterar a prática clínica , designadamente cirúrgica , com implementação de novas práticas clínicas , novos fármacos, novos exames, que contribuíram para que os doentes para cirurgias hoje não necessitem estar internados muito tempo.(sendo até prejudicial pois em ambiente hospital podem contrair as “chamadas infeções nosocomiais” de que Portugal tem uma Taxa que nos Envergonha)

Por outro lado, também existem hoje novas formas de prestação de cuidados de saúde em ambulatório com outras formas de oferta de cuidados .

Na verdade, e a ULSBA é disso exemplo , ao longo dos últimos anos têm vindo a implementar–se novas formas de tratar dos doentes em regime de Ambulatório , reduzindo os tempos de Internamento e naturalmente determinando a redução do n.º de camas nos Hospitais. Também nos Centros de Saúde hoje temos outras respostas de prestação de cuidados através de equipas comunitárias que fazem trabalho domiciliário .

Por outro lado, ainda existem outras respostas para internamento não Hospitalar no âmbito da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados , havendo Unidades de Convalescença e Paliativos.

Refira-se que a Redução de Camas é apenas uma das várias matérias que consta de um trabalho realizado por um grupo de peritos a pedido deste MS para melhor implementar as medias e reformas decorrentes do MemO celebrado com a Troika.

A este propósito há meses o CA da ULSBA esteve numa reunião de âmbito nacional , onde foi apresentado o n.º de redução de camas para todo o país em que no Alentejo era cerca de 100 camas nos 4 Hospitais.

Durante o 1.º Trimestre deste ano o CA da ULSBA em reunião com o CD da ARSA foi confrontado com a proposta de redução de 34 CAMAS , proposta que não aceitámos e que após meses de reuniões acabou numa redução de 24 camas em dois anos.

Acresce que acontece que muitas vezes as camas hospitalares estão ocupadas não por necessidade de cuidados de saúde mas por carência social dos doentes (consumindo hotelaria), sendo em média o custo de uma cama de 500,00€ por dia .

Portanto a redução de camas é uma orientação nacional e até uma tendência em conformidade com as melhores práticas clínicas.

Temos é que reforçar o trabalho de complementaridade com os Centros de Saúde e com toda a Rede Social.

PERGUNTA 1

Os Serviços afetados com a redução de camas são:

– Obstetrícia e Ginecologia

– Oftalmologia

– Otorrinolaringologia

– Cardiologia

– Camas afetas a Oncologia Médica (nunca houve um Serviço de Oncologia , mas apenas umas camas ocupadas por várias especialidades entre elas a Oncologia)

– Ortopedia

– Cirurgia

Os critérios que determinaram a opção foram:

– análise do movimento assistencial /histórico de todas as especialidades dos últimos anos

– análise dos indicadores de avaliação do internamento: taxa de ocupação das camas, demora média de dias de internamento por especialidade

– tipo de patologias tratadas /doenças

-melhor otimização da nossa capacidade instalada em RH, Materiais e Equipamentos

– Carteira de Serviços definida pela ARSA, IP para a ULSBA para os próximos anos

-audição dos Diretores de Serviço Médicos


PERGUNTA 2

Os impactos serão a vários níveis:

– reorganização do internamento hospitalar

– melhor utilização da capacidade instalada, designadamente de RH

– aumento da atividade assistencial em ambulatório

– redução dos custos operacionais

-redução da taxa de infeção nosocomial

PERGUNTA 3

A informação tem sido veiculada da seguinte forma:

-A 26 de Fevereiro de 2013 no Auditório da EDIA o CA da ULSBA reuniu todas as Chefias da ULSBA , da Saúde Pública , Cuidados de Saúde Primários, Cuidados De Saúde Hospitalares, Cuidados Continuados, Cuidados Paliativos de todos os Grupos Profissionais e apresentou as Opções Estratégicas documento que foi divulgado a todo o Coletivo Institucional e está há meses disponível na Intranet da ULSBA.

– Reuniões várias do CA da ULSBA com as Chefias da ULSBA e outras Entidades locais como vou passar a explicitar:

28 de Março de 2013 – Reunião da Direção Clínica hospitalar com os Diretores de Serviço Médicos

1 de Abril de 2013 – Reunião do CA com os Diretores de Serviço Médicos e Administradores Hospitalares e Direção de Enfermagem

9 de Abril de 2013 – Reunião da Direção Clínica com os Diretores de Serviço Médicos

6 de Maio de 2013 – Reunião do CA da ULSBA na sede da ULSBA com a CM de Beja, estiveram presentes o Sr. Presidente Dr. Pulido Valente e o Vereador , Dr. Miguel Góis. Nesta reunião foi abordado o Plano Estratégico e explicada a redução de camas.

31 de Maio de 2013 – Reunião na sede da ULSBA com o CD da ARSA a pedido do Ca da ULSBA , com a presença de todas as Chefias Hospitalares, Médicos, Enfermeiros, TDT, Administradores Hospitalares, Outras Chefias. A ARSA apresentou a Carteira de Serviços para a ULSBA e explicou a redução de camas. Decorreu das 15,00 ás 20,00horas.

11 de Julho de 2013- Reunião do CA da ULSBA com a Direção da Comunidade Intermunicipal do BA , estiveram presentes o Dr. Pós – Mina , Sr. Sebastião e secretário.

Foi abordado o Plano Estratégico e a redução de camas.

Também foram informados pelo CA da ULSBA que o Plano Estratégico da ULSBA seria apresentado publicamente na segunda quinzena de Setembro aos autarcas .

26 de Agosto de 2013 – Reunião com o Sr. Enfermeiro Director , Adjunto da Direção de Enfermagem com o Corpo de Enfermagem que estava afeto ao Serviços onde já se reduziram camas.

Foi transmitido aos enfermeiros que seriam redistribuídos por outros Serviços da ULSBA , em função das necessidades desses Serviços e dos seus perfis de conhecimento. O que já aconteceu.

Durante todo o Mês de Agosto a Direção Clínica Hospitalar tem reunido com os Diretores Médicos.

Na próxima semana será publicada uma Nota Informativa na Intranet sobre a Redução e Redistribuição das Camas para todo o Coletivo Hospitalar.

O CA tem pedido aos Diretores Médicos e Chefes de Enfermagem que expliquem e divulguem a informação, pois é impossível chegarmos a 1700 trabalhadores.

Aproveito ainda para lhe deixar a seguinte informação , de esclarecimento sobre o que está a circular nas redes sociais.

1- Os Doentes do foro oncológico que necessitem de internamento serão internados nos Serviços de Internamento de acordo coma sua patologia/doença.

Este procedimentos foi acordado previamente com os Diretores de Serviço Médicos .

2- O Serviço de Cardiologia , não foi extinto , nem acabou. Foi apenas integrado no Departamento de Especialidades Médicas , onde é nosso entendimento dever estar do ponto de vista orgânico e assistencial. Acontece que tal medida desagrada a alguns.

O CD da ARSA está informado de tudo o que está a acontecer na ULSBA e está esclarecido sobre o que circula nas redes sociais.

Sabemos que estamos perante reformas e medidas muito difíceis e mexem com interesses instalados, mas procuramos num ambiente de escassez de recursos que os cuidados não faltem aos doentes e pese embora a maldade de alguns e a ignorância de muitos temos conseguido.

Estamos sempre disponíveis para melhorar e sabemos que temos muito para melhorar e apreender com outros que queiram dar contributos positivo.

Margarida da Silveira
Presidente do Conselho de Administração
ULSBA,EPE

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5 Resposta a “Hospital de Beja – Administração esclarece”

  1. Reinaldo Louro diz:

    Em poucas palavras pode-se constatar no longo conjunto de argumentos que os cidadãos terão menos Serviço Nacional de Saúde e que a ULSBA – Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo, com sede em Beja e com toda a sua rede, terá menos meios e menos valências, para dar resposta às necessidades de quem carece destes serviços e que somos todos nós.

    Conclusão justificar o injustificável !

  2. Amélia diz:

    Expliquem lá à Administração do Hospital que o que dizem da redução de camas é de quem ou quer esconder a verdade ou pensa que somos todos burros!!! Sinceramente, tanta parra e nenhuma uva! Mas pensam que estão a gozar com quem? Mas que raio de comunicado é esse? Qualquer médico ou enfermeiro do hospital sabe que esse relambório vale muito pouco acima de zero e que é uma tentativa de disfarçar uma realidade bem deiferente. Atão mas quantas camas é que vão para o ambulatório? deixem-me rir…. atão qual é a taxa média actual do ambulatório que precisa de ser aumentada? atão e quais são os doentes que tão nessas camas que vão desaparecer que podem ir para ambulatório? 1%?
    santa paciência!!!!

  3. Luísa diz:

    http://acincotons.blogspot.pt/2013/09/munhoz-frade-tinha-mesmo-razao-hospital.html

  4. Catarina diz:

    Portugal tem apenas 3,3 camas/1000 habitantes, contra uma média de 4,9 na OCDE e 8,2 na Alemanha – Beja fica com uma média de 1,6 camas / 1000 habitantes.
    Segundo o Censos 2011, sem Odemira, Beja tem 126.602 habitantes, o que para 203 camas dá 1,6 camas/1000 habitantes.

    Notícias da Ordem dos Médicos

    É possível reduzir ainda mais o número de camas hospitalares em Portugal?
    O Governo anunciou que pretende reduzir o número de camas hospitalares para diminuir os custos em Saúde.
    Anunciou essa intenção através da implementação de algumas medidas teorizadas no papel, como se o SNS não estivesse a funcionar convenientemente.
    A Ordem dos Médicos apoia todas as medidas de boa gestão e incentiva a aposta na cirurgia do ambulatório, que em Portugal encontra algumas dificuldades por falta de apoios adequados na comunidade, que impedem altas mais precoces em muitas situações.
    Porém, a Ordem dos Médicos chama a atenção para o facto de, segundo o relatório da OCDE de 2011:
    – Portugal ter apenas 3,3 camas/1000 habitantes, contra uma média de 4,9 na OCDE e 8,2 na Alemanha.
    – Portugal ter um tempo médio de internamento, por todas as causas, somente de 5,9 dias, contra uma média de 7,2 dias na OCDE e 9,7 dias na Alemanha.
    Não há espaço por onde reduzir mais camas sem prejudicar potencialmente os doentes! A Ordem dos Médicos recorda que ainda há doentes internados em macas em muitos hospitais portugueses.
    Para além disso, a redução do número de camas não leva necessariamente a uma redução da despesa, porque os doentes continuam a precisar de serem tratados, e, recentemente, um relatório de Bruxelas apontou mesmo a possibilidade dos cortes na Saúde induzirem um aumento da despesa.
    A Ordem dos Médicos sublinha que, segundo a OMS, o ideal é que existam 4,5 camas por cada 1000 habitantes, podendo justificar-se mais em caso de necessidade.
    Como se pode concluir facilmente, pela objectividade das estatísticas da OCDE, reduzir ainda mais o número de camas hospitalares em Portugal certamente irá afectar a acessibilidade dos Doentes aos Cuidados de Saúde e colocar o nosso país num patamar inferior de Qualidade do SNS.
    Além do mais, o SNS já funciona no limite da excelência, graças à qualidade dos seus profissionais, por isso apresenta extraordinários indicadores, não sendo admissível que se passe a mensagem que é o Ministério da Saúde que vem agora descobrir a fórmula mágica de redução suplementar do número de camas sem prejuízo da Qualidade e dos Doentes.

  5. NG diz:

    Isto parece a história do «rei vai nu»: a administração nada esclarece! O que a administração faz é justificar o tacho: cumprir ordens à custa da saúde dos utentes!

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