Fev 15 2013

Candidaturas independentes

Publicado por as 16:45 em autárquicas 2013,Crónicas

bisca lambida

Desde o passado dia 8, e até ao rescaldo das eleições do Outono, o “Diário do Alentejo” propõe semanalmente aos seus leitores uma aguerrida partida de “bisca lambida”. Jogatana de opiniões entre quatro colunistas de reconhecido valor. Sem bluffs, nem cartas na manga, as Autárquicas aqui estão em cima da mesa. Às claras.
Um dos quatro colunistas sou eu.
Vou aqui publicando a minha participação nesta jogatana.
Divirtam-se.

Que papel pode desempenhar uma candidatura independente na eleição da Câmara de Beja?
8/2/2013

A participação de movimentos de cidadãos nos processos eleitorais, enriquece a Democracia e pode transformar o debate eleitoral mais profundo, pois alarga o leque dos intervenientes que, seguramente, trazem um novo conjunto de posições políticas, de novas ideias, de novas propostas de solução para os problemas que assolam as populações. É saudável o surgimento de movimentos de cidadãos no processo eleitoral autárquico e só se lamenta que o art.º 151º da Constituição da República não permita que estes movimentos concorram às eleições legislativas, onde as candidaturas “são apresentadas pelos partidos políticos, isoladamente ou em coligação, podendo as listas integrar cidadãos não inscritos nos respectivos partidos”.
Como repararam, ainda não falei em candidaturas independentes. A razão é simples: muitos dos movimentos que surgem em época eleitoral nada têm de independentes, afirmando-se sim contra os partidos e muito dependentes da política do “ser contra” o que, na maior parte das vezes, acaba por aniquilar a mais-valia que seria a sua participação verdadeiramente independente nos actos eleitorais. Também se tem verificado que muitos dos Movimentos Independentes são agremiações de ex-qualquer coisa: ex-militantes de partidos, ex- autarcas, ex-candidatos, ex- etc…
Em Beja tem sido muito reduzida a participação de candidaturas independentes nas eleições autárquicas. A mais recente (2009), a Força Autárquica Independente, morreu como nasceu. Sem fôlego, sem ideias, sem… futuro.
Para as próximas eleições está já anunciada a participação de um movimento independente que se autopromove como um “contributo para reforçar a identidade de Beja e apontar os seus principais desígnios”. Ora isto, para os ouvidos dos eleitores, soa a música gasta, pelo que se espera a publicação de um programa sólido e a apresentação dos candidatos aos diferentes órgãos autárquicos para se perceber se este Movimento vai mexer com o eleitorado e, assim, intrometer-se na tradicional disputa entre socialistas e comunistas. De qualquer forma, repito, estas candidaturas podem ser uma mais-valia. Assim o desejamos.
João Espinho
(no DA)

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