Mar 09 2012

Uma Ceia de 70 mil euros

Publicado por as 16:21 em Geral

Em Portugal é normal as entidades públicas pagarem a empresas privadas para lhes dizerem o que devem fazer. Aparentemente, há um grande problema de recursos humanos. Veja-se este exemplo do Turismo do Alentejo. Pagou 70 mil euros para a realização de Estudos Prévios ao Desenvolvimento de Projectos da Turismo do Alentejo e 74 mil pelo Plano Operacional de Turismo do Alentejo.
(in Má Despesa Pública)

Ou, como diz o meu amigo FF: “E quem Ceia bem já não precisa de almoçar… ou precisa?”

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9 Resposta a “Uma Ceia de 70 mil euros”

  1. VIGILANTE AO LONGE diz:

    Que maravilha……..! Pagou ??????? Donde vem o “caroço”????? Assim sendo, há para uns e não há para outros! Uns são filhos outros……. são enteados: Será?
    Bom, mas admitindo a boa vontade os bons sentimentos do promotor, expliquem lá (como se eu fosse muitooooo burro), concretamente do que se trata, porque essa de “Estudos prévios ao desenvolvimento” e essa de “Plano Operacional de Turismo”, a “malta” que paga impostos, não entende: São designações um bocado a tender para o abstrato e em abstrato já se sabe ao que conduz.

  2. Manuel António Domingos diz:

    Data de publicação: 19-01-2009
    N.º Procedimento: 20213
    Tipo: Ajuste Directo
    Listagem de entidades adjudicantes NIF Nome entidade adjudicante
    501135960 Câmara Municipal de Castro Verde

    Entidade(s) adjudicatária(s)
    Tipo de agrupamento:
    Nome do agrupamento:
    NIF do agrupamento:
    Listagem de entidades adjudicatárias NIF Nome entidade adjudicatária País
    502503661 Quaternaire Portugal, Consultoria para o Desenvolvimento, S.A.

    Objecto do contrato: Elaboração e Apoio à Implementação da Carta Estratégica do Concelho de Castro Verde
    Data da celebração de contrato: Preço contratual: € 40.000,00
    Prazo de execução: 180 dias (5 meses e 27 dias)
    Local de execução: Castro Verde
    Critério material de escolha do ajuste directo:
    Observações:

  3. Manuel António Domingos diz:

    Data de publicação: 08-07-2011
    N.º Procedimento: 322363
    Tipo: Ajuste Directo
    Listagem de entidades adjudicantes NIF Nome entidade adjudicante
    501135960 Município de Castro Verde

    Entidade(s) adjudicatária(s)
    Tipo de agrupamento:
    Nome do agrupamento:
    NIF do agrupamento:
    Listagem de entidades adjudicatárias NIF Nome entidade adjudicatária País
    508271568 Improveconsult – Consultoria e Estudos, Lda. Portugal

    Objecto do contrato: Prestação de Serviços de Assessoria à Operacionalização da Politica Municipal de Desenvolvimento Económico à Câmara Municipal de Castro Verde
    Data da celebração de contrato: 07-07-2011
    Preço contratual: € 20.000,00
    Prazo de execução: 178 dias (5 meses e 25 dias)
    Local de execução: Portugal – Beja – Castro Verde
    Critério material de escolha do ajuste directo:
    Observações:

  4. Manuel António Domingos diz:

    Data de publicação: 09-02-2010
    N.º Procedimento: 137919
    Tipo: Ajuste Directo
    Listagem de entidades adjudicantes NIF Nome entidade adjudicante
    501135960 Município de Castro Verde

    Entidade(s) adjudicatária(s)
    Tipo de agrupamento:
    Nome do agrupamento:
    NIF do agrupamento:
    Listagem de entidades adjudicatárias NIF Nome entidade adjudicatária País
    508271568 Improveconsult – Consultoria e Estudos, Lda Portugal

    Objecto do contrato: Prestação de Serviços para a Reorganização de Serviços da Câmara Municipal de Castro Verde
    Data da celebração de contrato: 29-01-2010
    Preço contratual: € 20.000,00
    Prazo de execução: 150 dias (4 meses e 28 dias)
    Local de execução: Portugal – Beja – Castro Verde
    Critério material de escolha do ajuste directo:
    Observações:

  5. André Miguel diz:

    Só pode ser um problema de recursos humanos. A região é tão pobre que a malta é obrigada a emigrar a depois a falta pessoal para o que realmente importa…

  6. Ceia da Silva diz:

    Caro Senhor João Espinho,

    Em primeiro lugar os meus cumprimentos.

    Relativamente ao titulo do comentário publicado sobre a actividade da Turismo do Alentejo, ERT e independentemente do mau-gosto do titulo, tenho a observar:

    1º Os dois contratos mencionados foram celebrados no mais escrupuloso cumprimento da Lei aplicável, estando a sua tramitação sujeita às inspeções aplicáveis à actividade da Administração Pública;

    2º A despesa emergente com os contratos em apreço foi co-financiada pelos Fundos Comunitários em cerca de 75%, sendo comparticipada pela Entidade Regional de Turismo do Alentejo na proporção remanescente.

    Cumpre também daqui inferir que a relevância da utilidade daqueles contratos, no âmbito daquilo que são as atribuições da Entidade Regional de Turismo ,foi avaliada favoravelmente por terceiros, neste caso pela gestão dos Fundos Comunitários.

    3º É sempre arriscado e intelectualmente perigoso sobre uma informação tão sucinta, como necessariamente é aquela publicada no Portal Base, dedicar-mo-nos a exercícios de qualificação da qualidade da despesa pública; ainda assim, quer o blog “Má despesa Pública”, quer o “Praça da Republica”, resolveram faze-lo.

    Importa então aprofundar o tema.

    2.1. O Estudo do Plano Operacional de Turismo foi elaborado durante 18 meses, no quadro de um trabalho de grande articulação no terreno, envolvendo empresários, municípios, entidades publicas diversas, associações e cidadãos em geral.

    Constitui hoje a matriz estratégica e a grelha operacional que serve de referência à actuação da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e de muitos outros protagonistas do turismo regional. Ao contrário de muitos outros planos, este encontra-se em execução prática, não estando guardado em qualquer gaveta da nossa Administração.

    Foi ainda considerado um exemplo de boas práticas de planeamento participado e consistente, por muitas das entidades que acompanharam a sua elaboração.

    Caso esteja interessado terei todo o gosto em enviar-lhe um link para aceder ao dito Plano. Ficará certamente em melhores condições de avaliar a dimensão, complexidade e utilidade do referido trabalho, opinando em melhores condições sobre a “qualidade da despesa”, que inadvertidamente foi considerada de “má”, conclusão a que certamente também chegará.

    Será também mais fácil compreender, depois de ter tido a oportunidade de conhecer o Plano e os meios envolvidos na sua elaboração, as razões que estiveram na origem da sua adjudicação a uma equipa consultora externa.

    2.2 Os Estudos Prévios constituíram, por seu lado, peças fundamentais de suporte a um conjunto de candidaturas de projectos aos Fundos Comunitários, alguns deles eventualmente até já terá ouvido falar, presumindo que acompanhe a actividade desta Entidade (Alentejo das Gastronomias Mediterrânicas; Alentejo Bom Gosto; Dinamização do Montado; Plano de Comunicação para a Dinamização Turística do Alentejo, etc). Operações, umas ainda em execução, outras já finalizadas, cujos resultados contribuíram certamente para a forte dinamização turística que felizmente o Alentejo tem sentido nos últimos anos.

    Admito que desconheça a mecânica de abertura de concursos e as exigências dos regulamentos dos Fundos Comunitários; se as dominasse compreenderia certamente a origem e a necessidade dos serviços contratados.

    Finalmente, gostaria de me colocar à sua disposição para lhe prestar, pessoalmente, todos os esclarecimentos que entenda necessários, a bem da transparência e do bom nome desta instituição a que tenho a honra e o privilégio de presidir.

    Poderá dirigir-se aos nossos Serviços e solicitar o agendamento do referido encontro.

    Com os melhores cumprimentos
    O Presidente da Direção da Turismo do Alentejo
    Ceia da Silva

  7. Fernando Figueiredo diz:

    Ena João! Categoria! Vais-te ver aflito para digerir tanta informação!

  8. João Espinho diz:

    Caro Sr Presidente da Direcção da Turismo do Alentejo.
    Muito obrigado pela atenção que dedicou às linhas divulgadas no blog que edito. Não obstante a longa vida do Praça da República (2003) e das suas décadas à frente dos destinos da Turismo do Alentejo, ainda não tínhamos tido a oportunidade de aqui nos cruzarmos. Alguma coisa deverá, desta vez,ter tocado a sua sensibilidade. Se o título do post o melindrou, aceite o meu pedido de desculpas.Foi uma espécie de metáfora; não escolhemos os nomes que temos e por vezes sofremos por nos chamarmos assim ou assado. Calcula quantas vezes sou apelidado de “um espinho” (daqueles que compunham a coroa que torturou Jesus Cristo?) É uma injustiça, pode crer.
    Quanto aos contratos, igualmente agradeço, em meu nome e no dos meus leitores, os esclarecimentos prestados. O que me “indigna” é que, numa época de vacas tão magras, ainda haja a coragem de investir tantos milhares de euros em mais uns estudos, desta vez prévios ao desenvolvimento de projectos…. etc…. etc…. É que, para nós, cidadãos comuns, é dinheiro a mais para tantos estudos que, depois, invariavelmente, resultam numa mão cheia de nada , mas com os cofres públicos mais pobres, pois toda a gente encomenda estudos e nunca se chega a saber para quê. Como deve saber, Portugal herdou dos governos de Sócrates uma situação que deveria obrigar qualquer Director/Presidente/Dirigente a pensar muito bem sempre que estivesse em causa gastar um cêntimo num estudo prévio. Sei que nos governos antecedentes era hábito gastar sem olhar a meios. Mas os tempos mudaram.
    Para concluír, agradeço todo o tipo de informação que possa disponibilizar e nos leve a acreditar que o turismo pode ser, também, o futuro do Alentejo.
    Cumprimentos
    João Espinho

  9. VIGILANTE AO LONGE diz:

    @João Espinho:
    Boa ! Assim mesmo é que é: Continua…. não tenhas medo, há muita gente a apoiar-te!
    Respondeste mesmo “à maneira” ! (aliás, como sempre, e é teu hábito)!

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