Out 19 2011

Telegrama para um amigo

Publicado por as 1:30 em Blogosfera

Percebo e concordo com as preocupações e dúvidas que manifestas na tua carta. O meu comentário, em tom provocatário, sugeriu-te (ainda bem) o desenvolvimento de um tema que, parece, anda nas mentes de alguns (poucos) cidadãos.
Vamos por partes: não aceito que se vulgarize o epíteto de “mentiroso” a todos os políticos. Parecendo que não, todos nós, cidadãos, somos políticos. Mas eu percebo-te.
Vivendo em Democracia, assente nas mais diversas liberdades, os cidadãos escolhem caminhos diversos para exercerem os seus direitos, legitimados por uma Lei que os protege da opressão ou do silenciamento. Se assim não fosse, não conheceríamos a indignação expressa em movimentos como o “A Democracia sai à rua” (que disparate!) ou o “Occupy Wall Street” (devo dizer-te que acredito muito mais neste do que naquele). Como deves ter percebido, estes movimentos de indignação não são, como se pretende “fazer passar”, à escala global. Há sociedades, em pleno século 21, onde não se pode ser pessoa, onde não há Liberdade. Ali (não preciso recordar, pois não?), ainda não chegaram ventos de mudança, onde “à escala global” é uma mentira.
É verdade, este regime está podre. Escrevi-o aquando do foguetório do centenário da República.
Mas tu vais mais longe. Vais por essa Europa, destruída múltiplas vezes, flagelada por guerras paridas no seu seio e pelos seus dirigentes. Uma Europa cheia de sangue e de feridas ainda não sanadas. Temes que a História se repita, mas isso não te impede de dizeres:”Mas não há alternativa”.
Há, Carlos. Estamos em constante mudança e a imutabilidade que te parece ser meu privilégio é, tão só, não acreditar em determinados movimentos, cujas movimentações terão um epílogo: a morte da Democracia, a morte da Europa. E contra isso, podes crer, estarei no lado da barricada daqueles que sempre têm defendido os Direitos Humanos.

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