Dez 20 2010

Fim de estação

Publicado por as 11:15 em Crónicas

Crónica publicada na edição de Novembro/Dezembro da revista “30 dias

“Amigo,
antes da morte vir
nasce de vez para a vida”
Manuel da Fonseca

Fim de estação
Não, não vou escrever sobre saldos ou promoções de artigos para vender em fim de época. O comércio bejense salda-se a si próprio e, com a ajuda dos géneros made in China, vai fazendo a promoção de uma concorrência que não existe. Apesar das boas intenções, o comércio bejense está mesmo em fim de estação e a que aí vem promete um centro comercial, daqueles a valer e que Beja nunca teve. Depois… depois quem tem unhas é que toca guitarra.

Fim de estação pode também ser um balanço deste ano que agora termina. Pouco, ou quase nada, resta para acrescentar ao que já por aí foi escrito, dito e repetidamente anunciado. Foi um ano de alertas: vermelhos, amarelos, laranjas. Uma multiplicidade de avisos a tentarem preparar-nos para o que aí vem. Esquecem-se, por vezes, os escribas de nos alertar para a cor da catástrofe anunciada. É cor-de-rosa e entra-nos todos os dias pela casa e pelos bolsos adentro. Levam-nos talhadas dos vencimentos, roubam-nos os abonos de família e afogam-nos em impostos. Malfeitores, dizem-se defensores do Estado Social. As promessas que nos fizeram transformam-se em mentiras e só o fazem por saberem que chegaram ao fim desta estação. Não, não é o FMI nem tão pouco o Tribunal de Contas ou o Banco Central Europeu. É o governo cor da rosa que nos desgoverna e nos leva a suspirar pelo fim da estação socialista e a desejar que novas cores substituam este permanente alerta recheado de nomeações e rescisões milionárias. Para os homens da rosa, pois claro, que chegam ao fim de estação mais ricos, em contraste com o país, mais pobre e com cada vez mais desempregados. Estado Social, dizem eles. Não, muito obrigado, dizemos os que nos sentimos “roubados”.
Em Fim de Estação estão as greves gerais. Na ressaca dos anunciados três milhões de grevistas, o País está na mesma e o governo nem tão pouco tremeu. O bispo emérito de Setúbal queria uma grande manifestação nacional e o presidente recandidato a presidente falou em… falou? Dos outros candidatos, nem se fala: nobres e alegres estão, também eles, em fim de estação. Nesta coisa das greves já poucos acreditam. Quanto não vale uma task-force constituída por uma centena de camionistas para pôr este desgoverno socialista a tremer… para levar o governo ao fim de estação
Chegámos ao fim desta estação. Resta-nos agora ir procurar e escolher os caminhos que nos tragam tudo aquilo que, nesta quadra, tanto apregoamos. Ainda vamos a tempo de evitar que o país onde nascemos, crescemos e vivemos não se transforme, para muitos de nós, na última estação.
João Espinho, Dezembro de 2010

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3 Resposta a “Fim de estação”

  1. Paulo Nascimento diz:

    Vivemos o Outono da política Portuguesa.
    E, a julgar pelas previsões alaranjadas, o Inverno ainda será pior.

  2. AVLISESTE diz:

    Boa ….. grande João Espinho: Quem não quizer entender tudo aquilo que sabiamente escreves….. que se lixe !
    A @Paulo Nascimento só digo: O inverno é pior, porque o Outono foi péssimo, o Verão foi uma lástima e a Primavera foi ruim; O sr. Sócrates e o todo o seu séquito (salvo raras excepções), desgovernaram inteiramente, a seu belo prazer, este triste e pobre país.(Não venham agora desculpar-se com a crise internacional…. coitada dela, tem as costas bastante bem largas e é a culpada de tudo)!
    Se falarmos em linguagem ferroviária, Fim de Estação, significa fim de linha, local para apear, etc. etc. Então, está na hora de “apear” o sr. Sócrates e todos os seus “boys”, porque já nos causaram mal que chegue, para nós e gerações vindouras.

  3. El Juanito diz:

    Sim sim, fim de estação!
    O des-Governo prepara-se para injectar mais 500 milhões no bolso dos amigos, assim não me parece estejamos em fim de estação mas sim em plena estação de saque.
    O povo português merece esta turma de raquíticos mentais, pois tudo aceita, tudo suporta, tal nobre animal de quatro patas de seu nome Burro (propositadamente escrito com letra grande).
    Ameaça com umas grevezitas mas daí não passa.
    Na Suíça foi implementado um tecto maximo para as pensões, ( http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=Reformas-na-Suica-com-tecto-maximo-de-1700-euros.rtp&headline=20&visual=9&article=390426&tm=7 ).
    Porque não se faz o mesmo aqui?

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