Nov 30 2010

Pessoa

Publicado por as 8:30 em Poetas

Horizonte

O mar anterior a nós, teus medos
Tinham coral e praias e arvoredos.
Desvendadas a noite e a cerração,
As tormentas passadas e o mistério,
Abria em flor o Longe, e o Sul sidério
‘Splendia sobre sobre as naus da iniciação.

Linha severa da longínqua costa —
Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta
Em árvores onde o Longe nada tinha;
Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:
E, no desembarcar, há aves, flores,
Onde era só, de longe a abstracta linha.

O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esp’rança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte —
Os beijos merecidos da Verdade.

Fernando Pessoa

Share

2 Resposta a “Pessoa”

  1. vitor encarnacão diz:

    O horizonte é onde os nossos olhos acabam.
    É preciso ir lá para começar a ver outra vez.

  2. Celso Pereira diz:

    Venho dos lados de Beja.
    Vou para o meio de Lisboa.
    Não trago nada e não acharei nada.
    Tenho o cansaço antecipado do que não acharei,
    E a saudade que sinto não é nem no passado nem no futuro.
    Deixo escrita neste livro a imagem do meu desígnio morto:
    Fui, como ervas, e não me arrancaram.

    Um momento, sentimento nostálgico que me acompanhou nas minhas vivências de Lisboa, a “minha” Lisboa .

    Cumpts,

Deixe Uma Resposta