Beja orgulha-se
23 de Junho de 2010
De ter acabado com os seus usos e tradições.
Recordo-me das Maias – é verdade que já não há o tostãozinho nem meninas vestidas de branco.
Lembro-me dos desfiles/concursos de grupos alentejanos a cantar pelas ruas do centro da cidade – é verdade que o centro da cidade morreu.
As noites de Junho trazem-me à alembrança as fogueiras dos santos populares, o cheiro do alecrim a alegrar ruas e ruelas – é verdade que as ruas deram lugar a prédios, a bairros, a dormitórios.
E era nestas noites que corríamos de baile em baile, com ou sem a sardinha assada, mas com conjuntos musicais a animar a dança à volta do mastro – é verdade que já não há conjuntos nem mastros.
Beja orgulha-se de ter perdido, ao longo dos tempos, os aromas e sabores populares.
Em contrapartida, nasceram dezenas de associações, de agrupamentos de cidadãos, de agremiações, todas dependentes de um subsídio para fazer cultura e desporto.
Esqueceram-se das tradições. Não quiseram saber do cheiro do orvalho do mar.
Como é hábito, nesta noite véspera do santo com o meu nome, vou queimar alecrim.
As sardinhas virão depois.








