Nov 28 2008

Cambalhotas

Publicado por as 11:55 em Crónicas

Crónica publicada no Correio Alentejo de 28/11/2008

1. Na minha última crónica salientei aqui que as autarquias do PCP se haviam recusado a participar na Área da Regional de Turismo do Alentejo (ARTA), numa habitual postura comunista de não participar em organismos que não domine ou onde não possa levar a cabo as suas políticas de “orgulhosamente sós”. Para tentar explicar esta posição, a Direcção Regional do Alentejo do PCP convocou uma conferência de imprensa onde, obviamente, nada se explicou. Para além das habituais tricas partidárias, o PCP não convenceu ninguém e, percebeu-se, também não estava muito convencido da razão da sua posição. Li e ouvi declarações de dirigentes comunistas a declarar inclusivamente que a ARTA era “um instrumento do partido do governo”.
Ora bem. Não passaram muitos dias para que o PCP desse uma cambalhota e viesse, pela voz do Presidente da Câmara Municipal de Beja, dar o dito por não dito. A ARTA havia deixado de ser um “instrumento do PS” e o argumento “não estão em causa os lugares criados, mas sim os objectivos da nova Entidade Regional de Turismo” foi esquecido e mandado para o caixote do lixo. Agora que a Turismo do Alentejo já integra um autarca comunista e em que se prevê a adesão de vários municípios dominados pelo PCP, fica bem patente as linhas com que se remenda o PCP. A troco de um lugarzito, lá se mandaram às malvas os princípios.
De qualquer forma, aplaude-se esta (efémera) postura de colaboração, mas não se pode deixar de registar os constantes ensaios sobre a cegueira a que se submetem os súbditos do Comité Central.

2. O PSD de Manuela Ferreira Leite (MFL) não tem sabido percorrer o caminho a que se propôs e que foi sufragado em eleições directas. Eleita como sendo parte da “boa moeda”, com o timbre da credibilidade, esperava-se de MFL posturas firmes relativamente às más políticas do Governo, adicionando às críticas algumas propostas para um novo rumo, para uma nova política. Porém, MFL tem deixado a porta aberta a que o eleitorado a olhe com alguma desconfiança. As hesitações relativamente à candidatura de Pedro Santana Lopes – a “má moeda” – à Câmara de Lisboa, as infelizes observações sobre a redução do desemprego em países africanos e de leste e a triste, apesar de irónica, sugestão de suspender por 6 meses a Democracia, não fazem de MFL a líder que o PSD necessita e duvido que o País compreenda estas cambalhotas do Partido que quer ser alternativa ao PS no comando dos destinos de Portugal. A afirmação de um líder não se faz com fraquezas, exclamações tristes ou ironias. Faz-se apresentando e defendendo novas ideias e novos projectos. Mas, para isso, é preciso que o PSD os discuta, os estude e analise a sua viabilidade. E, o que menos tem havido, é debate interno no PSD. Pelo que se adivinha, depois das cambalhotas, um grande trambolhão. Veremos qual a profundidade das feridas.

3. O site da Câmara Municipal de Beja (http://www.cm-beja.pt/) tem sido, desde sempre, um local pouco acarinhado pela autarquia e, muitas das vezes, sofrendo de maus tratos por parte de quem sobre ele tem responsabilidades. Não falo dos erros ortográficos – de palmatória – nem da permanente desactualização dos seus (fracos) conteúdos. Refiro-me à sua utilidade enquanto porta de entrada virtual no concelho de Beja. Nada naquele site é apelativo ou crie o desejo de ali se regressar. Qualquer blogger consegue hoje fazer uma página mais dinâmica, mais interactiva, mais atraente. Apesar das diversas promessas que faziam prever outra postura, a autarquia bejense desde sempre demonstrou pouca apetência para as novas tecnologias, sendo a sua página na internet um dos vários exemplos que confirmam.
Porém, com o aproximar do ciclo eleitoral, a autarquia decidiu agora “descarregar” no seu site uma série de formulários e minutas que são de utilidade para os munícipes. Só que, esquecem-se os autarcas, não basta fazer obra quando as eleições estão à vista. Há muito que o site da CMB deveria ter alguma utilidade. Assim, e por muitas cambalhotas que ainda se venham a dar, é só o espelho do executivo que governa a nossa cidade.

João Espinho
28/11/2008

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Uma Resposta a “Cambalhotas”

  1. " Independente " diz:

    Gostava de saber o que passa na mente des comunas em relação a conhecimento, a capacidade e a competência, gostava de saber o que os leva a dizer que são de “esquerda” e o que é para eles a esquerda ?

    Aplica-se na Área Regional de Turismo do Alentejo e na Câmara Municipal de Beja, os comportamentos classificam quem os pratica, e os exemplos são por demais evidentes.

    O comunismo soviético, o murro de Berlim ou os lacaios locais de uma linha de pensamento , acções ultrapassadas e demagogas e populistas.

    Palavras para quê ?

    Atitudes e acreditar num futuro melhor, fora destas amarras de 34 anos de sempre do mesmo, a nível autarquico e do concelho de Beja, abram os olhos, e não esquecem a “arma” do povo é o voto e não a abstenção.

    No que refere a Manuela Ferreira Leite, aos seus longos silêncios e ao seu tipo de intrevenções, a linha politica e às suas “ironias” este tipo de face de “moeda” não serve a democracia portuguesa.

    A democracia não se compadece a ir de férias 6 meses para meter tudo na ordem, nem a brincar se pensa quanto mais se o diz o líder do maior partido da oposição.

    Quem somos e para que lado nos querem levar ?

    A liberdade do 25 de Abril não se deixa acorrentar com estes procedimentos venham eles donde vierem, nós temos vontade própria e representamos mais de 30% no eleitorado, os independentes tem voz e tem voto, e foram e serão sempre o “fiel da balança”, o pior cego é aquele que não quer ver…

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