Jun 09 2008

Constatação

Publicado por as 8:01 em Geral

As urgências de um hospital são o local ideal para assistir à transmissão televisiva de um jogo de futebol do Euro 2008.
Não há tremoços, não há minis levadas à boca, não há treinadores de bancada a arrotar as minis e as tácticas.
O pior é a espera: de golos e do atendimento.
E a inversão da lógica futebolística agradou-me: os prognósticos vêm depois dos resultados.

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5 Resposta a “Constatação”

  1. charamba diz:

    Para os doentes verdadeiramente urgentes, para os seus familiares naturalmente ansiosos com a situação, as fintas do Ronaldo e a força do Pepe não terão o menor interesse. Quem se encanta com essa possibilidade de entretenimento na sala de espera são os falsos urgentes, que são mais de metade dos qie afluem às urgências hospitalares. Isto porque durante décadas não havia capacidade de resposta dos cuidados primários, e mesmo agora que começa a haver alguma
    possibilidade de atendimento urgente nos centros de saúde, dois factores contribuem fortemente para a manutenção dessa excessiva afluência à urgência hospitalar, que não tem correspondência em qualquer grande cidade europeia. Não há qualquer urgência em Londres e Paris com metade da demanda de São José ou Santa Maria. E esses factores são, fundamentalmente:
    – a deseducação do público que durante muitos anos recorria ao hospital por não ter outra solução
    – as recentes medidas de redução de horário nos Saps, felizmente em aparente via de correcção, que em vez de promover a correcção da anomalia, vieram acentuá-la.
    É que isto de a sala de espera da urgência hospitalar ser um óptimo ponto de observação televisiva do Euro 2008, não é mais do que a caricatura da situação.

  2. João Espinho diz:

    @charamba – inteiramente de acordo. No entanto, no meu caso, a urgência hospitalar era a única que dispunha de meios de diagnóstico na área de ortopedia. Obviamente que, como acompanhante, a sala de espera com tv a transmitir futebol fez atenuar a ansiedade da espera. Já para a paciente assim não foi.

  3. Patricia diz:

    ta doente? as melhoras!

  4. João Espinho diz:

    @patricia – obrigado, mas eu era o acompanhante!

  5. José Valentim Fialho de Almeida diz:

    Concordo com tudo o que aqui foi dito, lembro é uma frase cujo autor desconheço (mas que gostaria de conhecer) e que não é mais do que uma verdade eterna: “O pior que tem a ficção é ser demasiado coerente, a realidade, essa nunca é coerente”.

    Daí e como pessoa directamente envolvida neste assunto, diga que ao longo de 25 anos fui vendo todas as estragégias e boas-vontades ruirem, e os Serviços de Urgencia deste e de outros hospitais, alguns mesmo caóticos como o do Hospital de S. José onde trabalhei, não conseguirem estar à altura das expectativas de quem lá recorre.

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