O Olhar de…Hugo Lança
23 de Novembro de 2007
foto: ziza
Ela viveu cada dia da sua adolescência como se fosse o ultimo! Aproveitou cada minuto, cada segundo, entregando-se sofregamente a prazeres efémeros, tendo o bom senso de praticar todos os desvarios. Teve todos os homens que desejou e uma ou outra mulher.
Correu todos os riscos, fez tudo o que a paixão lhe pediu, insanidades várias que guarda na caixinha das recordações inesquecíveis. Aquela tímida caixa que apenas nos permitimos abrir no silêncio da noite, nos momentos que partilhamos connosco, os únicos instantes que nos permitidos despir todas as máscaras, assumir as nossas falhas, defeitos e sonhos…
Mas um dia, porque há sempre um dia, uma meretriz de uma lágrima desfilou no seu rosto, abrupta, inesperada, cruel, quando sentada na verde esplanada, lia um romance que falava de amor, enquanto coleccionava cigarros no cinzeiro. Em redor, crianças tontas guinchavam, pulavam como cabras doidas, matando a pacatez daquela esplanada. Mas ela, naquela tarde, não protestou com o ruído, mas admirou de forma cândida as crianças que brincavam no jardim, perante o olhar meloso de suas mães.
Sentiu que a hora mudou: o seu relógio biológico berrou pela maternidade….








