Set 21 2007

Nojo (act)

Publicado por as 12:25 em A minha cidade

É o que sinto perante determinados comportamentos políticos.
O vereador do PS que agora aceita o pelouro da Educação na C M Beja diz que foi eleito “para trabalhar”. Mandou às malvas o Partido que o elegeu, virou costas aos seus companheiros, vergou a coluna, demonstrou o seu carácter. Todos os autarcas são eleitos “para trabalhar”. E na oposição também se trabalha.
Mas a Monge deve ter sido oferecido mais do que “trabalho”. Diria mesmo que lhe terá sido oferecido “trabalho a mais”. O pelouro da Educação não pode ser desempenhado a meio tempo, pelo que Monge tem direito a uma carga de trabalhos.
O que está por detrás deste virar-de-casaca?
O tempo se encarregará de o desvendar.

(em actualização)

1) Paulo Arsénio, dirigente da concelhia de Beja do PS, encara a hipótese de ser retirada a confiança política a José P. Monge.

2) Ao ouvir o vereador Monge em entrevista à Pax fico com uma dúvida: o que é que ele entende por dignidade? O que é incoerência na óptica de Monge? Ele aceitou o pelouro porque está ressabiado com camaradas seus?
O caso é bem pior do que eu pensava.

3) Ouvida a entrevista na íntegra, não foi apresentada uma única razão válida para que Monge tivesse aceite o convite feito pelo PCP. Há, porém, uma agravante no discurso de José Monge: a forma como adjectivou elogiosamente o Presidente da Câmara de Beja, apontando caraterísticas que não são, de todo, as que Francisco Santos tem revelado* (logo que possível transcrevo-as aqui), deixando no ar a ideia de que se converteu à “tolerância” do Presidente.
Sem lhe ter sido perguntado, viu-se obrigado a dizer que não havia “negócio” nem “contrapartidas”. Sintomático.

* “capacidade”, “tolerância”, “abertura” e “diálogo”, foi assim que Monge caracterizou Francisco Santos. Não discuto a capacidade, mas se há coisa que não caracteriza o Presidente é a tolerância, a abertura e o diálogo.

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36 Resposta a “Nojo (act)”

  1. h diz:

    Nikonman, honestamente, isto surpreende-o? Ou esta não é mais do que a prova provada da razão pela qual o PS/Figueiredo perdeu uma eleição que estava ganha!

  2. umsocialista diz:

    Se não fosse a Câmara sempre gostava de ver com o que é que te masturbavas?

  3. João Espinho diz:

    É só para informar os leitores que o comentário assinado por “umsocialista” corresponde ao IP 83.240……. da Câmara Municipal de Beja. Não merece resposta, mas fica aqui para que conste.

  4. zig diz:

    Podes (podem) não estar de acordo comigo, mas sempre defendi que os vereadores deveriam ser todos da cor política que representa o presidente da câmara. Assim, não havia problemas desses!

    Acerca dos IP’s, esse que tu indicas não necessáriamente é da CMB, pode muito bem ser de uma casa em que a CMB apenas fornece a ligação da net, e são muitas. Mas claro, já me conheces, não quero entrar em polémicas, mas esse que escreveu esse comentário nem merecia qualquer comentário!

  5. Machado de Assis diz:

    Estou a lêr autores portugueses do séc. XIX como Eça de Queirós, Conde de Ficalho e Ramalho Ortigão. É interessante a analogia com estes tempos em que vivemos. Um convite a todos os que ainda consigam ter algum tempo disponível para o efeito.
    Quanto ao tema deste post e como conheço um pouco da pessoa em epígrafe, devo dizer que o considero como um homem honesto, trabalhador, incapaz de prejudicar um colega e que gosta de ajudar os mais carentes e necessitados; conheci parte do seu trabalho na Caritas e na chamada “sopa dos pobres”. De modo que muito me surpreende tomar uma decisão como esta, ou então algo de muito complexo se tenha passado.

  6. uno diz:

    O munismo infelizmente encontra-se encapuzado…Tal como diria o cabeçudo” por que será?…”não será por certo daquela bebida…

  7. Jorge Barnabé diz:

    Confesso que o meu dia-a-dia me afasta destas polémicas. Reconheço que a distância nos permite ver as coisas de maneira diferente. E, bem sei, que em cada um de nós vive uma consciencia. Não me permito por hábito e por decoro ajuizar valores. Muitas vezes senti e expressei publicamente que o caminho do PS em Beja (e incluo na região) o conduziria ao descredito e consequentemente à verdadeira revelação daqueles que usaram da calunia e da maldicencia para derrotar os que não conseguiram vencer com ideias e dedicação. Melhor sei que com o tempo outros surgirão na debandada, sempre que os interesses não tiverem correspondencia no poder que um partido político como o PS gera (na opinião dos mais provincianos e mediocres).

    Noutros tempos, no tempo em que se levava a política a sério e se colocavam os interesses dos cidadãos acima dos cargos excessivamente remunerados, a decisão de retirar a confiança política seria apenas o principio de um processo mais consequente.

    Por mim, e com a sensação de que a verdade é como o azeite e vem sempre acima, continuarei a aguardar com o meu cartão no bolso…

  8. uno diz:

    os familiares adorarão…

  9. A.M. diz:

    O IP q vc diz ser da CMB, deve estar errado, pois o post foi colocado às 12:47 e a essa hora o pessoal da câmara ainda deve estar todo a trabalhar……………………..:-)

  10. AMRevez diz:

    Não me choca que exista distribuição de pelouros pela oposição, penso até que em alguns casos, caso haja boa vontade política entre todos os eleitos e as forças políticas a que pertencem, podia ser uma solução interessante em prol do interesse comunitário. Sendo que existiria sempre uma certa ambivalência entre a oposição na câmara com pelouros e os representantes desses partidos na assembleia municipal…
    Agora coisa bem diferente é o namoro “unilateral” entre o executivo e um vereador particular e que este aceite pelouros sem discussão e acerto político com a força política por que foi eleito e a quem deve lealdade e obrigações partidárias. Quando isto acontece ou é por aceno de tacho directo ou tachos indirectos… ou por desvinculação de compromissos político-partidários assumidos… Assim sendo, na minha opinião, deve o PS retirar a confiança política ao senhor em causa.
    Quanto ao PCP, a estratégia de “comprar” opositores complacentes com migalhas a “meio tempo”, só devia trazer uma consequência: separar melhor as águas entre os que se servem dos partidos para se servirem melhor a si mesmos, e agregar os que resistem às tentações das “melhorias pessoais” e lutam por projectos políticos sem cedências de ocasião.

  11. h diz:

    Pode ser distracção minha, mas tenho a sensação que o Jorge Barnabé há muito que estava afastado da discussão política. Um interessante regresso, que pessoalmente saúdo!

  12. h diz:

    Por acaso não consegui ouvir a entrevista, mas deixei escrita a minha posição em http://ireflexoes.blogspot.com/2007/09/ainda-o-caso-monge.html

  13. crava diz:

    Zig a câmara de beja fornece internet a várias casas????
    Também quero!!!!! Onde é que um gajo se inscreve???

  14. nikonman diz:

    @crava – na rua da ancha! 🙂

  15. AMRevez diz:

    Tenho pena do senhor Monge. Se ele de facto acha isso do senhor Franscisco Santos, então deve ter andado este tempo todo em arrepiante contrição, para não melindrar os seus camaradas de partido e os eleitores socialistas. Ou será que só mais recentemente é que lhe reconheceu qualidades?… Quando se assomaram algumas vantagens no horizonte?… Ou, talvez, tenha acordado um dia e foi fulminado por uma epifania! Santo Santos, o redentor clínico, apareceu-lhe vestido de imaculados atributos!
    E afinal o senhor é Monge. Amén.

  16. João Espinho diz:

    @amrevez – estás muito religioso. Isso tem a ver com a proximidade do sexo fransciscano de soror a quem chamaram Mariana (mas que boas fontes dizem ter sido Madre Emília)?

  17. Carlos Rico diz:

    Dói eu sei que dói….

  18. João Espinho diz:

    @carlos rico – só não dói a quem aplaude o caciquismo na política. E o PCP, que se dizia imune, afinal também o pratica.

  19. AMRevez diz:

    @joão espinho
    “boas fontes”? Hum… não me digas que também estás a “estudar” (para alguns isso traduz-se em “plagiar”) a época? Quanto à soror Mariana Emília, cá para mim era uma depravada e lasciva da pior espécie, armada em mártir amorosa.

  20. João Espinho diz:

    @amrevez – a madre Emília era aquela que aliciava os amantes e sob as tílias versejava umas belas fodas.

  21. AMRevez diz:

    eheheheheeh! Nem mais!

  22. cafi diz:

    Deixem o homem ir para lá!
    É mais um grande cancro que a Cãmara tem que tratar

  23. Charlie diz:

    No complexo xadrez político, há sempre esses piões que se deixam deslumbrar pelo comprimento da sua sombra…

  24. aldeão diz:

    Que eu saiba apenas o vereador do PS, Carlos Figueiredo, votou contra esta atribuição de pelouro. Quer o outro vereador do PS, quer o vereador do PSD abstiveram-se. Depois, existem por este país fora vários exemplos de vereadores do PSD que integram executivos liderados pela CDU (Marinha Grande, Barreiro (Bruno Vitorino, Presidente da Distrital de Setúbal), Palmela (Octávio Machado), Seixal, etc. Alguns destes vereadores também estão a meio tempo e asseguram a maioria. O caso contrário também existe (Vila Real de Santo António). Será que estes seus camaradas também o fazem sentir nojo?

  25. João Espinho diz:

    @aldeão – como está bem informado, diga-me se essas “coligações” foram conseguidas a meio do mandato. Diga-me igualmente se conhece as opiniões do vereador Monge relativamente aos executivos comunistas da CMB antes de ter sido “pescado” pelo PCP. Diga-me, se está tão bem informado, se as “coligações” que refere foram conseguidas à revelia das orientações partidárias daqueles que asseguram as maiorias.
    Depois de responder, verificará que está a meter no mesmo saco coisas e situações distintas.
    Mas você já é habitual na metodologia de desviar as conversas, pelo que não me surpreende o seu comentário.

  26. aldeão diz:

    Olhe no Seixal, no Barreiro e em Vila Real de Santo António (em que alguns vereadores da CDU têm plouros e outros não) o PS queixa-se do mesmo. E se em Beja existiu “pesca” porque é que o verador do PSD não votou contra? Ou não será que o que isto revela é falta de coesão da lista apresentada pelo PS. Ora veja lá se tivessem ganho! Por acaso num dos exemplos que dei, foi retirada a confiança política a um vereador do PS, antigo presidente da Concelhia, por este ter integrado o executivo. Parece que isto não é caso virgem. Mas o caso mais caricato que conheço é o da Figueira da Foz em que um verador do PSD se juntou à oposição para retirar competências ao Presidente da Câmara (do PSD).

  27. João Espinho diz:

    @aldeão – e o caciquismo dos outros passou a ser exemplar, pois também foi adoptado na nossa autarquia. Se se interessasse em conhecer a minha opinião você até era capaz de me dar razão. Mas como você não consegue ver para os lados, o que interessa é referir que está desculpada a atitude dos intervenientes no caso de Beja, pois virgens já não as há em parte alguma.

  28. aldeão diz:

    Mas explique lá isso do caciquismo. É que conheço sítios em que o seu partido domina e que ser da oposição é o cabo dos trabalhos. Quanto à sua opinião conheço-a de gingeira: se fosse possível deveria haver eleições todos os meses até o executivo cair, ou dito de outra forma, o eleitorado só é esclarecido quando são os nossos a ganhar. Já a minha opinião é de que todos os vereadores deveriam ter pelouros para demonstrar as suas competências e não ir apenas às reuniões do executivo. E também é minha convicção que têm obtido melhor resultados as oposições que aceitam pelouros e mostram trabalho do que aquelas que apenas apostam na política da terra queimada (o recente caso dos relvados sintéticos foi disto um bom exemplo).

  29. João Espinho diz:

    Das suas ginjas pouco me interessa. Percebo a sua boçalidade.
    A minha opinião é tão simples quanto:
    1 – Sou contra a promiscuidade de alianças contra-natura! Vejo-as em muitos lados e só as entendo como um aproveitamento de “migalhas de poder” a troco de um apoio acrítico. Há Juntas de Freguesia do nosso concelho que são disso exemplo.
    2 – Sou a favor de executivos monocolores, onde os vereadores são escolhidos de uma Assembleia Municipal reforçada e sem as “inerências” actuais.

    Se era esta a gingeira a que se refere, não se enganou.
    O resto é retórica à qual não dou troco.

  30. Jorge diz:

    nikonman,
    isto faz-me lembrar um certo “negócio do queijo limiano”, muito criticado em tempos. Como na altura foi o PS que aliciou um deputado, agora é a vez de ser o aliciado (se bem que, nesse caso, a oposição respirou de alívio por poder votar contra sem correr o risco de orçamento não passar).
    Não sei se o vereador é do PS ou se é independente. Eu já disse num meu post algures que discordo dos independentes em listas de partidos, especialmente em eleições onde pode haver candidaturas independentes, como as autárquicas. Penso que os independentes podem auxiliar os partidos na definição das suas políticas mas quando se candidatam numa lista, deixam de o ser. Por isso, ou há uma orientação do PS para a aceitação do pelouro ou o visado deveria resignar. Se é a primeira hipótese, tudo bem (é uma opção duvidosa do PS, mas é aceitável), caso contrário também considero reprovável.

    P.S. O pelouro da educação ir para o PS, quando o PCP está a cair em cima da Ministra do mesmo partido, tem a sua graça.

  31. aldeão diz:

    @ Nikonman,

    Depreendo então que da “sua” Assembleia Municipal não fariam parte os presidentes de junta, perdendo estes uma tribuna para poderem colocar as questões das suas freguesiais e como é importante esta tribuna quando a junta não é da mesma cor do executivo camarário. Para mim esse conduziria a um maior afastamento entre os eleitores e os seus representantes. Quanto às alianças poderia dar-lhes imensos exemplos de casos em que apesar de fazerem parte do mesmo executivo nada os impede de votar de forma diferente em questões importantes, como sejam os orçamentos, PDMs, etc. É que eu não concebo que a este nível as pessoas não possam colocar de lado as diferenças partidárias para tratarem dos problemas das comunidades. É que existem Câmaras que pouco maiores são do que aldeias e em que as pessoas até são amigas. Carago, precisam de executivos monocolores para resolver os problemas? Quanto às “migalhas de poder” nas juntas, só se for nas juntas da cidade, porque nas rurais existem maiorias claras (da CDU ou do PS).

  32. copiaperfeita diz:

    É á Monge, que esperavam? Um doce nunca amargou

  33. h diz:

    @Jorge, convido-o a ler o que se escreveu no Avante, aquando do deputado do queijo, disponível aqui http://ireflexoes.blogspot.com/2007/09/o-pcp-e-os-eleitos-paraquedistas.html

  34. João Espinho diz:

    @aldeão – os presidentes de Junta não perdem qualquer palco. Têm todos os caminhos e ferramentas para dialogar com o executivo. Se já foi às sessões da AM (nesta legislatura) saberá que os Presidentes de Junta só servem para fazer a maioria absoluta do PCP e ler alguns comunicados deste Partido.
    Claro que as “migalhas” se referem a 2 juntas da cidade, onde o PSD (3º) garante maiorias do PCP a troco das tais…. migalhas.

  35. aldeão diz:

    @ Nikonman,

    Sim, mas o impacto de uma intervenção na AM é muito maior do que uma conversa com o executivo que fica no segredo dos corredores.

  36. Jorge diz:

    h,
    eu sei qual a posição assumida pelo PCP, daí ter falado sobre o queijo limiano (que deixei de comer desde então). E daí também a minha referência ao pelouro da educação.
    É claro que estando aqui longe de Beja ainda não me apercebi se o PS (abertamente ou não) aprova ou não esta situação. Lembro-me que a C. M. Porto já teve uma situação PSD + 1 vereador do PCP, mas houve total acordo entre as partes, em Beja só considero que é reprovável se realmente houve aliciamento de um vereador, em vez de acordo entre partidos (por muito contra-natura que possam parecer este tipos de acordos). É claro que como eleitor poderia sentir-me defraudado, mas não é por isso que deixaria de ser eticamente correcto.

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