O PSD -2-
23 de Julho de 2007A liderança de Marques Mendes tem sido a possível num cenário de maioria absoluta do PS e em que este adoptou as políticas reformistas que o PSD (desgraçadamente coligado com o PP) não teve coragem de levar a cabo. O PSD tem por hábito – que também não é estranho ao PS – de entrar em crise quando está fora do poder. A crise agrava-se quando o regresso ao mesmo se encontra cada vez mais longe. Como toda a gente sabe, e não é preciso ser um Professor Marcelo para o antever, o PSD regressará, mais cedo ou mais tarde, ao governo e será, de novo, a força política motora do País. Porém, esta espera traz o aparelho e as referidas clientelas muito angustiados, pois a travessia do deserto esvazia-lhes os bolsos e, o mais importante, afasta-os dos poderes de decisão, retiram-lhes influência – é tão bom ser influente – e as mordomias inerentes às nomeações ficam a ser usufruídas pelos outros.
Perdendo neste campo, o PSD ganha em jantares conspirativos, provoca lucros acrescidos às operadoras de rede móvel e refugia-se nas autarquias que domina para demonstrar que “estamos cá e somos os melhores”.
Pois foi precisamente (também) por ter desleixado esta sua mais-valia – a presença em todo o país nos mais diversos órgãos autárquicos – que o PSD se encontra agora nesta encruzilhada (há quem lhe chame embrulhada). A cereja foi a Câmara Municipal de Lisboa e o PSD só pode queixar-se de si próprio, pois deixou que as guerrinhas e intrigas dominassem as suas práticas, esquecendo-se que o “povo social-democrata” é muito maior que aquele que se apodera das distritais e promove repastos conspirativos.








