O Presidente da Câmara Municipal de Beja declarou à Radio Pax que “vai entregar a uma empresa especializada um estudo do trânsito na cidade”.
Sejamos claros e coloquemos uma questão (a única): quantos estudos foram já feitos sobre o trânsito na cidade de Beja? Respondida a questão, surgem as outras: quanto custaram esses estudos? Certamente que também há resposta.
Porém, o mal continua, apesar de estudos e experiências.
Continuemos, então, a falar claro; as experiências levadas a cabo têm uma só finalidade: retirar o trânsito do centro da cidade, deixando-o livre para os peões circularem à vontade e para, anuncia-se repetidamente, praticar uma política de defesa do (bom) ambiente.
Donde surge uma outra questão: o centro da cidade está livre de trânsito?
A resposta é: NÃO!
O que acontece então?
Simples: os carros continuam a circular no centro da cidade (exceptua-se a zona pedonal e mesmo assim vejo por lá carros institucionais), só que, para lá chegar, levam mais tempo, consomem mais combustível e paciência, andam em gincanas por ruas e ruelas, transformando as antigas e pacatas ruas num (perigoso) transtorno e inferno para quem ali habita. Agrava-se esta situação com uma sinalética ridícula, onde a placa mais vista (e visível) é a que nos manda para a saída, a que nos convida a deixar a cidade.
Isto é, de todos os estudos feitos, nenhum ainda escreveu preto no branco o seguinte: as alterações ao trânsito são uma decisão que deve ser tomada pelo executivo, ouvidos os técnicos (que os há na Câmara), ouvidas as pessoas que andam (de carro) na cidade, consultada a PSP (que é quem mais sabe do trânsito desta terra), enfim, é uma decisão para ser assumida (com os pés no chão) também politicamente.
Encomendar estudos a empresas que fazem contagens de fluxos de trânsito (estão recordados da última contagem, que deu no que deu?) ou que se limitam a interpretar “mapas” registados via satélite, pode ser uma coisa muito bonita e tida como muito moderna, mas não resolve o problema da mobilidade das pessoas que vivem numa cidade onde, infelizmente, os transportes públicos não cumprem o objectivo para que foram criados.

foto: joão espinho