Mar 27 2007

TRÂNSITO

Publicado por as 9:40 em A minha cidade

O Presidente da Câmara Municipal de Beja declarou à Radio Pax que “vai entregar a uma empresa especializada um estudo do trânsito na cidade”.
Sejamos claros e coloquemos uma questão (a única): quantos estudos foram já feitos sobre o trânsito na cidade de Beja? Respondida a questão, surgem as outras: quanto custaram esses estudos? Certamente que também há resposta.
Porém, o mal continua, apesar de estudos e experiências.
Continuemos, então, a falar claro; as experiências levadas a cabo têm uma só finalidade: retirar o trânsito do centro da cidade, deixando-o livre para os peões circularem à vontade e para, anuncia-se repetidamente, praticar uma política de defesa do (bom) ambiente.
Donde surge uma outra questão: o centro da cidade está livre de trânsito?
A resposta é: NÃO!
O que acontece então?
Simples: os carros continuam a circular no centro da cidade (exceptua-se a zona pedonal e mesmo assim vejo por lá carros institucionais), só que, para lá chegar, levam mais tempo, consomem mais combustível e paciência, andam em gincanas por ruas e ruelas, transformando as antigas e pacatas ruas num (perigoso) transtorno e inferno para quem ali habita. Agrava-se esta situação com uma sinalética ridícula, onde a placa mais vista (e visível) é a que nos manda para a saída, a que nos convida a deixar a cidade.
Isto é, de todos os estudos feitos, nenhum ainda escreveu preto no branco o seguinte: as alterações ao trânsito são uma decisão que deve ser tomada pelo executivo, ouvidos os técnicos (que os há na Câmara), ouvidas as pessoas que andam (de carro) na cidade, consultada a PSP (que é quem mais sabe do trânsito desta terra), enfim, é uma decisão para ser assumida (com os pés no chão) também politicamente.
Encomendar estudos a empresas que fazem contagens de fluxos de trânsito (estão recordados da última contagem, que deu no que deu?) ou que se limitam a interpretar “mapas” registados via satélite, pode ser uma coisa muito bonita e tida como muito moderna, mas não resolve o problema da mobilidade das pessoas que vivem numa cidade onde, infelizmente, os transportes públicos não cumprem o objectivo para que foram criados.

uma cidade que convida a sair.jpg
foto: joão espinho

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7 Resposta a “TRÂNSITO”

  1. Anónimo diz:

    ??Outro estudo sobre o trânsito????? E não há dinheiro?!?!?! Sem possuir conhecimento profissional na matéria como alguns técnicos camarários, vislumbra-se à vista desarmada o caos em que puseram a cidade….quiseram tirar o transito do centro histórico mas é onde há mais….vejam-se os turistas a encostarem-se abruptamente á parede na Rua Aresta Branco enquanto passam automoveis velozmente….vejam-se as confusões que existem por todo o lado….. isso dos estudos e mais estudos pertende aos partidos que rodam no governo e não tinha conhecimento que já abrangia outras ideologias do saber político….todas as intervenções no transito só teem piorado cada vez mais….onde estão os pseudoentendidos??????? e quanto ganham?????? será como os diversos estudos que já temos para a ampliação da biblioteca, só em dinheiro de estudos já se tinha pago a obra… Enfim…que desalento…

  2. zig diz:

    O maior problema no trânsito em Beja é só um: a mentalidade! Eu vejo isso em mim! Se dou com uma rua fechada ao trânsito, por qualquer motivo, fico logo irritado! Se essa rua estivesse fechada permanentemente, já sabia, a rua está fechada e não posso nela circular.

    Não é necessário mais um estudo sobre algo que já toda a gente sabe! Beja é uma cidade antiga, pelo menos no centro histórico, e é o que há, as ruas são o que são, não há voltas a dar, não se pode construir mais ruas nessa parte da cidade. Por isso, a única solução é um compromisso já adoptado em outros países. Abrir essas ruas só a moradores com lugares de estacionamento previamente atribuídos, e quanto ao restante trânsito abri-lo apenas em certas horas do dia, fechando-as por completo aos fins-de-semana. É uma questão de hábito, de mentalidades. Porque como está agora não pode continuar, alguma coisa tem que ser feita!

  3. h diz:

    Ao que foi dito, acrescento uma pergunta: se vão pedir a uma empresa amiguinha para fazer um novo estudo, porque razão recentemente uma mente brilhante resolveu mudar o trânsito num conjunto de ruas? Porque razão, com que critérios?

  4. Inconformado diz:

    Concordo com o comentário do Sr.Zig; ou se tem coragem ou não se tem, e se é para encomendar estudos quem anda á revelia a mudar coisas no trãnsito????? acho q o Centro Histórico é para moradores e turistas…não é para funcionários da Câmara estacionarem os seus carros ttirando lugar aos moradores….Nada do que se faz é para valer…muda-se sempre outra vez….como no caso do separador da R. A. Sardinha; todas as pessoas(excepto algumas cabeçinhas) viram logo no que aquilo ia dar..e deu.. Ouçam quem tem a experiência e não quem tem só o cargo.

  5. Anónimo diz:

    inconformado, o parque de estacionamento subterraneo fica a mais de 10mts da camara municipal e ainda por cima o caminho é a subir, não se justifica os funcionarios deixarem ai o carro senão chegam atrasados ao caf…às reuniões!

  6. RCataluna diz:

    “…as alterações ao trânsito são uma decisão que deve ser tomada pelo executivo, ouvidos os técnicos (que os há na Câmara), ouvidas as pessoas que andam (de carro) na cidade, consultada a PSP (que é quem mais sabe do trânsito desta terra), enfim, é uma decisão para ser assumida (com os pés no chão) também politicamente…”

    Exactamente!!

  7. Charlie diz:

    Não sei para que serviu o estudo de muitos milhares de contos, com visitas a Milão etc para que destacadas figuras do nosso executivo municipal se inteirassem da excelencia das propostas feitas pela empresa seleccionada, e que redondaram no trânsito que hoje temos em Beja. Lembro-me dum parecer feito pela empresa que promoveu o Gestrudes em Lisboa. Rezava então assim ” Beja não tem problemas de trânsito. O que lhe falta é parques de estacionamento e a implementação dum transporte colectivo adequado ás suas necessidades.” É claro que esse estudo não serviu na altura. Para quê dar crédito a um estudo que diz não haver problemas prementes a resolver?
    Por isso nada como fazer o que se fez. Criaram-se problemas. A seguir já os estudos seguintes podem fazer algum sentido… 🙁

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