(crónica publicada no “Correio Alentejo”, de 28/7/2006)
“O PCP critica os governos de tomarem decisões puramente economicistas, acusa outros de perseguições políticas, mas é na sua própria casa que pratica os males que só vê na casa dos outros. Bem prega Frei Tomás…”
1 - Quem assistiu à última Assembleia Municipal, no dia 26 de Junho, ou ouviu depois as peças radiofónicas sobre a mesma, terá percebido que o executivo da Câmara Municipal de Beja (CMB), encabeçado por Francisco Santos, sobrevive de oxigénio administrado por uma parte da oposição, neste caso do Partido Socialista, e que vai servindo lindamente para a CDU ir ultrapassando as dificuldades criadas por uma incompetente equipa comunista.
Ouvir um vereador socialista desenrolar um rol de razões negativas no processo de criação da Empresa Intermunicipal Aguas do Alentejo Sul e depois saber que o seu voto permitiu a aprovação, em sede de executivo, dos estatutos da referida Empresa, é, no mínimo, estranho e permite levantar dúvidas sobre o verdadeiro papel da oposição na CMB.
2 – A Assembleia Municipal continua a ser uma verdadeira caixa de surpresas. Questionado pelo grupo municipal do PSD sobre o atraso na abertura da Piscina Municipal de Beja, o Presidente da Câmara apontou os filtros de água como razão principal e proferiu aquela que poderá ser a frase do ano: “Assumo a responsabilidade política e pessoal por este atraso”. Digo que é a frase do ano pois a mesma vai servir para que todos os políticos, a partir de agora, a possam usar, e abusar, sem que nada aconteça, sem que as verdadeiras responsabilidades sejam apuradas. O problema da Piscina de Beja é antigo, esteve na boca de todos os candidatos nas eleições de Outubro de 2005 e apontar uma súbita deficiência nos filtros de água é desculpa de quem sabe que nunca terá que assumir responsabilidades pela falta de planeamento e boa execução das suas obrigações.
3 – Apesar de nessa mesma Assembleia Municipal o PCP se ter insurgido contra “atitudes persecutórias” eventualmente levadas a cabo pelos dirigentes do Centro Hospitalar do Baixo Alentejo, é o mesmo PCP que as põe em prática, afastando da CMB avençados e colaboradores que não seguem a doutrina da Rua da Ancha. Questionado por um munícipe das razões que levaram ao afastamento do Director Executivo da revista Arquivo de Beja, o Presidente da CMB apontou razões pouco transparentes - de forma deselegante sugeriu incompetência - e de imediato desmentidas pelo colaborador agora afastado. O seu lugar será certamente ocupado por quem saiba dizer amén.
Não terá também sido por incompetência que a até agora responsável pelo Gabinete de Informação e Relações Públicas da CMB foi despedida, apontando-se razões de contenção financeira para a rescisão do seu contrato, sem que à mesma tenha sido dada uma palavra ou apontadas as verdadeiras razões. No seu lugar emergem já incompetentes escribas, uns aparecidos de outras paragens, mas todos detentores do cartão que lhes dá acesso às benesses de avenças que, supõe-se, não vão contra a contenção orçamental da Câmara de Beja. O PCP critica os governos de tomarem decisões puramente economicistas, acusa outros de perseguições políticas, mas é na sua própria casa que pratica os males que só vê na casa dos outros. Bem prega Frei Tomás…
4 - Alguém cheio de imaginação baptizou de BAAL 21 esse novel e promissor Movimento “Beja e a Coesão Territorial das Cidades Alentejanas”, esquecendo-se que se deve evitar dar o nome de carnificinas figuras míticas seja ao que for. Espera-se que, tal como na lenda Fenícia, cresça um oásis no sítio onde BAAL for enterrado.
Mas, lendas à parte, tem sido interessante verificar o caminho que este BAAL 21 vai tomando. Tendo como intento principal fixar em Beja as instituições que, naturalmente, vão abandonando a cidade e a região, este BAAL 21 esquece-se do essencial: a região de Beja assiste a uma acelerada desertificação humana e para estancar a saída de pessoas têm que se criar condições para aqui as fixar, para atrair novas gentes, que acompanharão novos investimentos, tem que se valorizar ainda mais o já por si atractivo ensino politécnico e, por último mas não em último, abandonar essa ideia, errada, de que os tais projectos estruturantes, por si só, trarão a riqueza e o desenvolvimento da região. Há muito, mesmo muito a fazer. Gostaria de acreditar no sucesso deste BAAL 21, mas o seu arranque está de tal forma inquinado, que não lhe vislumbro um final feliz.
João Espinho - 28/7/2006