Arquivo de Março de 2006

CAIS – 4º CONCURSO DE FOTOGRAFIA

31 de Março de 2006

A associação CAIS promove o seu quarto concurso de fotografia, numa edição em que os concorrentes são desafiados a fotografar «O Tempo» e a «desmascará-lo», tal como este se espelha e espraia na dimensão espacial das coisas.
Para mais informações, consulte o site da CAIS ou faça o download do regulamento (pdf) do concurso.

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A REDACÇÃO DA PRIMAVERA

31 de Março de 2006

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foto: Sergey_vl (Poddubniy S.)

“A Primavera é uma rapariga de vestido às flores, e não é preciso ser-se poeta para o dizer. Qualquer matrona por mais assexuada que seja, vê que se trata da altura em que o mundo borbulha como um tacho de “bouillabaisse”; é tempo de tirar a roupa e ficar um bom bocado sem a vestir.”
in The Old Man

Com este excerto ficam os votos de um bom fim de semana.

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Finalmente!

31 de Março de 2006

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foto: joão espinho

Quase 2 anos depois de aqui ter alertado para o péssimo aspecto que os contentores de lixo em frente ao Museu emprestavam ao local, constatei hoje, com agrado, que os mesmos foram finalmente dali removidos.
Mais vale tarde do que nunca.

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A ZEBRA

31 de Março de 2006

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É, invariavelmente, às riscas. Não se sabe se pretas no branco se brancas no preto.
Vaidosa na sua monotonia monocromática, mostra os dentes sempre que vê um espelho por perto.
E julga-se inteligente porque sorri, mesmo sabendo-se que, no seu interior, é a tristeza que impera. É um sorriso, também ele a preto e branco, que espuma algo de indefinido. E é um sorriso particular, como só as zebras sabem assumir. Angustiada, vive entre o nobre cavalo e o doméstico asno. Mas em nenhum deles reconhece a sua matriz. Vive na fantasia de se transformar em tapete de casa de luxo ou de vivendas de senhorios coloniais. Entrega-se ao espezinhamento de forma altruísta. Por isso o seu sorriso.
Para agravar esta triste condição, a Zebra padece de crónica frigidez, o que a torna particularmente ressabiada e invejosa face a qualquer fêmea sexualmente feliz, mesmo não sendo da sua espécie.
Quando co-habitante do zoo, deita o olhar ao macaco e ao elefante. Mas era com o tratador que lhe dá de comer que ela seria uma fêmea realizada. O tratador, porém, recusa-se a saciar-lhe as fomes.
Como se tal mal não fosse já por si pesado fardo, os parceiros, vários, que esta Zebra de asséptico cio tentou recrutar, não mostram competência capaz de inverter as suas descargas de bilis, e ela, assim, frustrada e impotente, enlameia-se na sua baba revoltada.
A zebra é um animal. Da selva e do zoo. Mas também do circo. Também das celebridades.
Pena é que haja quem lhe vista a pele.
(mais…)

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31 de Março de 2006

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foto: christian rotola

Para ti.

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DERAM-NOS PALHA

31 de Março de 2006

Durante o Desfile Académico realizado ontem, os estudantes do Instituto Politécnico de Beja encheram de palha algumas ruas da cidade (bem visível ainda hoje de manhã).
Esta intervenção social académica (não, não tem nada a ver com praxe) tem duas interpretações:

1 – Os estudantes quiseram relembrar aos bejenses o estatuto rural da nossa cidade.
2 – Irreverentemente disseram-nos “tomem lá palha, que é o que merecem!”.

Como é bom viver no campo!

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alentejo

31 de Março de 2006

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foto: joão espinho

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A POSTA NO EGO

30 de Março de 2006

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Lido no Língua Viperina:

“O meu tempo é escasso … a minha vida é chata … sempre a correr atrás de prazos e solicitações, ou encerrado num serviço público, ao sabor da vontade dos políticos! Fico triste comigo, ao ver a facilidade e a prontidão com que gente que admiro não deixa de alimentar os seus ideais, incuntindo no seu dia a dia uma marca indelével de realização e felicidade!
Sinto-me a milhas … de distância! Mas ao mesmo tempo muito perto.
Tal é a facilidade com que uma “figura”que apenas conheço do universo blogueiro, se revela um ser humano daqueles com os quais nos identificamos facilmente ao primeiro contacto. A simplicidade com que partilha os seus prazeres, sonhos e ideais é “injuriosamente” contagiante!
Falo concretamente de uma das minha referências diárias, um blog de eleição!
Posso não ter tempo para mais nada, posso a maior parte dos dias nem sequer ler com atenção, no momento, as breves (mas sensíveis) linhas que escreve o nikonman.
Mas pelo menos … uma vez por dia, tenho que entrar na Praça da Republica em Beja para, pelo menos, ver as fotografias com que nos mima!
Obrigado João Espinho! É reconfortante visitar-te diariamente!
Para ser feliz como tu … só me falta aprender a tirar fotografias, a alcançar a plenitude de uma maturidade serena, transbordante de uma sabedoria típicamente alentejana!
De resto já sou do Sporting e do PSD! (esta parte era perfeitamente dispensável, mas é a única que me faz rir a gargalhadas neste desabafo sentido que não pude deixar de dedicar-te)
Mas, mais importante, falta-me o essencial … falta-me o respirar, vivendo o meu dia disfrutando desse ar enebriante que alimenta especialmente apenas aqueles a quem corre nas veias o sangue de uma alma alentejana!
Falta-me “passar-me” da cabeça e mudar-me para o Alentejo! Essa terra quente que chama por mim !
Só assim me reencontrarei comigo!”

E do que estás à espera para te mudares? Já tens as malas feitas, agora mete-te a caminho.
Obrigado, Viperino, pelas tuas palavras. São um incentivo.
A Praça continua.

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BLOGS DO ALENTEJO

30 de Março de 2006

O melhor blogue do Alentejo
O Alandro Al decidiu atribuir um prémio, meramente simbólico, ao melhor blogue do Alentejo no ano de 2006.
A decisão sobre qual o melhor blog alentejano caberá aos leitores que podem votar em quatro blogues pré seleccionados.”

Vamos lá participar!

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“UM SONHO”

30 de Março de 2006

(crónica publicada no “Correio Alentejo”, de 24/3/2006)

Preparou a mochila com as máquinas e objectivas com que habitualmente registava na película as imagens de uma planície policromática. Era uma das suas paixões, assinalar em fotograma todas as mutações naturais da terra onde nascera. Os horizontes longínquos, o arvoredo que trazia penumbras refrescantes quando o Sol queimava, as papoilas, o trigo e as cearas que serpenteavam à hora do ocaso.
Toda esta paisagem começara porém a povoar-se de fantasmas.
“As pessoas?” – interrogava-se ele, olhando para o casario das aldeias abandonadas em ruas sem gentes e donde a morte ecoava em silêncio.
E fotografava o branco coalhado da cal naquelas paredes que faziam o contraste deste ou daquele, raro e fortuito habitante que vagueava o tempo trajando de luto.
Rostos de expressão sulcada pelo tempo. Mãos gretadas de desgraça.

E pensava no poeta que chorava
“Oh Alentejo prostrado
derrotado
resignado….”
e fugia da solidão em busca de outras caras, outras faces, de semblantes vivos.
Nesse dia percorreu a cidade em busca de vida, de gente que anima num vaivém as avenidas e alamedas. Almas apressadas que sustentam a urbe e em cujos rostos se vê um olhar distante do mundo rural. Quis registar o movimento que é o bilhete de identidade de um progresso anunciado, apregoado, prometido.
Descansou na praça.
Sentado, olhou em redor e no centro um vazio de gente embalou-o para um sonho.
A sua cidade era agora um emaranhado de civilizações e culturas. O velho dera lugar ao novo, o antigo convivia orgulhosamente lado a lado com o moderno. As pessoas passavam apressadas num final de tarde em busca do lazer, do prazer.
A Praça era energia e enchia-se de artistas, de mil cores. A música dava as mãos à palavra e os poetas sussurravam estrofes de paixão e de escárnio. Os públicos concentravam-se junto à ementa que lhes dava mais gozo. Trocavam-se olhares e acolá havia até quem se arriscasse a desvendar os seus amores. Água a refrescar, a matar a sede, a abrilhantar com o seu bailado em repuxo os espaços livres de multidão.
No céu uma nuvem trazia-lhe o filtro que as suas imagens desejavam para que tivessem bons contrastes e sombras bem proporcionadas.
À sua volta reinava uma harmonia que lhe agradava.
Um casamento ideal entre marcas que ele pensava impossível reconciliar. Ali havia um aroma de campo, à mistura com sons da cidade.
Longe de subúrbios amontoados de carros e cimento. Afastado de adormecidas almas conformadas à estagnação de uma vida macilenta. Distante de obstinados resistentes às mudanças e aos novos ares.
A cidade no seu centro fazia-se metrópole. Uma agitação alegre no núcleo pedestre, onde não faltava o equilíbrio, o bom senso e uma oferta vasta.
Estava na altura de puxar da máquina e fazer, finalmente, o retrato de uma terra com vida e com gente viva.
Subitamente uma mão toca-lhe no ombro. Desperta e vê uma fila de pessoas a entrar para uma repartição pública, ar pesaroso, desgastado, de quem vai em cumprimento de uma dolorosa obrigação. À sua volta eram eles os únicos sobreviventes do sonho urbano. Uma Praça deserta, um ancião sentado no banco ao lado. Outro mais velho ainda, sucumbia ao tempo de espera de um dia anunciado de dor, mais além meia dúzia de pombos tentavam levantar voo para outras paragens.
O seu olhar era agora de interrogação. Aquele que há pouco o despertara não o deixou indagar. “É a bicha do IRS”, veio pronta e arrastada a explicação.
Levantou-se, verificou se tinha o telemóvel, colocou a mochila às costas e, num último olhar pela praça, pensou para si: “Afinal há bichas na Praça”.
Desandou e foi em busca de outra terra.
De uma cidade.

João Espinho – 24/3/2006

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EVA

30 de Março de 2006

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foto: ben goossens

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ALGUÉM ME EXPLICA

29 de Março de 2006

Porque razão Freitas do Amaral é ainda o Ministro dos Negócios Estrangeiros?
Não são disparates em demasia?
Fica-me uma dúvida: Freitas do Amaral é um erro de casting ou é o primus inter pares?

Leia-se aqui e aqui.
Sobre este assunto, leia-se o Bloguítica e o Notas Verbais.

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