Out 05 2005
AUTÁRQUICAS – INQUÉRITO
Aqui estão as questões e respectivas respostas.
O questionário foi enviado para os candidatos do PS, PSD, BE e CDU (não consegui encontrar endereço electrónico do candidato do CDS), através de email.
Da parte dos candidatos do BE e do PSD as respostas chegaram. Apesar de ter falado com diversos elementos do PS e com o próprio candidato, que me pareceu arrogantemente desinteressado de uma matéria que não lhe iria trazer votos, as respostas de Carlos Figueiredo não chegaram.
Da candidatura da CDU recebi a indicação do endereço de mail, para onde enviei o questionário, mas seguramente alguém com pretensões a filtro comunista não terá feito chegar o questionário às mãos do candidato. Digo isto porque não acredito que Francisco Santos, que me dizem ser pessoa bem disposta, se recusasse a perder 2 minutos para responder a questões tão simples. É o que dá em nomear inexperientes arvorados em séniores.
Mas aqui ficam as questões e respectivas respostas.
1) Imagine que é eleito Presidente da Câmara de Beja, mas que o seu mandato
tem apenas a duração de um dia. Que medida (só uma) tomaria nesse mandato?
Alberto Matos (BE) – Em reunião de Câmara aberta à população, tentaria obter a maioria (de preferência a unanimidade) de todos os vereadores na aprovação do ORçAMENTO PARTICIPADO e na abertura de processos participativos em todas as decisões fundamentais do município – revisão do PDM, etc
João Paulo Ramôa (PSD) – De manhã demitia todos os Chefes principais e intermédios. De tarde colocava em concurso esses lugares.
Carlos Figueiredo (PS) – não respondeu
Francisco Santos (CDU) – igual a PS
2) Suponha que tem que abdicar da sua candidatura e dar indicação de voto aos seus apoiantes. Que lhes diria?
A. M. (BE) – Se tivesse de abdicar – por motivo de força maior – apelaria ao voto no número 2 da minha lista e em toda a equipa que integra as listas do BE; e em mais ninguém…
J.P.R. (PSD) – Para votarem conforme a consciência de cada um.
3) Pense num cenário em que não existe edifício da Câmara Municipal. Que edifício escolheria para instalar o executivo autárquico? Porquê?
A. M. (BE) – Esperemos que ninguém se lembre de derrubar os actuais Paços do Concelho… mas, se por qualquer calamidade isso acontecesse, proporia ao Executivo a utilização provisória do edifício (do estado…) abandonado do Banco de Portugal.
J.P.R. (PSD) – O edifício do Banco de Portugal. Porque é nobre, porque está desaproveitado e não custaria nada aos contribuintes.
4) Caso seja eleito, de quem espera o primeiro telefonema na noite de 9 de Outubro? E a quem telefonará primeiro?
A. M. (BE) – De um(a) familiar ou amigo(a), de um(a) adversário(a) político(a) ou de um(a) líder do meu partido…
Mas isso não depende de mim, não sei quem será o (a) mais rápido(a) a teclar….
Por mim, telefonarei em primeiro lugar para casa, onde o meu défice de presença cresceu durante a campanha…
J.P.R. (PSD) – Do Presidente da Comissão Política Distrital do PSD.
A ninguém. Todos vão estar comigo a meu lado.
Agradeço a Alberto Matos e a João Paulo Ramôa a participação desinteressada neste inquérito.
(Se algum leitor pretender responder ao inquérito, deixe as respostas na caixa de comentários.)
5 de Outubro de 2005 às 11:55
Foi pena os outros candidatos não emitirem opinião.
Sobre a resposta do J.P.R. (PSD)à 1ª pergunta acho-a violenta na parte da manhã já que complementa de tarde com um concurso que devido ao problema institucionalizado da “cunha” poderia ser uma questão de troca de pessoas. A tal história dos “boys” e dos “jobs” …
5 de Outubro de 2005 às 13:30
Interessante, a ideia do Eng.º Ramôa: demitir os chefes principais e intermédios e, a seguir, abrir concursos para os lugares vagos.
Não conheço em particular a competência e o desempenho dessas chefias, mas pelo que me é dado ver, como cidadão, existem vícios, sem dúvida.
Estando a minha experîência, nesta matéria, circunscrita à Administração Central, e sabendo que na Administração Local a autonomia da Gestão de Recursos Humanos é maior, não quero, no entanto, deixar de fazer dois pequenos comentários:
1. se essas chefias dispõem de um lgar de carreira, isto é, são nomeadas, por concurso, para um cargo de chefia que pode estar no topo da carreira, essa demissão é ilegal, pois trata-se tão só do direito à carreira a ser violado, e que só se perde legalmente por aposentação, morte, ou pena expulsiva (procedimento disciplinar);
2. se essas chefias foram nomeadas em regime de comissão de serviço, então, a demissão não é ilegal, e é frequente um pouco por toda a Administração Pública (a tal história dos “boys”). Mas essas demissões acarretariam enormes despesas em indemnizações e procedimentos concursais para recrutar e seleccionar os novos chefes.
5 de Outubro de 2005 às 13:38
Essa de demitir todas as chefias e pôr de imediato os lugares a concurso! É reveladordo tipo de pessoa a quem os seus apaniguados querem entregar o nosso munícipio! Valha-nosSanta Engrácia.
5 de Outubro de 2005 às 13:38
Essa de demitir todas as chefias e pôr de imediato os lugares a concurso! É reveladordo tipo de pessoa a quem os seus apaniguados querem entregar o nosso munícipio! Valha-nosSanta Engrácia.
5 de Outubro de 2005 às 22:04
ola..é só pa dizer que tem uma bela cidade..sou da guarda e a namorada trabalha ai em beja..vou la de vez em quando
5 de Outubro de 2005 às 23:04
Certamente que seria outro Presidente a admitir os vencedores no concurso. Estava feita a revolução tranquila, pelo menos na Câmara. Uma verdadeira lição dada pelo Ramôa. Só não a entende quem tem palas nos olhos. E mái nada!
6 de Outubro de 2005 às 9:33
mt interessante a ideia 🙂
6 de Outubro de 2005 às 10:43
Boa!
6 de Outubro de 2005 às 13:09
@ Chico. Por isso se vê ao ponto a que chegou o poder local. Um presidente acaba por não mandar nada já que os quadros executivos estão de pedra e cal. Todo um projecto de renovção passa pelo crivo dos interesses muito pessoais e obtusos desses senhores.
Lembra-se da sitcom ” Sim sr Ministro?”
6 de Outubro de 2005 às 13:10
@ Chico. Por isso se vê ao ponto a que chegou o poder local. Um presidente acaba por não mandar nada já que os quadros executivos estão de pedra e cal. Todo um projecto de renovção passa pelo crivo dos interesses muito pessoais e obtusos desses senhores.
Lembra-se da sitcom ” Sim sr Ministro?”
6 de Outubro de 2005 às 13:10
@ Chico. Por isso se vê ao ponto a que chegou o poder local. Um presidente acaba por não mandar nada já que os quadros executivos estão de pedra e cal. Todo um projecto de renovção passa pelo crivo dos interesses muito pessoais e obtusos desses senhores.
Lembra-se da sitcom ” Sim sr Ministro?”
6 de Outubro de 2005 às 15:46
@ Charlie – Todo o processo administrativo (leia-se “burocrático”), bem enraizado, mina toda e qualquer tentativa de mudança.
Qualquer jurista que conheça os meandros pode facilamente fazer arrastar um processo durante anos a fio.
Quanto à série, apesar de datar dos anos 70/80, é uma sátira extremamente bem conseguida (o Sr. Ministro era, salvo erro, “ministro dos assuntos administrativos”…).
Foca com extrema inteligência, ironia e sarcasmo – como é apanágio das séries britânicas – a cadeia de poder, as influências, os “lobbies” e a troca de favores.
Continua tão actual como há 20/30 anos atrás.
A resistência à mudança e a obscuridade de procedimentos é transversal a todas as sociedades ocidentais ou ocidentalizadas.
6 de Outubro de 2005 às 17:43
a proposta do ramôa até que seria boa. mas como ele só lá estaria 1 dia, não chegava a nomear as novas chefias.
já agora, o candidato socialista, se calhar, saneava o pessoal todo e depois punha lá os incompetentes que ele está a liderar na campanha.
o da cdu, esse, promovia os incompetentes que ainda não têm nenhuma chefia. mas primeiro mandava-os passar pela rua da ancha.