De Hugo Lança recebi o desabafo que publico na íntegra, com a devida vénia e agradecimento.
“Quando há meses meditei sobre blogues e expus as minhas conclusões, de muitos quadrantes recebi severas críticas. Mesmo às mais injustas, algumas ofensivas do homem e omissas em relação à obra, optei por nunca responder; entendi e entendo que uma obra científica não se coaduna com uma discussão em praça pública.
Em entrevista sobre o fenómeno dos blogues fiz a profecia - que era óbvia - que a campanha eleitoral para as autárquicas iria ter a lógica consequência de um emergir de blogues com o único desiderato de ofender, achincalhar e caluniar os diversos candidatos, sobre o cobarde manto do anonimato.
Defender, como defendo, a existência de uma verdadeira e operante responsabilidade civil pelos conteúdos publicados em blogues, é impedir essas vis práticas e responsabilizar juridicamente os infractores. E não se diga que procuro silenciar vozes incómodas; desde logo, pessoalmente não sou, nem directa, nem indirectamente, incomodado; por outro lado, o direito constitucional da liberdade de expressão não consagra o direito ao disparate…
Só assim, extirpando aqueles que pretendem transformar o mundo dos blogues num covil de indecências, estes podem desempenhar um papel fundamental na nova democracia, como meio excepcional de aproximação do cidadão ao poder, de democratização do jornalismo sem barreiras, livre de quaisquer influências, mormente financeiras.”
Hugo Lança