Chegados ao último dia do ano, é aproveitada esta ocasião para fazer um balanço do que foram os 365 dias que passaram e ao mesmo tempo manifestar desejos para o ano que amanhã vai começar.
Olhando para trás, fica-me a sensação de que muita coisa boa aconteceu, a par de outras não tão boas ou mesmo más que nos foram acontecendo.
Se a título pessoal o ano foi rico em emoções, e não cabe neste espaço falar de emoções pessoais, no plano político e social muito haveria para dizer.
Detenho-me em 2 aspectos que julgo terem sido marcantes no ano que agora termina.
Pela positiva, não devemos esquecer o êxito que foi a organização do Campeonato Europeu de Futebol, o EURO 2004, que veio revelar, mais uma vez, a capacidade que os portugueses têm, não obstante os inúmeros obstáculos, em produzir trabalho altamente qualificado. Portugal distinguiu-se internacionalmente, pois o EURO 2004 correu de forma excelente e as entidades mundiais ligadas ao futebol afirmaram que este foi o melhor Campeonato, em termos de organização, a que assistiram. Habituados que estamos a que tudo corra mal, este EURO 2004 deve encher-nos de orgulho e fazer com que acreditemos nas nossas capacidades. A derrota na final em nada pode ensombrar o sucesso do evento.
No campo oposto, e muito pela negativa, o ano que agora termina salda-se por um acumular de frustrações, pois a tão apregoada retoma económica não passou de uma miragem e de um desenrolar de promessas que, chegados ao dia de hoje, sabemos não terem sido mais do que isso: promessas!
Durante 2 anos e meio foi pedido aos portugueses que se sacrificassem, pois este esforço seria recompensador e iríamos, no final do ciclo das dificuldades, viver melhor e mais desafogadamente. Acredito que as intenções tivessem sido boas, mas bastou meia dúzia de meses de desgovernação santanista para que se pusessem a nu as fragilidades da nossa economia. Relembro que ainda há 10 anos Portugal era considerado um bom aluno europeu, pois a economia crescia e os portugueses sentiam que valia a pena fazer sacrifícios. Agora, com a história do défice e do cumprimento dos pactos de estabilidade económica, impostos por Bruxelas, e em que os sacrificados foram, como sempre, os pertencentes às classes médias, chega-se à conclusão que só mercê grandes engenharias financeiras Portugal conseguirá cumprir os pactos estabelecidos. Os responsáveis por este descalabro serão, obviamente, julgados em eleições, mas a sensação que nos fica é que, cada vez mais, a política serve para enganar e entreter o Povo, enquanto outros exigem sacrifícios que eles próprios não sabem realizar. É o Portugal a bater no fundo, é o desalento e o descrédito.
Poucos acreditarão em políticos que agora venham, de novo, pedir mais sacrifícios. Os resultados do ano que passou não deixam margens para dúvidas: a competência está afastada da governação e o estado a que isto chegou está a precisar de um verdadeiro abanão.
Caros ouvintes. A esperança é a última a morrer. E eu ainda tenho esperança que os portugueses saibam distinguir o mal do bem, saibam, quando a isso forem chamados, julgar quem tão mal os trata. É isso que eu farei.
Desejo-vos uma boa passagem de ano, bebam com moderação, pois amanhã é outro dia e é a partir dele que começamos um ano que desejamos e queremos com saúde, renovado e cheio de coisas boas.
Até para o ano.
(crónica igualmente publica no Notícias Alentejo)