“Escrevo o que entendo?
Pois entendo que não devia pagar propinas na Universidade, e só porque o Reitor da Universidade de Évora entende o contrário, tenho que pagar 800 e muitos euros.
E acabei de chegar de lá e estou gelada. E estou desgostosa… Triste com o meu país…
Na aula onde estive até há pouco, durante duas horas, todas as pessoas estavam com casaco vestido, com cachecóis a protegerem tudo o que podiam, com vontade de ir para um lugar mais agradável. Porque não há aquecimento. Porque quem diz que temos que pagar ao nível do que outros pagam não sabe a que nível recebemos… salários e formação.
Como a matéria se relacionava com a utilização de um programa informático de tratamento de dados, e segundo o professor não existe nem tempo lectivo disponível, nem meios para essa aprendizagem, surgiu como hipótese a compra dessa formação em empresas da especialidade. A pagar a preços da Europa.
E agora dou por mim a cogitar que algo está mal. Não confere o nível de rendimentos do meu agregado familiar, o nível de expectactivas para a educação/formação dos seus membros, os custos inerentes e a qualidade respectiva. E não confere a realidade que observo e vivo, com a realidade a que se referem os muitos analistas e defensores do sistema de propinas. Gostava de poder dizer: não pago! Se o fizer e for consequente, apenas consigo contribuir para as estatísticas que colocam o meu país na cauda da Europa dos 25 em matéria de formação. Como também nunca votei nos governos defensores de propinas, o que posso fazer? Escrever na Praça Pública?”
ass: maria c.