Mai 27 2004
Célia -17-
Quase em súplica, pedi-lhe que parasse.
Tinha colocado o leitor de cd’s em reprodução automática.
A música repetia-se. Tal como nós duplicávamos o enlevo dos afagos.
Como se alguns se tivessem perdido no tempo da inexistência de afectos.
Procurámos o verbo cativar.
“Estou cansada!” – entendi-lhe aquele sofrimento de quem esgotou forças nas demandas da outra alma. Repetiu-me que lhe era insustentável estar mais tempo com Jin Li.
E eu? Sabia que a resposta não teria rodeios.
“ João, não sei se me deixarei arrancar este amor”!
A promessa soou ao mesmo tempo que as colunas murmuravam, pela enésima vez, as palavras de Caetano Veloso em “Currucucu Paloma”.
Não deixámos que a música nos abandonasse.